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Sessão de 15 de agosto de 2019 – Simpósio de atualização aborda cirurgia reconstrutora urogenital na Academia Nacional de Medicina

Por ocasião da Sessão Ordinária do dia 15 de agosto, a Academia Nacional de Medicina realizou o Simpósio “Cirurgia Reconstrutora Urogenital”, congregando diversos especialistas no tradicional anfiteatro Miguel Couto, na sede da instituição, localizada no Rio de Janeiro. A atividade foi organizadas pelos Acadêmicos Fernando Vaz e Francisco Sampaio, renomados urologistas que integram o quadro de Membros da egrégia casa.

A primeira apresentação foi feita pelo Dr. Alexandre Miranda (Hospital Federal de Ipanema), que abordou “Atualidades em Cirurgia na Doença de Peyronie”. Em sua conferência, o médico descreveu a doença como uma variedade de deformidades penianas, curvaturas, endentações, placas ou nódulos palpáveis, estreitamento em ampulheta, encurtamento peniano (com ou sem curvatura) ou em combinação.

Dr. Salvador Vilar Correia Lima, os Acadêmicos Fernando Vaz, Antonio Nardi e Francisco Sampaio e os Drs. Alexandre Miranda e José Cocisfran Milfont

Sobre as perspectivas atuais no tratamento da doença, ressaltou que as tecnologias minimamente invasivas vêm ganhando espaço, principalmente nos pacientes que se encontram no início da doença. Apresentou trabalhos científicos que demonstram a eficácia destes tratamentos na redução da dor, melhora da função erétil e estabilização da doença, parando sua progressão e melhorando a qualidade de vida do paciente.

Sobre a cirurgia de hipospádia, o Dr. Salvador Vilar Correia Lima (Universidade Federal de Pernambuco) ressaltou que se trata de um defeito congênito que se caracteriza pelo desenvolvimento incompleto da uretra, que resulta no excesso de prepúcio no dorso, com abertura ventral. Ressaltou, ainda, que esta é a mais frequente anomalia da genitália externa masculina, com incidência de 1 a cada 250 nascimentos. Na sequência, abordou os diferentes tratamentos para a condição, ressaltando que o principal objetivo é proporcionar as funções miccional e sexual normais para o paciente, de forma a conseguir um aspecto estético aceitável e minimizar os efeitos psicológicos da doença.

Com apresentação intitulada “Fístulas Urinárias: do bisturi ao robô”, o Dr. José Cocisfran Milfont (Instituto de Urologia do Rio de Janeiro – Urotech) abordou a evolução na abordagem da doença, que se refere às comunicações anômalas entre a bexiga e a vagina, que registra de 50.000 a 100.000 casos anualmente. As causas podem ser obstétricas (incidência de 90% nos países em desenvolvimento), associadas ao trabalho de parto e às cesarianas ou ginecológicas (incidência de 70% nos países desenvolvidos), associadas às histerectomias e cirurgias oncológicas pélvicas.

Sobre a evolução desde a abordagem cirúrgica aberta até a abordagem robótica, chamou atenção para o fato de que esta última oferece como vantagem menor sangramento (e uma consequente menor necessidade de transfusão), menor tempo de internação, melhor recuperação, menos dor no pós-operatório e a possibilidade de correção precoce das fístulas. Por fim, ressaltou que todas as cirurgias urológicas podem ser reproduzidas por robótica, destacando que as mais frequentes são a prostatectomia radical, a nefrectomia parcial, a pieloplastia e as cirurgias de correção de fístulas.

Na sequência, o Acadêmico e ex-Presidente Francisco Sampaio abordou “Pesquisa Translacional em Urologia Reconstrutora”, discutindo o conceito de pesquisa e afirmando que a importância de uma pesquisa é medida a partir da velocidade pela qual esta se traduz em novas práticas clínicas. Sendo assim, aproximar e mesclar os grupos de pesquisa básica e clínica é uma das principais ferramentas para fechar a lacuna existente entre estes dois tipos de pesquisa.

Abordou, ainda, sua experiência como diretor da Unidade de Pesquisa Urogenital da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Urogenital Research Unit – UERJ), que é dedicada ao avanço do conhecimento sobre o sistema urogenital, realizando pesquisas em diferentes modelos, incluindo ensaios clínicos e experimentos em animais de laboratório, e empregando uma ampla gama de metodologias. As pesquisas desenvolvidas pelo staff do laboratório e alunos de mestrado e doutorado, formado por 50% de urologistas, 40% de biólogos e veterinários e 10% de nutricionistas, constituem um exemplo de como a pesquisa translacional pode se traduzir em resultados concretos de novas práticas, que visam, em última forma, a melhora da qualidade do atendimento aos pacientes.

Na segunda etapa do Simpósio, o Acadêmico Fernando Vaz discorreu sobre “Atualidades no Tratamento da Incontinência Urinária Masculina”, ressaltando que, apesar de não ser considerada uma doença pela Organização Mundial da Saúde até 1998, a condição afeta a qualidade de vida, o bem-estar físico e psicológico, além da sociabilidade dos pacientes. Ressaltou, ainda, que a doença afeta pacientes de todas as idades e classes sociais.

Acerca dos tratamentos disponíveis, chamou atenção para o chamado esfíncter artificial, usado há mais de 30 anos no tratamento da incontinência urinária masculina nos Estados Unidos e considerado padrão ouro no tratamento. Todavia, apontou que existem importantes desafios a serem superados mesmo na utilização desta técnica, tais como atrofia e erosão uretral (na maior parte dos casos associada à posição “12 horas”). Além desta técnica, foram também abordados os tratamentos fisioterápicos, farmacológicos e também o uso dos chamados “slings”.

Com palestra intitulada “O Médico do Futuro”, o Honorário Nacional e urologista Dr. Miguel Srougi iniciou sua apresentação abordando os principais avanços tecnológicos dos últimos 30 anos na área da medicina, incluindo as impressões 3D, o uso de inteligência artificial e da cirurgia robótica, nanotecnologia e mesmo a internet. Segundo o Acadêmico, a incorporação destas tecnologias não só na medicina como na vida das pessoas em geral modificou a forma como abordamos importantes conceitos como privacidade, propriedade, padrões de consumo, carreira profissional, aquisição de conhecimento e até mesmo a noção de tempo.

Sobre os desafios e perspectivas para o futuro da prática médica, chamou atenção para o fato de que, apesar dos formidáveis avanços que presenciamos e continuaremos a presenciar, o médico continuará a desempenhar um papel insubstituível, principalmente no que tange à humanização da prática médica, considerada de grande importância. Além deste fato, ressaltou a importância da incorporação do conceito de medicina personalizada, que fornecerá novos horizontes no tratamento de pacientes, em especial aqueles com doenças resistentes às abordagens tradicionais.


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