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Francisco Maria de Mello Oliveira

Membro Titular

Eleito: 25/09/1883 - Posse: 25/09/1883 - sob a Presidência de Agostinho José de Souza Lima

Falecido: 23/06/1907

Nasceu a 7 de fevereiro de 1847, na cidade de Fortaleza (CE).

Filho de José Maria de Oliveira, alferes do Exército Nacional, e Anna Francisca de Mello Oliveira, filha do antigo Cirurgião pelo Proto-Medicato, João Francisco Tavares de Mello.
José Maria de Oliveira era natural da cidade Angra do Heroísmo, liba Terceira, Portugal; assentou praça de soldado em 1820 ou 1822 no Regimento de Bragança no Rio de Janeiro sob o nome de José Maria d'Asso e Cante, seguindo como sargento para o Pará na expedição do general Labatut; já Alferes, requereu para assignar-se d'ora avante como José Maria de Oliveira, ignorando-se o motivo desta resolução. Seu pai foi o Senhor do Solarizo do Gales, na Capital da Ilha Terceira. Por ocasião de seu casamento já havia mudado de nome.

Em 1857, dois anos depois do falecimento de seu pai, Francisco Maria de Mello Oliveira transferiu-se com a mãe e irmãos para o Rio de Janeiro.
De 1855 até a data de seu embarque para o Rio de Janeiro, que teve morar em fevereiro de 1857, frequentou as aulas do professor Espindola na Praça Municipal, aprendendo a 1er, escrever e as quatro operações, passando depois do seu exame em janeiro de 1857 ao estudo da gramática portuguesa.
Chegado ao Rio de Janeiro, foi frequentar o Colégio da Sociedade Amante da Instrução, para meninos pobres, onde deu entrada nas aulas de literatura portuguesa, francês e aritmética, prestando exame na Instrução Publica, e alcançando aprovação plena; deste período até 1860 interrompeu seus estudos por ter entrado como praticante de uma farmácia;

Em 1864 foi-lhe permitido frequentar as aulas do Mosteiro de S. Bento, e então concluiu os preparatórios para a matrícula do curso de farmácia (1865), conservando-se até o ano de 1867 trabalhando na mesma farmácia, onde dera entrada como praticante em 1860.
Em 1867 matriculou-se no curso farmacêutico da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, recebendo seu diploma de Farmacêutico a 21 de Dezembro de 1869.

Motivaram a demora de sua matricula no curso farmacêutico a necessidade de trabalhar e a negação de seu mestre de farmácia pratica em lhe permitir que frequentasse os estudos, o que conseguiu deixando a farmácia e indo servir na farmácia do Hospital da Santa Casa de Misericórdia do Rio, na qualidade de Aprendiz de 1.a classe.

Em 1870 alistou-se no Corpo de Saúde do Exército, como farmacêutico-alferes, indo servir na Escola Militar da Praia Vermelha. Neste mesmo ano foi nomeado preparador do curso de física e química da dita Escola, ficando encarregado de reorganizar os respectivos gabinetes quase desaparecidos durante o período da guerra do Paraguai.

Em 1873 publicou um livro sobre botânica contendo notas e cálculos sobre as madeiras de construção, intitulado — “Rudimentos de botânica”.
Em 1873 e 1874 foi-lhe permitido pelo Comando da Escola abrir um curso livre de química, a que concorria grande número de assistentes, muitos dos quase são hoje altas patentes do exército.

Em 1874 foi nomeado membro da Comissão de inquérito no Hospital e Pharmacia Central do Exército, em companhia do Visconde de Beaurepaire Rohan, presidente, Visconde de Souza Fontes, Contador do Tesouro Nacional.
Cons.o Miguel Archanjo Galvão e o médico militar Major Manoel José de Oliveira. Esta comissão durou um ano.
Em Maio de 1875 foi nomeado chefe do serviço farmacêutico da Pharmacia Central do Exército, tendo obtido exoneração a seu pedido quatro meses depois.

Em Maio de 1876 foi convidado para fazer parte da Comissão de Limites com a Bolívia sob a chefia do Visconde de Maracaju (Marechal), tendo como companheiros o Barão de Parima, Barão de Lassance, General João Severiano da Fonseca, General Costa Guimarães e Capitão de Fragata Frederico de Oliveira.

Um ano e meio depois, por doente, obteve dispensa de membro da Comissão, regressando de San Mathias (Bolívia) para o Rio de Janeiro onde chegou em Agosto de 1878, e foi servir na Escola Militar ocupando os seus cargos de farmacêutico e preparador de física e química.

Em 1879 prestou os exames de latim, filosofia, geografia, história e inglês, e matriculou-se no mesmo ano no curso medico na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, conseguindo em todos os atos aprovações plenas e com distinções, inclusive na defesa das Teses.
Serviu, de 1879 a 1893, como preparador de química inorgânica e analítica da Escola Politécnica do Rio de Janeiro de que era lente o notável cientista cearense Cons. Dr. Álvaro Joaquim de Oliveira e foi, na mesma data, cumulativamente preparador de Química orgânica do professor Domingos Freire.

Infatigável e muito operoso, de 1882 a 1884, fez particularmente com o professor Wilhelm Meichiler, sábio chimico” o curso de chimica analytica e industrial da Escola Polytechnica do Rio de Janeiro, apresentando vários trabalhos de analyse e sinthese orgânica.

