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Oswaldo Gonçalves Cruz (Cadeira No. 90)

Membro Titular

Secção de Ciências Aplicadas à Medicina

Patrono da Cadeira No. 90

Eleito: 28/06/1899 - Posse: 24/08/1899 - Sob a presidência de Antonio José Pereira da Silva Araújo

Falecido: 11/02/1917

Nascido a 05 de agosto de 1872, em São Luiz do Paraitinga, Estado de São Paulo, filho do médico Bento Gonçalves Cruz e D. Amélia Taboada Bulhões Cruz. Ele viveu na cidade até 1877, quando sua família se transferiu para o Rio de Janeiro. Estudou no Colégio Laure, no Colégio São Pedro de Alcântara e no Externato Dom Pedro II.

Aos 15 anos, ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Antes de concluir o curso, já publicara dois artigos sobre microbiologia na revista Brasil Médico. Graduou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, a 24 de dezembro de 1892, defendendo tese de doutoramento intitulada “A Veiculação Microbiana pelas Águas”, dividida em três partes. Seu interesse pela microbiologia levou-o a montar um pequeno laboratório no porão de sua casa.

Contudo, a morte de seu pai, no mesmo ano de sua formatura, impediu o aprofundamento de seus estudos por um tempo. Somente em 1896 pôde realizar o seu sonho: especializar-se em Bacteriologia no Instituto Pasteur de Paris, dirigido pelo Dr. Émile Roux, descobridor do soro antidiftérico. Dr. Émile Roux e o Dr. Ellie Metchnikoff se tornaram seus principais orientadores profissionais. Trabalhou no Serviço de Vias Urinárias do professor Félix Guyone e fez estágio na Alemanha. Oswaldo Cruz foi convidado pelo Dr. Roux - que admirava seu trabalho - para permanecer trabalhando no Instituto Pasteur. No entanto, Oswaldo decidiu regressar ao Brasil em 1899.

Ao voltar da Europa, Oswaldo Cruz encontrou o Porto de Santos assolado por violenta epidemia de peste bubônica, e logo se engajou no combate à doença. Para fabricar o soro antipestoso, foi criado, em 25 de maio de 1900, o Instituto Soroterápico Federal, instalado na antiga Fazenda de Manguinhos, tendo como Diretor Geral o Barão de Pedro Affonso e Diretor Técnico o jovem bacteriologista. Em 1902, Cruz assumiu a direção geral do novo Instituto. Este, por sua vez, ampliou suas atividades, não mais restringindo-se à fabricação de soro antipestoso, mas dedicando-se também à pesquisa básica aplicada e à formação de recursos humanos.

Em 15 de novembro de 1902, quando Rodrigues Alves foi eleito Presidente da República, declarou como objetivo a erradicação de doenças como a febre amarela, peste bubônica e varíola. Para tanto, nomeia Oswaldo Cruz como Diretor Geral da Saúde Pública, cargo que corresponde atualmente ao de Ministro da Saúde. Utilizando o Instituto Soroterápico Federal como base de apoio técnico-científico, deflagrou memoráveis campanhas de saneamento. Em poucos meses, a incidência de peste bubônica diminuiu com o extermínio dos ratos, cujas pulgas transmitiam a doença.

Ao combater a febre amarela, na mesma época, Oswaldo Cruz enfrentou vários problemas. Grande parte dos médicos e da população acreditava que a doença se transmitia pelo contato com as roupas, suor, sangue e secreções de doentes. No entanto, Oswaldo Cruz acreditava em uma nova teoria: o transmissor da febre amarela era um mosquito. Assim, suspendeu as desinfecções, método tradicional no combate à moléstia, e implantou medidas sanitárias com brigadas que percorreram casas, jardins, quintais e ruas, para eliminar focos de insetos. Sua atuação provocou violenta reação popular.

Em 1904, a oposição a Oswaldo Cruz atingiu seu ápice. Com o recrudescimento dos surtos de varíola, o sanitarista tentou promover a vacinação em massa da população. Os jornais lançaram uma campanha contra a medida. O congresso protestou e foi organizada a Liga Contra a Vvacinação Obrigatória. No dia 13 de novembro, estourou a rebelião popular, a Revolta da Vacina, e, no dia 14, a Escola Militar da Praia Vermelha se levantou. O Governo derrotou a rebelião, mas suspendeu a obrigatoriedade da vacina. Em 1907, a febre amarela estava erradicada do Rio de Janeiro.

Em 1908, uma epidemia de varíola levou a população aos postos de vacinação. O Brasil finalmente reconhecia o valor do sanitarista, todavia, no mundo científico internacional, seu prestígio era já incontestável. Oswaldo Cruz ainda reformou o Código Sanitário e reestruturou todos os órgãos de saúde e higiene do país.

Em 1909, deixou a Diretoria Geral de Saúde Pública, passando a se dedicar apenas ao Instituto de Manguinhos, que fora rebatizado com o seu nome. Do Instituto lançou importantes expedições científicas que possibilitaram a ocupação do interior do país. Erradicou a febre amarela no Pará, realizou a campanha de saneamento da Amazônia, e permitiu o término das obras da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, cuja construção havia sido interrompida pelo grande número de mortes entre os operários, provocadas pela malária.

Durante sua vida, Oswaldo Cruz recebeu várias honrarias e homenagens: em 1907, em Berlim, no XIV Congresso Internacional de Higiene e Demografia, ganhou a medalha de ouro em reconhecimento por seu trabalho; em 1911, a Exposição Internacional de Higiene (Dresden, Alemanha) conferiu um diploma de honra ao Instituto Oswaldo Cruz; e em 1914, a França, tendo sido beneficiada em suas colônias na África pelas descobertas de Oswaldo Cruz, concedeu ao brasileiro a Legião de Honra - a mais alta distinção republicana francesa. Além disso, recebeu também inúmeras homenagens póstumas.

Foi eleito para a Academia Nacional de Medicina em 26 de junho de 1899. Na instituição, atuou como Presidente da Secção de Ciências Aplicadas à Medicina nos anos de 1913-1914, 1914-1915 e 1916-1916.

Foi eleito, também, em 1912, para a Academia Brasileira de Letras.

Em 1915, por motivos de saúde, abandonou a direção do Instituto Oswaldo Cruz e mudou-se para Petrópolis. Eleito prefeito daquela cidade, traçou vasto plano de urbanização, que não pode ver construído, pois a piora de sua saúde o levou a renunciar ao cargo.

Sofrendo de insuficiência renal, morreu naquela cidade, a 11 de fevereiro de 1917, com apenas 44 anos.