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Rodolpho Albino Dias da Silva (Patrono da Cadeira No. 96 e Membro Titular da Cadeira No. 93)

Patrono da Cadeira No. 96

Ciências Aplicadas à Medicina

Membro Titular

Cadeira. No. 93 - Patrono: Belisário Augusto de Oliveira Penna

Eleito: 17/07/1919 - Posse: 09/10/1919 - Sob a presidência de Miguel de Oliveira Couto

Saudado por: Alfredo da Silva Moreira

Antecessor: Vicente Werneck Pereira da Silva

Falecido: 07/10/1931

Rodolpho Albino Dias da Silva, filho do Dr. João Albino Dias da Silva e D. Alzira Mendonça Dias da Silva, nasceu no município de Cantagalo, no Estado do Rio de Janeiro, em 5 de agosto de 1889.

Seus estudos de humanidades foram feitos no Colégio Anchieta, em Nova Friburgo. Diplomou-se em Farmácia, em 1909, pelo antigo curso farmacêutico da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

Na ânsia de aperfeiçoar seus estudos e conhecimentos científicos, logo após sua formatura, viajou para Paris, onde se aprofundou no estudo da química, da botânica e sobretudo da farmacognosia, com os grandes mestres franceses como, Emile Perrot, Albert Goris e outros.

De volta da Europa, ingressou no Exército como Farmacêutico Militar, após brilhante concurso, em 11 de fevereiro de 1914, indo servir no Rio Grande do Sul. Fez parte, também, do quadro de farmacêuticos do Laboratório Químico Farmacêutico do Exército.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina em 1919, apresentando a memória intitulada “Falsas ipecas do Brasil”. É o Patrono da Cadeira 96.

Foi um dos fundadores e eleito Presidente da Associação Brasileira de Farmacêuticos (1920-1921 e 1927-1928). Fundou, também, o “Boletim da Associação Brasileira de Farmacêuticos”, órgão oficial da instituição que dirigiu e foi Redator-chefe, imprimindo magnífica orientação científica e publicando seus trabalhos sobre plantas medicinais brasileiras, como “O guaicurú” e a “Caroba”, e também divulgou algumas monografias de seu projeto de Farmacopeia.

Na comemoração do 1º centenário da Independência do Brasil, o Presidente Epitácio Pessoa realizou numerosos congressos, dentre eles o 1º Congresso Brasileiro de Farmácia, no qual Rodolpho Albino Dias da Silva integrou a comissão organizadora do referido certame e apresentou o seu projeto da Farmacopeia Brasileira.

Na grande reforma do Departamento Nacional de Saúde Pública feita por Carlos Chagas, em 1920, foram criados dois lugares de químicos que, em 1921, foram preenchidos por concurso, sendo um deles ocupado pelo Rodolpho Albino Dias da Silva e outro por Isaac Werneck da Silva Santos.

Deixando o Exército, assumiu o cargo de Químico da Inspetoria do Serviço da Fiscalização da Medicina, a qual se dedicou com carinho e notável idoneidade cientifica, encontrado em seu desempenho um ambiente mais condizente com o gênero de estudos que há muito vinha se dedicando.

Em 1925, fundou e dirigiu a “Revista Brasileira de Medicina e Farmácia”, mantida pela Casa Granado, onde publicou importantes trabalhos científicos, destacando-se entre eles o que escreveu sobre a “Sapucainha” Carpotroche Brasiliensis, o mais completo e moderno estudo sobre a planta.

O decreto de 17.509 de 4/11/1926 aprovou a 1ª Farmacopeia Brasileira, intitulada "Farmacopeia dos Estados Unidos do Brasil", o Código Nacional Farmacêutico, de autoria de Rodolpho Albino Dias da Silva, tornado obrigatória a partir de 15 de agosto de 1929. A primeira edição da Farmacopeia Brasileira equiparava-se às farmacopéias dos países tecnologicamente desenvolvidos, porém diferenciava-se das demais por conter descrições de mais de 200 plantas medicinais, a maioria delas de origem brasileira.

A reforma do ensino de 1925 criara, no 3º ano do currículo farmacêutico, a cadeira de Farmacognosia, sendo Rodolpho Albino convidado para lecionar esta disciplina, ainda muito mal conhecida entre nós daquela época.

Além de sua invulgar cultura científica e literária, era Rodolpho Albino grande cultor de artes, utilizando-se com maestria do lápis e do pincel, não só para ilustrar seus trabalhos científicos, como também para pintar magníficos quadros e executar apreciadas caricaturas. Pianista exímio, compunha nas horas vagas músicas que fizeram bastante sucesso. Era também poeta e tanto versejava em vernáculo como em Frances, língua que conhecia profundamente.

Faleceu em 7 de outubro de 1931, na cidade do Rio de Janeiro.

Em sua homenagem, foi batizada com seu nome a Rua Rodolfo Albino no bairro do Leblon, na cidade do Rio de Janeiro.