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Firmino von Doellinger da Graça (Cadeira No. 36)

Membro Titular

Secção de Cirurgia

Patrono da Cadeira No. 36

Eleito: 21/07/1921 - Posse: 31/08/1922 – Sob a presidência de Miguel de Oliveira Couto

Emérito: 29/05/1957

Falecido: 28/01/1962

Firmino von Doellinger da Graça, nascido em 12 de fevereiro de 1879, no Rio de Janeiro, filho de João Cordeiro da Graça e D. Júlia Monteiro da Graça, possuía sólidos princípios morais vindos da infância e adolescência, que alicerçaram o seu caráter e seu sentimento, para mais tarde granjear o justo e merecido conceito de várias gerações. Estudou no Colégio Militar e a sua cultura, iniciada desde os bancos escolares, onde recebeu esmerado curso de humanidade, foi a base para o seu posterior progresso no caminho da ciência.

Dedicou-se ao estudo do latim, não só para conhecer os fundamentos do nosso idioma, como também com o desejo de ler o original dos clássicos romanos. Esta tendência, demonstrada desde a mocidade, é uma expressão própria dos espíritos vigorosos que buscam nas fontes as razões filosóficas da vida. Era seu hábito citar a miúdo os clássicos.

Doutorou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1901.

Foi interno de Lima e Castro e de Benicio de Abreu, no Hospital da Santa Casa de Misericórdia, e logo após de sua formatura, ingressou nas atividades clínicas, na época em que a varíola e a febre amarela assolavam a cidade.

Em 03 de outubro de 1906, quando ainda jovem médico, ingressou no Corpo de Saúde da Armada como 1º Tenente Cirurgião, cargo conquistado por concurso, no qual obteve o primeiro lugar. Em razão das suas novas funções, realizou uma viagem à volta do mundo, que lhe permitiu observar as condições de vida, hábitos e higiene dos homens do mar, proporcionando-lhe o ensejo de escrever o seu primeiro trabalho cientifico intitulado: “O beribéri na Marinha de Guerra”. Ensaiou também estudos sobre o emprego da punção lombar no beribéri.

Sempre operoso e aspirando engrandecer seu cabedal cientifico, o Dr. Doellinger da Graça fez, em 1909, um curso de aperfeiçoamento em Cirurgia e Anatomia Patológica na Universidade de Berlim. Retornando ao Brasil, transbordando de entusiasmo e pleno de novos conhecimentos, ingressou no quadro de cirurgiões do Corpo de Bombeiros, em brilhante concurso.

Logo depois foi aceito no serviço de José Mendonça, como cirurgião adjunto. Despontava na época o valor dos raios X no diagnóstico de doenças. Dedicou-se então ao estudo da Radiologia, tendo fundado e dirigido o I Serviço de Raio X na Beneficência Portuguesa e, posteriormente, no Hospital São João Baptista da Lagoa, Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora da Saúde e Nossa Senhora do Socorro.

A idealização do Hospital Mathilde von Doellinger da Graça, o Instituto Brasileiro de Oncologia, na Praça Santo Cristo, no bairro da Gamboa, foi um projeto destinado a receber os pacientes acometidos de câncer, necessitados de assistência radioterápica. Hoje, é o atual Hospital do Câncer II, do INCA.

Dentre seus trabalhos, destacam-se: “Da cabeça: considerações nos domínios de arte e antropologia”, tese apresentada no concurso de Professor Catedrático da Escola Nacional de Belas Artes, e “Câncer, enfermidade”, além de vários artigos em revistas médicas, focalizando temas sobre doenças malignas. Em 1951, publicou um livro de colaboração: “O ABC do câncer: um manual prático de clínica e de tratamento”.

Além de suas publicações científicas, o Dr. Doellinger da Graça sempre esteve integrado em várias atividades educativas de caráter universitário.

Eleito em 1921, foi recebido na Academia Nacional de Medicina, em 1922, como Titular da Secção de Cirurgia Geral, atual Secção de Cirurgia. Naquela época, o bisturi era seu instrumento de trabalho. A memória apresentada para sua admissão foi “Câncer do reto”. Foi transferido para a classe de Emérito em 1957.

Faleceu em 28 de janeiro de 1962, deixando o exemplo das suas virtudes cívicas e morais.