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Sessão de 28 de março de 2019 – Acadêmico Carlos Eduardo Brandão aborda os principais aspectos do tratamento atual da Hepatite C

A etapa final da sessão científica do dia 28 de março na Academia Nacional de Medicina abrigou a conferência “Perspectivas Atuais no Tratamento na Hepatite C”. A conferência foi proferia pelo Acadêmico Carlos Eduardo Brandão Mello, que atua na área de Medicina Interna, com interesse na Gastroenterologia e Hepatologia, com ênfase principalmente nas seguintes sub-áreas: Hepatites virais, co-infecção pelos vírus da hepatite C (HCV) e da hepatite B (HBV) e o vírus da imunodeficiência humana (HIV), hipertensão porta e tratamento da hepatite C.

Acadêmico Carlos Eduardo Brandão Mello durante a conferência

O Acadêmico iniciou sua conferência ressaltando que em 2019 celebra-se os 30 anos da “descoberta” do vírus da Hepatite C, cuja patologia era antes conhecida como Hepatite Não A-Não B. Ressaltando que os primeiros testes diagnósticos foram desenvolvidos no início dos anos 90, Carlos Eduardo Brandão chamou atenção para o fato de que o vírus da Hepatite C possui uma importante especificidade em seu modelo de replicação: por ocorrer de maneira a não afetar o núcleo da célula hospedeira, não há integração de material genético, o que possibilita a cura desta infecção viral.

Sobre a epidemiologia da doença, apresentou dados que indicam que cerca de 70 milhões de pessoas vivem com o vírus no mundo – e que esta prevalência diminuiu nos últimos anos. Já no caso brasileiro, estima-se que existem cerca de 700 mil infectados pelo vírus no país. Destes números, o Acadêmico levantou importantes desafios, como o subdiagnóstico, agravado pelo fato de que a maior parte dos doentes não apresentam sintomas durante a fase aguda. Por esta razão, destacou que a hepatite C é uma doença com alto risco de cronificação – de cada 10 doentes, 8 se tornam doentes crônicos. Na sequência, se debruçou sobre a evolução da doença nestes casos, que pode incluir cirrose, carcinoma hepatocelular, chegando até mesmo à falência do órgão.

Acerca das manifestações da doença para fins diagnósticos, chamou atenção para o fato de que, apesar de ser considerada uma doença silenciosa e predominantemente assintomática, algumas manifestações clínicas podem auxiliar na identificação da hepatite C, principalmente as extra-hepáticas. Ressaltou, ainda, que a doença possui um espectro de manifestação muito extenso, englobando até mesmo manifestações cognitivas.

Na sequência, o Acadêmico abordou o tratamento da doença, apresentando um breve histórico sobre a introdução dos antivirais de ação direta. Aprofundando-se no assunto, Brandão destacou a utilização de interferon no tratamento da doença, iniciado na década de 90, ainda que com resultados pouco expressivos. Ao longo dos anos, foram desenvolvidos protocolos de combinações do interferon que, em alguns casos, representou um aumento da taxa de cura em 15%. Sobre os antivirais de ação direta, destacou que estes agem diretamente sobre o vírus e que, a partir de 2014, a combinação dos agentes elevou as taxas de cura para níveis acima de 90%.

Na conclusão de sua apresentação, o Acadêmico ressaltou que, desde 2015, foram introduzidos os primeiros protocolos de tratamento da hepatite C IFN-free, por meio dos medicamentos sofosbuvir, simeprevir, daclatasvir e esquema 3D com ou sem Ribavirina. Oferecido pelo Sistema Único de Saúde, o tratamento pode ser aplicado nos pacientes portadores do vírus da hepatite C, virgens de tratamento ou previamente tratados, em especial naqueles com fibrose significativa ou manifestações extra-hepáticas importantes com potencial de evolução para lesão em órgão alvo ou com impacto na qualidade de vida do paciente. Por fim, chamou atenção para o fato de que pacientes não respondedores parciais ou nulos poderão alcançar maiores chances de cura, mesmo na presença de fibrose avançada.


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