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João Moniz Barreto de Aragão (Cadeira No. 89)

Patrono da Cadeira No. 89

Secção de Ciências Aplicadas à Medicina

Membro Titular

Secção de Medicina

Cadeira No. 03 - Patrono: Agostinho José de Souza Lima

Eleito: 27/09/1906 - Posse: 11/10/1906 – Sob a presidência de Antônio Augusto de Azevedo Sodré

Saudado por: Henrique Autran da Motta e Albuquerque

Antecessor: João Joaquim Pizarro

Falecido: 16/01/1922

O Dr. João Moniz Barreto de Aragão nasceu no dia 17 de junho de 1871, em Santo Amaro, no Estado da Bahia, filho do Barão e da Baronesa do Mataripe, Antônio Moniz Barreto de Aragão e de D. Tereza Maria Pires de Albuquerque Moniz de Aragão.

Cursou os melhores estabelecimentos secundários na cidade de Salvador e doutorou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia, em 1895, defendendo tese intitulada “A hérnia inguinal e sua durabilidade”.

Em 1897, contagiado pelo clamor público que se levantou após a Guerra de Canudos, no interior da Bahia, se apresentou como voluntário, juntamente com outros médicos e professores da faculdade, ao comando militar e foi incorporado aos contingentes que partiram para o atendimento aos militares do Exército Brasileiro. O horror de Canudos marcou definitivamente o médico Moniz de Aragão, surgindo dali o futuro médico militar, o educador e, especialmente, o higienista.

Em 1900, foi nomeado médico adjunto do Exército da guarnição militar de Florianópolis, e, em 1901, por meio de concurso para o Corpo de Saúde do Exército, passou a Tenente Médico. Em 1904, foi designado para o Laboratório Militar de Microscopia Clínica e Bacteriologia, mais tarde Instituto Militar de Biologia, do qual foi Diretor. De 1904 a 1907, teve atividade exemplar no ramo da pesquisa de patologia, de forma a conseguir extinguir as enzootias e, em função disso, fundou um Centro Nacional Veterinário dentro do Exército. Foi, ainda, encarregado das enfermarias de Cirurgia do Hospital Central do Exército.

Além de sua atuação oficial no Exército, foi Adjunto do Diretor do Hospital de Santa Isabel, na Bahia e também realizou destacados serviços ao Ministério da Agricultura, na organização de serviços técnicos.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1906, apresentando a memória intitulada “A hérnia inguinal perante a cirurgia contemporânea”. Foi também Segundo Secretário da ANM no biênio de 1909-1910. É o Patrono da Cadeira 89.

No ano 1915, funda, junto com os Drs. Alvaro Tourino, Artur Lobo, Moreira Sampaio, Murillo Campos, Afonso Ferreira, Alarico Damásio, Alves Cerqueira e outros médicos militares, a Sociedade Médico-Cirúrgica Militar, da qual foi orador.

Em 1921, atuando como Inspetor de Serviço Veterinário, foi nomeado membro da comissão encarregada de fixar a composição das rações das tropas em tempo de paz.

É autor de vários trabalhos publicados, dentre eles “O mormo e a cirurgia (1905), “Radiografia e radioscopia nos exércitos em campanha” (1905), “Cirurgia de guerra” (1906) e “Estudos e crítica da organização de saúde da Rússia, Japão e Alemanha” (1907).

Dois dos seus seis filhos seguiram seus passos na Medicina: o Dr. João Maurício Moniz de Aragão, obstetra, Docente da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e Diretor do Hospital Pro Matre; e o Acadêmico Raymundo de Castro Moniz Aragão, Professor de Microbiologia na Escola de Química, o primeiro Reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Ministro da Educação, em 1966.

O Dr. Moniz Aragão faleceu de síncope cardíaca, no dia 16 de janeiro de 1922, na casa em que residiu, localizada na rua que recebeu seu nome, Avenida Tenente Coronel Muniz de Aragão, no bairro de Jacarepaguá, no Rio de janeiro.

Por meio do Decreto-Lei nº 2.893, de 20 de janeiro de 1940, o Tenente Coronel Médico Dr. João Moniz Barreto de Aragão foi considerado Patrono do Serviço de Veterinária do Exército, como reconhecimento aos seus esforços para a fundação e desenvolvimento daquele Serviço. É, também, o Patrono da Cadeira 94 da Academia Brasileira de Medicina Militar.