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Sessão de 12 de março de 2020 - Acadêmicos debatem medidas de contenção do coronavírus no Brasil 

O cenário não poderia ser outro: muitas perguntas e grandes debates deram o tom do fórum “Medidas de Contenção do Coronavírus”, realizado na noite de ontem (12/03), na sede da Academia Nacional de Medicina. O evento, que foi promovido pela ANM em parceria com a Academia Brasileira de Ciências, contou com as presenças ilustres do presidente da ABC, Luiz Davidovich, de Edmar Santos, Secretário Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, de muitos acadêmicos da ANM, médicos especialistas, do público em geral e de dezenas de jornalistas que cobriram o encontro a fim de disseminar para população informações importantes.

Dentre os temas abordados, as fases de contenção do vírus foi o ponto que causou maior debate entre os participantes, tendo em vista que o Brasil ainda possuiu poucos casos – 77 confirmados – em comparação ao resto do mundo e falou-se muito em quais e quando implementar as medidas para evitar um salto no número de infectados.

Na abertura do evento, o presidente da ANM, Rubens Belfort Júnior, exibiu um vídeo do Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que não pode comparecer devido às urgências presidenciais. Na gravação, Mandetta reforçou a importância do fórum referindo-se aos acadêmicos como “a voz da reflexão” e deixou um recado com orientações de prevenção contra o coronavírus.

“Devemos proteger os idosos, evitar aglomerações e contatos próximos. Os médicos estão na linha de frente nesse combate e vamos encontrar soluções para este e outros problemas que enfrentamos”, declarou o Ministro.

Na primeira palestra, apresentada por Alberto Chebabo, da Sociedade Brasileira de Infectologia, o médico mostrou um panorama mundial da doença, ressaltando suas características – dentre elas o alto potencial infeccioso, porém não tão letal quanto comparado à outras pandemias já enfrentadas – apresentou uma projeção de casos no Brasil e detalhou as três fases de contenção do COVID-19, apresentando medidas – algumas já estabelecidas em outros países - para evitar a propagação do vírus.

Na sequência, Mauro Teixeira, membro da ABC, falou sobre o desenvolvimento de vacinas, medicamentos e tratamentos específicos para o enfrentamento da doença.

“Por muito tempo, acreditamos que não enfrentaríamos maiores infecções. Nos últimos anos, vimos que não é bem assim, como aconteceu com a influenza que ainda continuará sendo um grande problema e agora acrescenta-se os casos do novo coronavírus. O que nós sabemos hoje é que não há tempo hábil para desenvolver uma vacina, criar ou testar um fármaco já existente com segurança. Muitos estudos estão em andamento, discute-se ainda a criação de antivirais de amplo espectro, porém não há evidências de que sejam eficazes e não temos tempo para desenvolver novos medicamentos. Além disso, não há nada aprovado e nem comprovadamente eficaz para tratamento específico. Devemos aprender e utilizar alternativas que dispomos hoje.”, afirmou Teixeira.

Outro ponto bastante discutido foi como o poder público está se preparando para a pandemia e para o aumento dos casos diante da contaminação comunitária. Neste momento, Edmar Santos, Secretário Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, afirmou que o Governo do Estado estuda medidas de contenção que devem ser divulgadas em breve e afirmou que o Rio, em duas semanas, já terá o vírus circulando livremente e em quatro semanas deve-se ter uma epidemia. Apesar de ter todos os seus leitos de terapia intensiva ocupados, disponibilizará 100 novos nos próximos meses e estuda envolver a saúde suplementar para acolhimento de doentes.

Participaram ainda na coordenação do evento, o acadêmico José Medina Pestana e como debatedores os acadêmicos Celso Ferreira Ramos Filho e José Gomes Temporão; Edmilson Migowski, da Academia Nacional de Farmácia, Antônio Carlos Chagas, da Associação Médica Brasileira e a jornalista de ciência e saúde do jornal O Globo, Ana Lúcia Azevedo.

No encerramento da sessão, o presidente da ANM, professor Rubens Belfort Jr. afirmou que não há motivos para pânico, mas sim preocupações em que as pessoas devem buscar informações confiáveis e seguir as orientações das autoridades de saúde, mas sempre verificar se a informação é verdadeira e, principalmente, tomar os cuidados necessários para evitar a contaminação.

A Academia Nacional de Medicina irá emitir, todas as semanas, comunicados para a sociedade brasileira sobre o que fazer e o que não se pode fazer.


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