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Francisco Furquim Werneck de Almeida (Cadeira No. 71)

Membro Titular

Secção de Cirurgia

Cadeira No. 71 - Patrono: José Antônio de Abreu Fialho

Eleito: 30/05/1901 - Posse: 07/06/1901 – Sob a presidência de Nuno Ferreira de Andrade

Saudado por: Theóphilo de Almeida Torres

Falecido: 18/02/1908

Nasceu em 29 de setembro de 1846, na cidade de Vassouras, no Estado do Rio de Janeiro. Filho do Dr. Francisco de Assis Furquim de Almeida e de D. Marianna Isabel de Lacerda Werneck.

Doutorou-se em Medicina na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1869.

Após graduar-se viajou para a Europa, onde conheceu as principais clínicas obstétricas e cirúrgicas. Em Paris frequentou os cursos de Payot, de Jean Anne-Henri Depaul, de Leon Clément Voillemier, de Charles Robert Richet, e de Aristide Verneuil.

Da França seguiu para a cidade de Viena, frequentando as lições de Carl Ritter von Fernwald Braun, Joseph Späth, Christian Albert Theodor Billroth, Leopold Dittel, e concluiu seus estudos e obtendo o diploma de Magester Obstetritia.

Em Berlim frequentou os cursos de operações e as clínicas cirúrgicas dos professores Bernhard Rudolf Konrad Langenbeck e Heinrich Adolf von Bardeleben, que iniciava o uso do método de Joseph Lister. Acompanhou os trabalhos de William Fergusson, professor de cirurgia no King´s College, em Londres, e do cirurgião Thomas Spencer Wells, que já realizava ovariotomia (extração de ovários) no Samaritan Free Hospital for Women.

Retornando ao país, em 1872, exerceu a clínica obstétrica e ginecológica, e introduziu os processos novos da obstetrícia e da cirurgia inglesa e alemã. Fez uso da anestesia obstétrica, que encontrava resistências no meio médico brasileiro, e foi responsável pela introdução da anestesia pelo bicloreto de metileno, preconizada por Thomas Spencer Wells.

Suas comunicações em diferentes congressos médicos evidenciaram os resultados de suas realizações, como as ovariotomias, as operações plásticas, as operações reparadoras do aparelho sexual da mulher. Realizou operações de Emmet e Schroeder, e diferentes colpo-perineoraffias. Assinalou, também em sua apresentação à Academia Nacional de Medicina, os excepcionais resultados obtidos em operações de fístula vésico-vaginais, nas quais utilizou os preceitos dos cirurgiões americanos Nathan Bozeman, J. Marion Sims e Emmet. Foi um dos primeiros a empregar o tratamento de Hildebrandt nos fibromas uterinos, e o tratamento pela eletricidade nos fibromas e nas afecções uterinas com os métodos de Aimé Martin e de Georges Apostoli.

Em outra viagem à Europa, em 1893, conheceu os aperfeiçoamentos introduzidos na técnica cirúrgica, especialmente as modificações trazidas por Doyen para o processo preparatório das histerectomias abdominais e vaginais. Divulgou no Brasil vários processos e técnicas, como o uso da posição de Trendelenburgh, que conhecera de perto nas clínicas de Louis Felix Terrier e de Doyen.

Foi “pensionista de número” no Hospital da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, em 1867 e 1868, por meio de concurso.

Prestou serviços, como segundo cirurgião, nos hospitais militares por ocasião da Guerra do Paraguai.

Exerceu os cargos públicos de deputado federal e prefeito do Rio de Janeiro, de 1895 a 1897, e durante sua gestão procurou tratar das questões do saneamento da cidade. Recebeu a condecoração com a Ordem da Rosa.

Integrou o grupo fundador da Policlínica de Botafogo, criada em 1900, na qual chefiou o serviço de clínica obstétrica e ginecológica e em 1904 ocupou o cargo de vice-diretor da Maternidade Escola do Rio de Janeiro.

Eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina em 1901, apresentou os títulos e trabalhos, confiados ao julgamento da comissão. Durante o período em que esteve ne instituição exerceu o cargo de Presidente da Secção de Ginecologia (1901-1902) (1902-1903).

A atual Rua Xavier da Silveira, no Bairro de Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro, foi primeiramente denominada Rua Dr. Furquim Werneck, em sua homenagem.

Faleceu em 18 de fevereiro de 1908, em Petrópolis, no Rio de Janeiro.