Academia Nacional de Medicina

Av. General Justo, 365, 7° andar, Rio de Janeiro - 20.021-130 - Tel: (21) 3970-8150
Busca


Anais da Academia

Veja a última edição do
Anais da academia

José Lourenço de Magalhães

Membro Titular

Eleito: 21/04/1885 - Posse: 21/04/1885 - Sob a presidência de Agostinho José de Souza Lima

Falecido: 23/11/1905

Presidente da Academia Nacional de Medicina - 1895 a 1896

 

O Dr. José Lourenço de Magalhães nasceu na cidade de Estância, em Sergipe, no dia 11 de setembro de 1831. Era filho de Romão Lourenço de Magalhães e Antônia Isabel Fernandes.

Formou-se Doutor pela Faculdade de Medicina da Bahia, em 1856, defendendo a tese de doutoramento “Como reconhecermos que o cadáver, que se nos apresenta, pertence a um indivíduo que morreu afogado?”.

Especializou-se na França e na Alemanha, onde aprofundou seus conhecimentos em oftalmologia. Realizou seguidas viagens a Europa e, graças aos seus estudos sobre a lepra, tornou-se bastante conhecido no Brasil e no exterior.

Durante a epidemia de cólera, em 1863, desempenhou um relevante serviço, pelo qual recebeu reconhecimento posterior. Eleito Membro Titular da Academia Imperial de Medicina, o Dr. Lourenço foi empossado no dia 21 de abril de 1885 e tornou-se presidente em 1895.

Ele foi Membro Titular da Academia Imperial de Medicina em 21 de abril de 1885. Ocupou vários cargos da Diretoria e, em 1902, passou a Membro Correspondente desta Instituição.

Trabalhou como oftalmologista em Estância, Laranjeiras, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. O Dr. Lourenço foi Sócio correspondente da Sociedade Médica de Emulação de Paris e correspondente de importante periódico de oftalmologia editado em Paris e escreveu uma importante obra sobre beribéri, sobre impaludismo e assuntos oftalmológicos do século XIX. Foi também Diretor do Hospital Colônia de Guapira para leprosos.

Foi delegado de saúde em Estância e delegado de polícia, bem como tenente coronel chefe do Estado Maior do Comando Superior da Guarda Nacional.

Foi deputado provincial (1862-1869) e presidente da Sociedade Fraternidade Sergipana (Bahia).

No início da década de 1890, o médico José Lourenço de Magalhães, ferrenho anti-contagionista que defendia a curabilidade da lepra e que, desde 1878, vinha utilizando uma terapêutica própria no tratamento dos leprosos. Com uma farta produção científica, onde defendia de forma fervorosa suas teorias e combatia o paradigma bacteriológico, José Lourenço de Magalhães publica, em 1882, o livro "A morféia no Brasil" e, em 1885, "A curabilidade da Morféia". Nestes trabalhos Magalhães, além de defender a curabilidade da lepra, propõe um novo método terapêutico que não divulgava por considerá-lo anticientífico. Fiel aos princípios formadores do saber médico que rejeitava teoria vagas e abstratas, Lourenço de Magalhães defende seu método, argumentando que não confiava exclusivamente na terapêutica, mas sobretudo na higiene.

Faleceu na cidade de São Paulo, em 23 de novembro de 1905.