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Francisco Ferreira de Abreu

Membro Titular

Eleito: 15/05/1851 - Posse: 17/07/1851 - Sob a Presidência de José Francisco Xavier Sigaud

O Dr. Francisco Ferreira de Abreu (Barão de Teresópolis), nasceu em Vila do Rio Pardo, na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul (atual Estado do Rio Grande do Sul), em 18 de novembro de 1823. Era filho de Guilherme Ferreira de Abreu e de Felisberta Luiza de Abreu, e casou-se, em 1846, com Ana Inês Marques de Sá (1826-1905), filha do Coronel Manuel Marques de Sá e de Maria Inês da Cunha Barbosa.

O Acad. Francisco Ferreira de Abreu, formou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1845, defendendo tese intitulada: “Discriminação Geral dos Corpos Orgânicos e Inorgânicos”. E obteve posteriormente pela Faculdade de Medicina de Paris os graus de Bacharel em Ciências e o de Doutor em Medicina (1849).

Foi Professor Substituto da Seção de Ciências Cirúrgicas (1851), Lente Catedrático de Medicina Legal (1854-1877), e Vice-Diretor (1873-1881) da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Foi jubilado em 1877, aposentando-se como Vice-Diretor da mesma instituição em 1881.

Solicitou inscrição como candidato à admissão na Classe dos Membros Titulares com a Memória intitulada: “Inspirações do Éter Sulfúrico nos Enfermos Operados. ”

Teve aprovação Imperial em 30 de junho de 1851.

Médico Honorário da Imperial Câmara, assistiu ao nascimento do Príncipe Pedro, filho do Conde D’Eu.

Recebeu as Condecorações de Comendador da Ordem da Rosa (esta Ordem servia para premiar militares e civis, nacionais e estrangeiros, que se distinguissem por sua fidelidade à pessoa do Imperador e por serviços prestados ao Estado, e comportava um número de graus superior às outras ordens brasileiras e portuguesas, então existentes. De 1829 a 1831, D. Pedro I concedeu apenas 189 insígnias, mas D. Pedro II, em seu extenso período de reinado, chegou a agraciar, com esta ordem, 14.284 cidadãos) e Cavaleiro da Ordem de Cristo (Graus: cavaleiro, comendador e Grã-Cruz. Sua origem data do século XVI, como continuidade da Ordem dos Cavaleiros Templários. No entanto, somente a partir do século XV é que o seu grão-mestrado passou ao poder dos reis de Portugal. Foi a organização da Ordem de Cristo que incentivou a navegação e a expansão do Império Português, e os seus vastos recursos custearam as fabulosas despesas desses empreendimentos. Assim, as terras conquistadas tiveram assegurado o domínio espiritual cristão, enquanto seu domínio temporal pertencia ao Rei. O símbolo da Ordem aparecia gravado nas caravelas e nos marcos de posse da nova terra. Essa organicidade era sustentada, inclusive, pelo privilégio, dado aos cavaleiros da Ordem (administradores das terras conquistadas), de receber o dízimo – imposto correspondente à décima parte dos produtos da terra – não só para atender às despesas da Ordem, como também, propagação da fé e do culto cristão.Com o tempo, a Ordem passou a ter as características que hoje existem, sendo que atualmente, em Portugal, a Ordem de Cristo é utilizada para premiar cidadãos nacionais e estrangeiros que tenham prestado relevantes serviços à pátria e à humanidade).

Foi Professor de Física e Química das filhas de Pedro II, Izabel e Leopoldina, e representou o Brasil em vários congressos científicos, como o Congresso de Higiene e Demografia celebrado em Haia, o Congresso Internacional de Londres, de 1881 e foi nomeado para representar o Império, no Congresso Farmacêutico, que se reunia em Bruxelas, em 21 de agosto de 1885, ano no qual faleceu.

Destaca-se sua contribuição ao ensino da química em nosso país, especialmente o curso livre (entre 1850 e 1852) que ministrou no Museu Imperial e Nacional, após seu retorno da França, no qual introduziu noções de Química Toxicológica. Este curso obteve grande assistência de público, especialmente de professores do Município da Corte, os quais sofreram importante influência da introdução destes novos conhecimentos da química.

O Dr. Francisco Ferreira de Abreu foi o primeiro que generalizou os processos de Douflo e Millon, de modo a aplicá-los na pesquisa de todos os venenos metálicos.

