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José Martins da Cruz Jobim (Cadeira No. 41)

Membro Fundador 

Secção de Medicina

Patrono da Cadeira No. 41

Eleito: 28/05/1829 - Posse: 30/06/1829

Falecido: 23/08/1878

Presidente da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro - 3º trimestre de 1831 e 3º e 4º trimestres de 1834 e da Academia Imperial de Medicina - 1839-1840 e 1848-1851

José Martins da Cruz Jobim nasceu na cidade de Rio Pardo, na então província do Rio Grande do Sul, em 26 de fevereiro de 1802, filho mais velho do tenente português José Martins da Cruz Jobim e de sua primeira esposa, Eugênia Rosa Pereira Fortes. Entre seus irmãos estava Antônio Martins da Cruz Jobim, mais tarde Barão de Cambaí. Filho de pais pobres, mudou-se ainda criança para o Rio de Janeiro para receber uma educação mais aprimorada, tendo sido matriculado no extinto Seminário Episcopal de São José. Foi médico, professor e político brasileiro do século XIX, um dos pioneiros da Psiquiatria no Brasil.

Foi um dos fundadores da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, criada em 1829 e posteriormente denominada Academia Imperial de Medicina, juntamente com Joaquim Candido Soares de Meirelles, Luiz Vicente De Simoni, José Francisco Xavier Sigaud e Jean Maurice Faivre. Foi Presidente da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, no 3º trimestre de 1831, 3º e 4º trimestres de 1834. Foi Presidente da Academia Imperial de Medicina nos períodos de 1839-1840 e 1848-1851.

Casou-se, em 1830, com Maria Amélia Marcondes do Amaral, de família paulista, com quem teve sete filhos. Uma de suas filhas, Luiza Marcondes Jobim, casou-se com Vicente Cândido Figueira Sabóia, posteriormente Visconde de Sabóia, que foi Presidente da Academia Nacional de Medicina em 1891-1892 e é o Patrono da Cadeira n. 63.

Viajou para a França em 1821, onde ingressou na Faculté de Médecine de Montpellier, tendo se transferido, posteriormente, para a Faculté de Médecine de Paris, instituição na qual diplomou-se como bacharel em Ciências Físicas (1826) e doutor em Medicina (1828).

Ao retornar ao Brasil, em 5 de março de 1828, foi nomeado médico do Hospital da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, onde chefiou uma de suas enfermarias. Teve presença marcante nesta instituição, exonerando-se de suas funções no ano de 1859. Em 1860, lhe foi concedido o título de primeiro e único médico honorário do Hospital da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro.

Dedicou-se, também, a atividades clínicas em seu consultório particular, situado à rua do Lavradio n. 53, no bairro da Lapa, na cidade do Rio de Janeiro.

José Martins da Cruz Jobim participou de várias comissões organizadas pela Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, tendo sido, em 1830, indicado como relator da Comissão de Salubridade designada para examinar a situação das prisões, hospitais, casa de expostos e hospícios. Neste mesmo ano, integrou a comissão encarregada, pela Câmara dos Deputados, de elaborar um plano para as escolas médicas. O projeto produzido intitulou-se "Plano de Organização das Escolas Médicas do Império”, redigido pela Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, por Convite que a Augusta Câmara dos Deputados lhe dirigiu em 07 de outubro de 1830, e foi apresentado por José Martins da Cruz Jobim à Câmara dos Deputados do Império, sendo votado e aprovado.

A intersecção entre as doenças infecciosas, a pobreza e a doença mental foi um assunto importante para a Neuropsiquiatria brasileira no início do século XIX. José Martins da Cruz Jobim estava engajado em uma abordagem higienista baseada em estudos sintomatológicos e anatomopatológicos. Escreveu “Insânia loquaz” em 1831, o primeiro texto escrito sobre doença mental no Brasil, baseado em dados clínicos e patológicos compatíveis com meningite tuberculosa. Assim, Jobim é considerado um dos pioneiros da Psiquiatria no Brasil e merece o título de primeiro Neuropsiquiatra do Brasil.

Na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, foi Lente de Medicina Legal e Toxicologia entre 1833 e 1854, e Diretor entre 1842 e 1872, tendo sido jubilado e aposentado como diretor em 1872.

Em 1844, José Martins da Cruz Jobim viajou para Nápoles (Itália) como emissário particular de D. Pedro II junto à Corte do Rei das Duas Sicílias e, no seu retorno, foi designado médico da comitiva do Imperador que realizaria sua primeira visita às províncias do sul do império brasileiro. Nesta ocasião, foi nomeado, ainda em Porto Alegre, para o Conselho da Coroa.

Foi deputado geral, na 7ª e 8ª legislaturas, pela província do Rio Grande do Sul (1849-1851) e senador do Império, pela província do Espírito Santo (1851), cargo este que assumiu em 6 de maio de 1851 e permaneceu até a data de sua morte, em 1878.

Cruz Jobim foi Conselheiro do Imperador e Membro Correspondente da Real Academia de Ciências de Nápoles e de Lisboa e agraciado com as Comendas da Ordem da Rosa e de Cristo, e da Imperial Ordem da Rússia de S. Estanislau.

Faleceu no Rio de Janeiro, em 23 de agosto de 1878.

Teve o seu necrológio escrito por José Eduardo Teixeira de Souza, Orador oficial da Academia Imperial de Medicina, em 30 de junho de 1879, na sessão comemorativa do cinquentenário da Instituição.

Entre as homenagens prestadas a José Martins da Cruz Jobim, destacam-se a emissão de selo comemorativo por ocasião do 150º aniversário de seu nascimento, pelo Departamento dos Correios e Telégrafos (lei nº 1.671, de 12/09/1952), e a mudança do nome da Rua Constantino Alves, situada no bairro de Irajá, na cidade do Rio de Janeiro, para Rua Cruz Jobim (Decreto n. 5.224, de 5/04/1935).