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Fernando Augusto Ribeiro de Magalhães (Cadeira No. 67)

Membro Titular

Secção de Cirurgia

Patrono da Cadeira No. 67

Eleito: 29/08/1901 - Posse: 12/09/1901 - Sob a presidência de Nuno Ferreira de Andrade

Emérito: 18/11/1943

Falecido: 10/01/1944

O Dr. Fernando Augusto Ribeiro de Magalhães nasceu na cidade do Rio de Janeiro, a 18 de fevereiro de 1878, filho de Antônio Joaquim Ribeiro de Magalhães e D. Deolinda dos Santos Ribeiro de Magalhães.

Fez seus estudos preparatórios no Colégio Pedro II e doutorou-se em Medicina pela Faculdade Nacional de Medicina, em 1899, defendendo a tese intitulada “Indicações nos vícios de conformação da bacia”.

Foi Professor catedrático de Clínica Obstétrica, em 1922, Diretor da Faculdade Nacional de Medicina, em 1930, Reitor da Universidade do Rio de Janeiro (1931 a 1934), estabelecimento a partir do qual constituiu-se a Universidade do Brasil.

Participou ativamente do movimento realizado na década de vinte, pela Associação Brasileira de Educação (ABE), em prol da criação da universidade. Depois da Revolução de 1930, teve atuação destacada nas IV e V Conferências Nacionais de Educação, realizadas respectivamente em 1931 e 1932. Em maio de 1933, foi eleito deputado pelo Estado do Rio de Janeiro à Assembleia Nacional Constituinte.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1901, apresentando a memória intitulada “Expulsão espontânea de um tumor submucoso do útero” e exerceu os cargos de Presidente das Secções de Ginecologia e Cirurgia Especializada. Foi transferido para a classe de Eméritos em 1943. É o Patrono da Cadeira 67.

Exerceu a presidência da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Brasil e da Academia Brasileira de Letras, em 1929, 1931 e 1932, era membro do Conselho Nacional de Ensino, da Sociedade de Medicina e Cirurgia, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Liga de Defesa Nacional, da Academia das Ciências de Lisboa, da Société Obstétrique de Paris e de inúmeras outras associações médicas, nacionais e estrangeiras. Doutor honoris causa das universidades de Coimbra e de Lisboa e prêmios Alvarenga e Madame Durocher da Academia Nacional de Medicina. É o Patrono da Cadeira 8 da Academia de Medicina do Rio de Janeiro.

Deixou uma vasta obra médica, da qual se destacam os seis volumes de “Clínica obstétrica”, “As lições de clínica obstétrica”, “A obstetrícia no Brasil”, “Síntese obstétrica” “Obstetrícia forense” e mais de 200 trabalhos esparsos sobre assuntos médicos. Foi um ilustre orador.

Uma das conferências mais interessantes do Dr. Fernando de Magalhães foi proferida no Centro Acadêmico Oswaldo Cruz em 1918, tendo como tema "Vocação Médica", referindo que "o que determina o pauperismo profissional é a falta de unção vocativa que obriga o sacrifício, impõe o trabalho e exige a coragem. A indolência e a tibieza preferem abordoar-se no túmulo das grandes coletividades, abrigo dos perturbadores do bom costume e do pensamento puro. Se me ouvirdes, eu apontarei esse caminho como os da dissolução, onde o sacerdócio talvez seja lapidado por anacrônico, decrépito, ridículo ou visionário. No mister da nossa profissão sereis os semeadores da boa palavra e da boa doutrina, dareis vigor ao combalido, força ao inerme, saúde ao doente, alento ao fraco, ensino ao inculto, crença ao insensível, opinião ao inútil, liberdade ao indivíduo, consciência ao cidadão".

Foi Diretor da Maternidade do Rio de Janeiro e o fundador da Pró-Matre, entidade beneficente que ele também dirigiu por muitos anos, com altruísmo, enlevo e dedicação.

Seu filho, Nuno de Andrade Magalhães, seguiu os seus passos, estudando Medicina e se especializando em Obstetrícia, tendo sido Diretor Clínico da Pró-Matre.

O Dr. Fernando de Magalhães possuía várias condecorações, como a Grã-Cruz da Ordem de São Tiago de Portugal, Grande Oficial da Ordem da Instrução de Portugal e da Coroa da Itália, Oficial da Legião de Honra da França e Oficial da Ordem Al Merito do Chile.

Seu nome foi concedido inicialmente à Maternidade Suburbana (concebida pelo Dr. Herculano Pinheiro) localizada no bairro de Cascadura. No ano de 1958, passou a denominar a Maternidade instalada no bairro de São Cristóvão, criada no ano de 1955.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 10 de janeiro de 1944, pouco antes de completar 66 anos de idade.


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