Pertenceu ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, a Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional e Presidente da Comissão de Química e Toxicologia (1874) do Instituto Farmacêutico do Rio de Janeiro.

O título de Barão de Teresópolis foi-lhe concedido por D. Pedro II, que brasonou o Barão, por Decreto Imperial de 23 de setembro de 1874.

O elogio fúnebre de Francisco Ferreira de Abreu, feito pelo orador oficial da Academia Imperial de Medicina, Acad. Francisco de Castro, durante a sessão solene em 06 de julho de 1886, dizendo num dos trechos “...; mas desde 15 de julho sombrejava sobre seu corpo o fúnebre oyprestal do cemitério de Batignolles”... (Fls. 82 dos Annes da Academia de Medicina, VI Série, Tomo II (1886/1887), 52 da coleção, inserido no volume encadernado dos Annaes da Academia de Medicina 1885-86.

Blake (1893, p.441) destaca o fato de Ferreira de Abreu ter dito seu nome incluído na lista dos “savants étrangers” da Faculdade de Ciências de Paris, honra que era conferida aos de notável reputação. Foi considerado o primeiro que generalizou o processo de Duflos e Millon, para aplicá-lo na pesquisa de venenos metálicos (BLAKE, 1893).

O Dr.Francisco Ferreira de Abreu ( Barão de Teresópolis),faleceu em Battignolles, (França) em 14 de abril de 1885.

PRODUÇÃO INTELECTUAL

- “Discriminação Geral dos Corpos Orgânicos e Inorgânicos: tese apresentada à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e sustentada a 29 de novembro de 1845”. Rio de Janeiro, 1845. Tese (Doutoramento) - Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Tip. Universal de Laemmert, 1845.

- “De la recherche des principaux poisons métalliques: thèse pour le doctorat en médecine, présentée à la faculté de medecine de Paris et soutenue le 26 juillet 1849”. Paris, 1849. Tese (Inaugural) – Faculdade de Medicina de Paris, 1849.

- “Méthode pour rechercher par une seule opération, l’arsenic, l’antimoine, le mercure, le cuivre, le plomb, le zinc et l’argent”. Journal de Chimique Médicale, Pharmacologie et de Toxicologie, 1848.

- “Breves considerações sobre as inspirações de ether sulphurico, consideradas como meio capaz de servir a suspender a susceptibilidade dos enfermos operados”. Archivo Medico Brazileiro, Rio de Janeiro, tomo 3º, p.230-253, 1848.

- “História das Indicações e da prática da bronchotomia; apreciação dos methodos”. Tese (Concurso Substituto Seção de Ciências Cirúrgicas) – Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: [ s.n.], 1851.

- “Inspirações de ether sulfurico na cirurgia como anesthesico: memoria apresentada à Academia Imperial de Medicina”. Annaes Brazilienses de Medicina, Rio de Janeiro, tomo 20º, p.71, 1852.

- “Considerações medico-legaes sobre um caso controverso de infracção do artigo 223 de nossa legislação criminal: memoria apresentada à Academia Imperial de Medicina”. Rio de Janeiro, 1857.

- “Novo processo para a pesquiza dos principaes venenos metallicos: memoria apresentada à Academia das Sciencias”. Rio de Janeiro: [s.n.], 1878.

- De l´antagonisme de la morphine et des alcaloides des solanées vireuses: extrait du Journal d´Higiene, 4 mai. 1882.

FONTES

- LOPES, Maria Margareth. O Brasil descobre a Pesquisa Científica: os Museus e as Ciências Naturais no século XIX. São Paulo: Hucitec, 1997. (BCOC)

- MAGALHÃES, Fernando. O Centenário da Faculdade de Medicina 1832-1932. Rio de Janeiro: Tip. A. P. Barthel, 1932. (BMANG)

- TERESÓPOLIS. Capturado em 06 jan. 2003. Online. Disponível na Internet: http://geocities.yahoo.com.br/Kajafreitas/Nobt.htm

- TERESÓPOLIS. Capturado em 06 jan. 2003. Online. Disponível na Internet: http://amora.cap.ufr gs.br/2002/projeto1/paises1.htm

- VASCONCELOS, Vasco Joaquim Smith de. Médicos e Cirurgiões da Imperial Câmara. Campinas: [Academia Campinense de Letras], 1964. (BN)