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Vicente Cândido Figueira de Saboia (Visc. de Saboia) (Cadeira No. 63)

Membro Titular

Secção de Cirurgia

Patrono da Cadeira No. 63

Eleito: 04/09/1863 - Posse: 14/09/1863 - Sob a presidência de Antonio Felix Martins (Barão de São Felix)

Falecido: 18/03/1909

Presidente da Academia Nacional de Medicina - 1891 a 1892

O Dr. Vicente Cândido Figueira de Saboia nasceu na cidade de Sobral, no Ceará, no dia 13 de abril 1835. Foi filho do Tenente Coronel José Baltasar Aughery de Saboia e de Joaquina Figueira de Mello Saboia. Casou-se no dia 6 de janeiro de 1861, no Rio de Janeiro, com Luísa Marcondes Jobim, natural do Rio Grande do Sul, filha do senador José Martins da Cruz Jobim (um dos fundadores da atual ANM) e de Maria Amália Marcondes. O casal teve cinco filhos. 

Graduou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1858, apresentando a tese de doutoramento “Estreitamento da uretra no homem”.

Inscreveu-se na Academia Imperial de Medicina em 1863, apresentando memória intitulada “Ensaio sobre o tratamento da blenorragia” e foi empossado no dia 14 de agosto de 1863, atuando como Presidente da Academia Nacional de Medicina entre 1891 e 1892. Em outubro de 1908, pela comemoração do centenário de fundação do ensino médico no país, a Academia mandou cunhar medalhas comemorativas, de ouro, prata e bronze, com a efígie do cirurgião. É o Patrono da Cadeira 63.

Incumbido pelo governo de preparar um plano completo de reforma do Ensino Superior, Sr. Visconde de Saboia apresentou um projeto, amplamente desenvolvido, que serviu de base para o Decreto de 19 de abril de 1879, estabelecendo o ensino livre.

Foi Professor Catedrático de Clínica Cirúrgica na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (atual UFRJ), assumiu a Diretoria da mesma instituição de 1881 a 1889 e, no ano seguinte, tornou-se médico efetivo da Imperial Câmara e Comendador da Imperial Ordem de Cristo.

Em 1881, já nomeado médico da Casa Imperial e Cirurgião da Corte, foi designado Diretor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Exerceu este cargo durante oito anos, afastando-se do mesmo com a Proclamação da República, em solidariedade ao Imperador, de quem era amigo e médico particular.

Foi Chefe da 18ª Enfermaria do Hospital Geral da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, chefiada depois (como 15ª Enfermaria) pelos Acadêmicos Augusto Brant Paes Leme, Augusto Paulino Soares de Souza e Augusto Paulino Soares de Souza Filho.

Foi membro de diversas instituições cientificas nacionais e internacionais: Sociedade de Obstetrícia de Londres, Academia de Ciências de Lisboa, Academia de Medicina de Paris, Academia de Medicina de Roma e Sociedade de Cirurgia de Paris.

Em suas sucessivas viagens, estabeleceu contato com expoentes da Medicina no continente europeu, como o Lorde Joseph Lister, de Glasgow (Escócia), com quem aprendeu e trouxe para o Brasil o método da antissepsia, que lhe permitiu praticar como rotina a cirurgia abdominal. Foi o primeiro a utilizar a atadura gessada no Brasil.

Em sua atividade literária, o Dr. Vicente Cândido Figueira de Saboia escreveu cerca de 35 trabalhos científicos, dentre os quais destaca-se o "Tratado de Obstetrícia", usado como livro texto nas Faculdades de Medicina de Montpellier e Louvain, em francês. Sua obra de maior repercussão foi a "Reforma do Ensino Médico no Brasil". Nos últimos anos de sua vida dedicou-se a uma reflexão mais filosófica, com a obra “Vida psíquica do homem”, na qual tratava do materialismo e espiritualismo.

Ele foi também Conselheiro do Imperador, Médico da Imperial Câmara, Barão e depois Visconde de Saboia.

Faleceu no dia 18 de março de 1909, em Petrópolis, no Estado do Rio de Janeiro.

Em 1912, foi instituído, pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, o Prêmio Visconde de Saboia, conferido anualmente ao autor da melhor tese de doutorado sobre obstetrícia. No prédio do Curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará, campus de Sobral, foi erguida, em 2007, uma estátua de Saboya e, no ano de 2008, o colegiado instituiu a Medalha Visconde de Saboia para homenagear aqueles que prestaram importantes serviços à medicina e à educação médica.

Foi homenageado, também, com nome de rua: Rua Visconde de Saboia, no bairro Cavalcanti, na cidade do Rio de Janeiro.