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Miguel da Silva Pereira (Cadeira No. 02)

Membro Titular

Secção de Medicina

Patrono da Cadeira No. 02

Eleito: 23/12/1897 - Posse: 30/12/1897 - Sob a presidência de Antonio José Pereira da Silva Araújo

Saudado por: Antonio José Pereira da Silva Araújo

Falecido: 23/12/1918

Presidente da Academia Nacional de Medicina - 1910 a 1911

O Dr. Miguel da Silva Pereira nasceu em São José do Barreiro, no Estado de São Paulo, no dia 2 de julho de 1871, filho de Virgílio Pereira e de Porcina Magalhães Pereira.

Filho e neto de lavradores, foi criado na fazenda do Campinho, lugar de São José do Barreiro. Aprendeu a ler em casa e, aos 12 anos, entrou no Colégio Pedro Segundo, no Rio de Janeiro, como interno. Ali redigia um jornal de estudante, A Refrega, e fazia propaganda republicana dentro do colégio. Aos 19 anos entrou para a Faculdade de Medicina, na Rua Santa Luzia. Abandonou as aulas em 1893, na revolta de Floriano Peixoto, quando foi lutar em Niterói, e depois quando uma epidemia de cólera aconteceu no Vale do Paraíba.

Doutorou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (atual UFRJ), em 1896, defendendo tese de doutoramento intitulada “Hematologia Tropical”, considerada obra notável.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina no dia 30 de dezembro 1897, apresentando Memória para admissão intitulada “Anemia Tropical”. Foi Presidente da Academia entre 1910 e 1911. É o Patrono da Cadeira No. 02.

O Dr. Miguel da Silva Pereira começou a vida profissional como médico visitador da Associação do Empregados do Comércio. Foi Professor Catedrático de Patologia Médica e depois de Clínica Medica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e Chefe de Serviço da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro.

Deu início, anos depois, à maior campanha de saneamento do Brasil, dois anos de luta até que, em 1918, no governo de Venceslau Brás, tenha início o saneamento do país.

Foi grande propagador das qualidades do clima das atuais cidades de Miguel Pereira e Paty do Alferes e da criação nesta região de sanatórios para o tratamento de doentes de tuberculose.

Produziu uma obra capital que lhe absorvera anos de trabalho e observação, o “Tratado de Clínica Médica”. Não chegou a ser impressa, posto que queimou os originais em protesto contra a moléstia não identificada que o abateu em plena maturidade. 

Faleceu muito moço, no dia 23 de dezembro de 1918, com apenas quarenta e sete anos de idade, ficando famoso por sua luta pela higiene no Rio de Janeiro e por sua extensa clínica particular.

O distrito de Estiva, então pertencente ao município de Vassouras, foi rebatizado com seu nome em 1955. Hoje é a cidade de Miguel Pereira.