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Sessão de 28 de maio de 2020 - Oncologia em tempos de pandemia é assunto de Simpósio virtual da Academia Nacional de medicina

Será que pacientes com câncer são mais afetados pela COVID-19? E o que acontece quando esses pacientes, com o sistema imune deprimido, são infectados pelo novo coronavírus? Há mais óbito?

O imunologista Jorge Kalil, da USP e do Instituto do Coração, contou sobre a realidade de 1.524 pacientes de Wuhan que tiveram câncer, comparando-os à população em geral, durante o simpósio “Oncologia em tempos de pandemia.” Organizado pelo ex-presidente da Academia Nacional de Medicina, Francisco Sampaio, e o acadêmico Paulo Hoff, o evento ocorreu no dia 28 de maio de 2020.

Kalil falou sobre o dobro de incidência de COVID-19 em pacientes com câncer. Esta incidência pode ser em virtude do sistema imunológico ou por terem ido a hospitais e acabaram se contaminando. Sobre a letalidade, houve um aumento de 25% nos óbitos de pacientes com tumores sólidos e 37% a mais em pacientes com doenças hematológicas associadas à COVID-19.

Câncer não tira férias - Distanciamento social e o dilema médico diante de dois riscos: diagnóstico tardio de um câncer e exposição ao novo coronavírus. O que fazer? O tema foi abordado pelo acadêmico Paulo Hoff, oncologista do Instituto do Câncer de São Paulo, da USP e da rede Oncologia D’Or. Hoff apresentou estudos americanos, nesse período de pandemia, e que apontam uma redução de 68% no rastreamento para câncer de colo uterino e 90% nas colonoscopias.

No Brasil, 50 mil brasileiros deixaram de ser diagnosticados com câncer e as cirurgias foram reduzidas em até 70% em alguns hospitais. Pela falta de diagnóstico precoce e tratamento, haverá um aumento no número de óbitos por câncer em todo o mundo e no Brasil, país onde os pacientes já procuram atendimento quando a doença está mais avançada.

“O câncer não tira férias ou está de quarentena. O câncer continua matando”, lembrou Hoff.

O patologista Fernando Soares, também da Rede D’Or, acrescentou dados sobre a queda nos exames de anatomia patológica durante a epidemia por COVID-19. Soares mostrou uma redução de 75% no serviço de diagnóstico da rede, que abrange 37 unidades no Rio de Janeiro e em São Paulo.

O acadêmico Daniel Tabak foi ainda outro convidado do simpósio “Oncologia em tempos de pandemia” e mostrou dados de estudos chineses sobre COVID-19 e incidência em pacientes com câncer. Os estudos mostram resultados sobre o uso da ventilação invasiva em pacientes oncológicos, gravidade da doença, tratamento antitumoral e a mortalidade pelo novo coronavírus. Tabak conclui que o indivíduo deve ser avaliado de acordo com uma série de fatores que inclui a idade, o índice de massa corpórea e o seu sistema imune.

Calamidade sanitária - O que fazer diante de um diagnóstico de câncer e indicação de uma cirurgia? O cirurgião da Faculdade de Medicina da USP, Miguel Srougi, Honorário da ANM, recomenda adiar sempre que possível as cirurgias eletivas.

Quando não é possível adiar, reduzir o staff, incrementar o uso de EPIs, optar por anestesia geral, cirurgia aberta ao invés de laparoscópicas, sala com pressão negativa, centro cirúrgico longe de áreas COVID-19 e uso de telemedicina no pós operatório. Tanto pacientes como equipe de saúde devem fazer testes da COVID-19 de forma rotineira.

“Os valores são muito claros nesse período de penúria e sofrimento. Há um desamparo e abandono da população com câncer e que não tem acesso, neste momento, aos sistemas de saúde. Não basta cumprir a nossa missão. Temos que usar todas as nossas armas para denunciar a calamidade sanitária, incrementada por questões políticas e ideológicas”, disse Srougi.

Esperanças com Remdesivir – Quais as drogas em teste contra COVID-19 e o que realmente funciona? O médico brasileiro André Kalil, atualmente na Universidade de Nebraska, também foi convidado desta sessão científica organizada pela ANM. André Kalil falou sobre a ineficácia ou eficácia reduzida de drogas como cloroquinha e hidroxicloroquina, lopinavir-ritonavir, azitromicina, ivermectina, inibidores de anti-citocinas, favipiravir, a eficácia limitada do plasma convalescente e a esperança com anticorpos monoclonais e policlonais como clones de anticorpos neutralizantes.

André Kalil é um dos autores de estudo que acaba de ser publicado e que avaliou mais de 1.000 pacientes, de 68 centros hospitalares dos Estados Unidos, Europa e Ásia, e que usaram o remdesivir - uma droga desenvolvida para Ebola e que passou por estudos in vitro e em animais expostos ao coronavírus. Os resultados foram animadores, reduzindo os sintomas, a gravidade da doença e o número de dias de internação.

As sessões científicas estão disponível no canal da Academia Nacional de Medicina no YouTube em https://bit.ly/3eByjYS.


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