Em 1884, adepto das ideias republicanas interessou-se pela propaganda da abolição, sendo neste ano presidente da Sociedade Abolicionista Cearense do Rio de janeiro, desenvolvendo tal atividade a ponto do governo daquela época ter ordenado sua prisão, o que foi obstado pelo imperador, que o conhecia perfeitamente. Este fato foi confessado pelo Cons. Prisco Paraíso, ministro da justiça, ao próprio Dr. Mello Oliveira e a outros cearenses.
De 1883 a 1885 entregou-se á clinica medica e de partos, e praticou com os ilustres professores Drs. Pedro Paulo de Carvalho e Luiz Feijó

Em Dezembro de 1885 transferiu sua residência para o interior de S. Paulo até se restabelecer de enfermidade de que sofria, mudando-se em Maio para a Capital. Ali entregue exclusivamente a seus esforços, sem a menor relação e proteção conseguiu tornar se um clinico dos mais conhecidos em todo o Estado.

Em 1891, foi nomeado Lente Catedrático de física e química do Curso Anexo á Faculdade de Direito de S. Paulo, tendo exercido a cadeira até sua extinção, em 1897. Encerrou sua aula com uma assistência de oitenta aluirmos, recebendo por esta ocasião de seus discípulos as maiores provas de estima e consideração.

Como farmacêutico já era Membro da Academia Nacional de Medicina. Foi benemérito do Instituto Farmacêutico do Rio de Janeiro, lente de Toxicologia na Escola mantida pelo mesmo Instituto, e sócio efetivo da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, e por último membro correspondente do Instituto do Ceará.

Exerceu a clínica em São Paulo desde 1885 até seu falecimento, que ocorreu a 23 de junho de 1907.

É longa a lista dos trabalhos científicos por ele publicados em várias Revistas. Os mais conhecidos são:
Sobre a matéria medica e terapêutica do “Leonotis Neptefolia” (Cordão do frade) e seu alcalóide: em fascículo.
Enumeração de 500 plantas indígenas brasileiras por ordem de classe, géneros, família e nomes vulgares.
“Batiputá”—na Tribuna Farmacêutica do Rio de Janeiro.
“A eletricidade melhorando os vinhos”, idem. “Do ensino livre”, Revistada Escola Politécnica, 1879. “Da ação química do óxido de magnésia sobre o ruibarbo”, Revista Medica, 1876.
“Do lequirity”—União Medica.
“ Descrição da Gruta de Coimbra em Matogrosso”, no jornal A Reforma, 1877.
“A policia farmacêutica”, artigos de polemica na Gazeta de Notícias e Jornal do Commercio, 1881.
Dos seus artigos “Policia Farmacêutica” resultaram o pedido de demissão do Inspetor Geral de Higiene Dr. Baptista de Santos e o do ministro do Império Barão Homem de Mello ; a reforma da Junta Central de Higiene Publica ; a nomeação do Cons. Souza Costa para este alto cargo no Império; a criação de lugares de fiscais de farmácia, sendo o autor dos artigos um dos nomeados como membro da Junta de Higiene Publica.
“Étude sur l'analyse chimique et les propriétés médicales de l'Anda-Assu”—Annuaire de Thérapeutique, par Bouch ut—Paris, 1882.
“Analise spectral e química dos vómitos amarelo e preto da febre amarela, em colaboração com o professor Dr. Domingos Freire. Recueil des travaux chimiques du Dr. Domingos Freire, 1880—Recife.
“Analises dos fumos do Brasil”—determinação da nicotina.—Arquivos de medicina e farmácia, Rio de Janeiro, 1881.
“Nota sobre a comissão de limites com a Bolívia” — 1875, Jornal do Commercio, Rio.
Apontamentos para a história natural medica brasileira” —Fascículo—Rio de Janeiro, 1878.
“A Escola de Pharmacia no Rio de Janeiro”. Artigos na Tribuna Farmacêutica.
“O Instituto Farmacêutico e seu bibliotecário Ortiz”, Diário do Rio de Janeiro, 1874.
“Pharmacia Militar”. Revista Militar do Exército. Rio. 1878.
“Do pinhão de purga”—Arch. medicina e farmácia— Rio, 1881.
“Dos Velames”—Idem, idem. “Do Picão da Praia”—Idem, idem. “Um novo antitérmico brasileiro”—Revista Farmacêutica, 1883.
“Da Cinchona Calisaya”—Memoria para a admissão á Academia de Medicina, 1883.
“Vegetais Tónicos do Brasil”, tese inaugural aprovada com distinção pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 1883. Estudo minucioso de matéria medica e terapêutica, contendo a classificação botânica, descrição de espécimes, analise química, fisiológica e terapêutica. O autor nestes estudos isolou vários alcaloides de plantas brasileiras. Esta Tese é ¡Ilustrada com estampas litografadas e xilographadas— Edições esgotadas (2 edições).
“Dos produtos celulares do Brasil—Rio, 1885.
Esse trabalho além de mostrar uma investigação acurada sobre os ditos produtos em geral, contém o estudo especial de plantas brasileiras, tais como a Ahnecegueira do Brasil (Ceará), as resinas de batatas de purga, do angico (do Ceará). Ele obteve um assuar da goma do angico, isómero da arabina ao qual denominou angicina; da goma do cajueiro um álcool; da resina da almecegueira três óleos diversos e essências diversas, por seu ponto de fusão inteiramente diferente.
“Salubridade de S. Paulo”—Causa das febres palustres e típica. Artigos na Província de S. Paulo e Gazeta da Tarde, S. Paulo, 1889 a 1890.
Saiam os artigos na “Gazeta da Tarde” sob a redação do notável filólogo Júlio Ribeiro.
“Observações de Clinica Medica”—Revista da Sociedade de Medicina e Cirurgia. Rio, 1897-1899.
“O Mururé e a Lepra”—Opúsculo—S. Paulo, 1900.
Como se vê, não é pequena a bagagem científica deixada pelo Dr. Mello Oliveira.