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Joaquim Candido Soares de Meirelles (Cadeira No. 01)

Membro Fundador

Secçao de Medicina

Patrono da Cadeira No. 1

Eleito: 28/05/1829 - Posse: 30/06/1829

Falecido: 13/07/1868

  1º Presidente da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro: 1829 a 1830 e 1833 e da Academia Imperial de Medicina: 1835 a 1838 e 1842 a 1848

 

Nasceu em Congonhas de Sabará, hoje Nova Lima, município do Estado de Minas Gerais, em 5 de novembro de 1797. Filho do cirurgião Manoel Soares de Meirelles e de Anna Joaquina de São José Meirelles, pertencia a uma família que descende do tempo de D. Fernando, em Portugal (1345-1383). Casado com Rita Maria Pereira Reis, filha do cirurgião Paulo Rodrigues Pereira e irmã do Dr. Jacintho Rodrigues Pereira Reis, que foi também Presidente da Academia Imperial de Medicina. Foram seus filhos: o conselheiro Saturnino Soares de Meirelles, médico e professor da Escola Naval e do Colégio Pedro II e fundador do Instituto Hahnemaniano do Brasil, em 1859; Nicomedes Rodrigues Soares de Meirelles, médico; Jacinto Rodrigues Soares de Meirelles, oficial de marinha e Candido Rodrigues Soares de Meirelles, doutor em Matemática. Casado com Maria Candida Marianna Vahya, em segundas núpcias, teve Luisa Candida Soares de Meirelles.

Liderou, em 1822, a Comissão de Patriotas que influenciou a decisão de D. Pedro I de permanecer no Brasil (dia do Fico). Iniciou sua carreira militar no Exército, onde começou como pensionista praticante, passando depois a cirurgião-ajudante no Batalhão de Caçadores, e, por fim, graduado cirurgião-mor da Cavalaria de Minas Gerais.

Formou-se em Medicina, no ano de 1822, na então Academia Médico-Cirúrgica do Rio de Janeiro (atual Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ) e por decreto do Governo Imperial, em 1825, foi enviado a Paris para aperfeiçoamento dos estudos médicos. Lá obteve a dúplice coroa de Doutor em Medicina e Cirurgia, com apresentação de duas teses. Na primeira, o tema era Dissertation sur l´histoire de l`eléphantiasis (Dissertação sobre a Elefantíase); na segunda, Dissertation sur les plaies d'armes á feu (Dissertação sobre as lesões por arma de fogo).

Regressando ao Brasil, pediu demissão do Serviço do Exército, sendo desligado em decreto de 14 de julho de 1828. Ingressou no Hospital da Misericórdia (atual Hospital Geral da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro), em enfermaria chefiada pelo médico italiano Luiz Vicente De Simoni. Naquela enfermaria, lançou a ideia da fundação da Sociedade de Medicina, à qual se associaram os médicos Luiz Vicente De Simoni, José Martins da Cruz Jobim, José Francisco Xavier Sigaud e Jean Maurice Faivre.

Em 28 de maio de 1829, realizou-se a primeira sessão preparatória da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro. Em 30 de junho de 1829, Soares de Meirelles foi eleito Presidente da Sociedade, Membro Titular número 1, Membro Fundador e Membro Nato. Aprovada com o apoio do Marquês de Caravelas (José Joaquim Carneiro de Campos), pelo decreto de 15 de janeiro de 1830, a Sociedade foi instalada publicamente em 24 de abril de 1830 no Hospital de São Francisco de Paula. Sob a direção e iniciativa do primeiro Presidente eleito, em novembro de 1833, nasceu a proposta de transformar a Sociedade em Academia. Na sexta sessão aniversária, em 1835, compareceu pela primeira vez o Imperador Pedro II, com 9 anos, e, logo após, em 5 de novembro de 1835 a Sociedade foi elevada à categoria de Academia Imperial de Medicina. Soares de Meirelles presidiu a Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro no período de 1829-1830/1833 e, já elevada à categoria de Academia Imperial de Medicina, de 1835-1838/1842-1848.

Sua vida foi cheia de aventuras e atividades políticas. Envolveu-se na rebelião dos liberais de Minas Gerais em 1842, foi preso e deportado para Lisboa, onde ficou até o decreto de anistia de 14 de março de 1844. Ao voltar ao Brasil, foram-lhe restituídos todos os títulos e honras. Soares de Meirelles mudou sua atuação na cena política: foi nomeado Médico da Imperial Câmara e Membro do Conselho de sua Majestade O Imperador; recebeu condecorações como a Comenda Imperial da Ordem da Rosa, a insígnia de Oficial da Ordem do Cruzeiro, o hábito de São Bento de Aviz e a medalha de ouro, comemorativa da Rendição de Uruguaiana. Foi eleito Membro da Assembleia Provincial do Rio de Janeiro, em uma legislatura, e Deputado na Assembleia Geral pela Província de Minas Gerais em 1845, 1847 e 1848. Professor de Anatomia e Fisiologia das Paixões na Academia Imperial de Belas Artes, Meirelles foi Sócio Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Membro da Academia de Medicina de Nápoles, da Sociedade Médica de Louvain e da Sociedade Filomática de Paris. Atuou como Redator da Revista Médica Fluminense no seu primeiro ano de publicação. Foi nomeado Cirurgião-Mor da Armada no posto de Capitão de Mar e Guerra, promovido a Chefe de divisão Graduado da Armada Nacional e Imperial, e primeiro Diretor de Saúde Naval. Em 10 de julho de 1865, partiu para Uruguaiana acompanhando D. Pedro II ao teatro da guerra com o Paraguai. Lá, participou da rendição paraguaia em Uruguaiana. Nessa viagem, não lhe faltaram provações, Soares de Meirelles, atacado pelo tifo, foi transferido, moribundo, para Alegrete, de onde regressou à Corte em 2 de maio de 1866 com a saúde já comprometida. Não se recuperaria, porém, jamais.

Progredindo sua enfermidade, faleceu na madrugada de 13 de julho de 1868, no Rio de Janeiro.

Em 8 de dezembro de 1941, foi indicado para Patrono da Cadeira 28 da Academia Brasileira de Medicina Militar e no dia 3 de outubro de 1963 foi escolhido para Patrono da Cadeira número 1 da Academia Nacional de Medicina.

Patrono do Corpo de Saúde da Marinha de Guerra, por decreto federal de 25 de novembro de 1968, sua data de nascimento passou a ser considerada dia festivo para todas as organizações de saúde da Marinha Brasileira.

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