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Sessão de 12 de março de 2020 – ANM promove Simpósio em Comemoração ao Dia Mundial do Rim

Sob a organização do Acadêmico Omar da Rosa Santos, a Academia Nacional de Medicina promoveu, na quinta-feira do dia 12 de março de 2020, Simpósio em comemoração ao Dia Mundial do Rim. Além da presença dos Acadêmicos, o evento contou também com a participação de diversos especialistas da área, que falaram para uma plateia de alunos e profissionais da área de saúde no anfiteatro.

O Presidente, Acadêmico Rubens Belfort Mattos Jr., discursou na abertura do Simpósio em questão e cedeu a palavra para os coordenadores do primeiro bloco do Simpósio, o Acadêmico Marcello André Barcinski e o Prof. José Moura Neto, membro do Programa Jovens Lideranças Médicas, proferirem algumas palavras acerca da importância do Dia Mundial do Rim e para a comunidade como um todo.

Em seguida, o Dr. André Gouvêa, também membro do Programa Jovens Lideranças Médicas, realizou palestra intitulada “Estratégia para Detecção da Doença Renal Crônica”, na qual o mesmo mencionou que a doença renal crônica é reconhecida como questão de saúde pública e que, no Brasil, existem mais de 126.000 pessoas em diálise, segundo Censo de 2017. O mesmo destacou ainda que os critérios de diagnósticos de doença renal crônica são bem estabelecidos através da identificação de dano estrutural, método de imagem, detecção de proteinúria – ou, mais raramente, de hematúria - e filtração glomerular abaixo de 60 Ml/min/1,73 m2 por três ou mais meses.

O Dr. André Gouvêa chamou atenção para o fato de que a doença renal crônica, além de ser muito prevalente, é também bastante incidente, podendo chegar a um alto grau de mortalidade. Alertou para os desafios do rastreamento da doença renal crônica em grandes populações em decorrência dos diferentes estágios que a doença pode se apresentar, salientando que a educação e o diagnóstico precoce são ferramentas importantes na luta contra a Doença Renal Crônica.

No segundo bloco, o Acadêmico José Hermógenes Rocco Suassuna abordou o tema “Intoxicação pelo Dietilenoglicol – Mais uma Epidemia”, onde o mesmo discutiu o caso da intoxicação da Cervejaria Backer, ocorrida no começo de 2020 em Minas Gerais. Discorreu, ainda, sobre os principais álcoois tóxicos envolvidos em doenças humanas, como o metanol, o etanol, o isopropil, o etilenoglicol, polipropilenoglicol e o dietilenoglicol. A ingestão do Dietilenoglicol evolui em três fases. A primeira é a fase inespecífica com sintomas gastrointestinais predominantes. A segunda é a fase da insuficiência renal, assim como a terceira fase é a de lesão neurológica e progressiva.

Com apresentação denominada “Infecções no Transplante Renal, o Prof. Guilherme Santoro Lopes (UFRJ) discorreu sobre os fatores determinantes do risco de infecção, alegando seus efeitos diretos para o paciente, como a morbidade e mortalidade, assim como seus efeitos indiretos, como o aumento de incidência de outras infecções decorrente do transplante.

Dada as circunstâncias da infecção em questão, são adotadas estratégias de controle por parte dos médicos. Algumas dessas estratégias envolvem a avaliação clínica e laboratorial de candidatos, rotinas de prevenção e, triagem clínica e laboratorial de potenciais doadores.

Acerca de cuidados pré e pós-operatórios do transplante renal, destacou as medidas de prevenção de infecções adquiridas pela ingestão de água e alimentos, a prevenção de infecções respiratórias, a orientação quanto ao contato com animais de estimação e ao cuidado durante viagens, além da frequente e necessária higienização das mãos.

Devido a impossibilidade de comparecimento do Acadêmico Natalino Salgado Filho, o Acadêmico Manassés Claudino Fonteles comentou acerca da “Leptospira Interrogans: Efeitos da Toxina”, onde o mesmo afirmou que a Leptospira é capaz de alterar o aparelho renal, causando alterações de PKC e em substâncias que agem na bomba de sódio, como no caso da Ouabaína.

Ao final, apresentou resultados obtidos através da profusão renal de coelho sob ação da toxina de Leptospira Interrogans em solução de Custodiol. Dentre os resultados obtidos, destacou a alteração dos níveis de transporte de potássio, o transporte de potássio fracionado, o transporte de sódio e de sódio fracionado, o ritmo de filtração glomerular e do fluxo urinário.

Na sequência, o Acadêmico Mauricio Younes Ibrahim fez palestra intitulada “Impacto do COVID-19 na Prática da Nefrologia”. Apresentou estudos chineses que indicaram que a injúria renal aguda não se elevou em decorrência da COVID-19, a não ser em pacientes que já possuíam algum comprometimento renal, promovendo assim, a doença. Constatou ainda que pacientes com alguma injúria renal tem maior vulnerabilidade à infecção. Concluiu que o desenvolvimento de injúria renal aguda, no processo da doença, é um fator importante do prognóstico negativo no desfecho desses pacientes, mostrando em seguida, dados de necropsia que mostraram comprometimento glomerular, intersticial e tubular.

Encerrando as apresentações do dia, o organizador do Simpósio, Acadêmico Omar da Rosa Santos homenageou os ex-Presidentes da Sociedade de Nefrologia, os Drs. Marcelo Mazza, Jocemir Ronaldo Lugon, José Roberto Coelho da Rocha, Cristina Gatto Coelho da Rocha, João Luiz Ferreira Costa, Sérgio Monteiro de Carvalho, Deise Monteiro de Carvalho, Luciano Vasquez Pinto, José Cavaliere Sampaio, Frederico Ruzany, Ricardo Augusto Faria, Sérgio Ferreira dos Santos, Elias Assad Warrak, Mauro Barros André, Walter Luiz Gouvea Filho, Valdebrando Mendonça Lemos, Eduardo Rocha, Luiz Paulo José Marques, Maurilio de Nazaré, Beatriz Amado Penedo Leite e os Acadêmicos Miguel Carlos Riella e Mauricio Younes Ibrahim.


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