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Sessão de 11 de abril de 2019 – Academia Nacional de Medicina aborda Diabetes Mellitus em Simpósio

O Diabetes Mellitus (DM), conjunto variado de doenças que se configuram por aumento da glicose no sangue, tem atingido proporções alarmantes. Existem mais de 190 milhões de pessoas com diabetes no mundo e projeções estimam que esse número crescerá para 300 milhões até o ano de 2030, devido ao crescimento demográfico, envelhecimento da população e aos hábitos da vida nas cidades. Dados da Organização Mundial da Saúde, que coloca a doença como 4ª causa de morte nas Américas, sendo responsável por 50% dos pacientes que entram em programa de diálise nos Estados Unidos.

Considerando estes fatores, os Acads. Mônica Gadelha e Rui Maciel organizaram o Simpósio Diabetes Mellitus, realizado na última quinta-feira (11) na sede da Academia Nacional de Medicina. O Simpósio integra a série de eventos que abordarão doenças de alto custo no Brasil, projeto idealizado pelo Presidente Jorge Alberto Costa e Silva.

Acads. José Galvão-Alves, Jorge Alberto Costa e Silva (Presidente), Mônica Gadelha e Rui Maciel durante as apresentações

A Dra. Roberta Arnoldi Cobas (FCM – UERJ) abriu os trabalhos com apresentação sobre a “Evolução da Prevalência do Diabetes Mellitus: Brasil no Contexto Mundial”. Em sua aula, afirmou que o diabetes é uma doença crônica e complexa, causadora de diversas comorbidades e com complicações com impacto pessoal, social e econômico.

Finalizou sua apresentação afirmando que estudos de prevalência nacional (PNS e Vigitel) apontam para uma prevalência de 6,2 e 7,6%, com variações regionais significativas. Outro importante fator observado é que 54% dos brasileiros apresentam sobrepeso e 18,9% apresentam índices de obesidade. Por fim, chamou atenção para a “epidemia silenciosa” de diabetes no Brasil, uma vez que o percentual de casos não diagnosticados flutua de 46 a 50%.

Abordando “Medicina Personalizada na Abordagem do Diabetes Mellitus: da Classificação aos Objetivos do Tratamento”, o Dr. Sergio Atala Dib (EPM – UNIFESP) definiu medicina personalizada como o uso de biomarcadores moleculares para a detecção de traços genéticos específicos, a fim de orientar diversas abordagens para a prevenção e o tratamento de diferentes doenças. Sobre sua aplicação para o Diabetes Mellitus, ressaltou que gera diagnósticos mais específicos e científicos, proporcionando cuidado individualizado, atendendo às necessidades de cada paciente.

Concluiu sua apresentação afirmando que o conhecimento da heterogeneidade etiopatogênica e clínica do Diabetes Mellitus é importante na abordagem preventiva, terapêutica e prognostica desses indivíduos afetados pela doença.

Discorrendo sobre o tratamento não farmacológico, a Dra. Cynthia Valério (IEDE – RJ) apresentou importantes evidências sobre a eficácia do tratamento não-farmacológico do Diabetes Mellitus, apresentando as principais diretrizes apregoadas pela American Heart Association. Entre as alterações dietéticas, destacou que é necessário promover saúde nas escolhas nutricionais, com o objetivo de manter peso corporal saudável, alcançar alvos metabólicos e prevenir complicações. Também destacou medidas como restrição de sódio, consumo moderado de álcool e interrupção do uso de tabaco e derivados de cigarro.

Encerrou sua apresentação com uma frase de Hipócrates, que afirmou que “se pudermos dar a cada indivíduo a quantidade certa de alimento e exercício, não muito pouco e não muito, teremos encontrado o caminho mais seguro para a saúde".

Coube à Dra. Lenita Zajdenverg (FM – UFRJ) discorrer sobre o tratamento farmacológico do diabetes, estabelecendo um comparativo entre as drogas antigas e as novas existentes no mercado, chamando atenção para o crescimento exponencial dos tratamentos disponíveis. Destacou que, além da garantia de eficácia na ação antihiperglicêmica, as novas medicações devem comprovar segurança cardiovascular.

Em sua conclusão, levantou questões associadas ao custo dos medicamentos, colocando em contraponto a visão do clínico e a visão do gestor, que deverão considerar questões como a inviabilização cobertura universal mediante medicamentos de alto custo e a “monetização” da qualidade de vida dos pacientes.

Dissertando sobre os “Desafios Atuais da Insulinoterapia no Diabetes Mellitus Tipo 2”, a Dra. Melanie Rodacki ressaltou que existem barreiras para o início do tratamento com insulina, destacando os diferentes mitos existentes sobre o diabetes e o seu tratamento. Explicou também que os objetivos clínicos da insulinoterapia incluem o aumento da eficácia e a redução da complexidade do tratamento, ressaltando que o tipo de insulina precisa ser personalizado para cada paciente.

Com apresentação intitulada “Automonitorização Contínua da Glicemia: da glicemia capilar aos sistemas atuais”, a Dra. Mônica Andrade Lima Gabbay (EPM – UNIFESP) afirmou que um dos grandes avanços na área da tecnologia para tratamento do diabetes mellitus foi o desenvolvimento da técnica de monitorização continua da glicose intersticial (MCG), que fornece informações detalhadas do perfil de glicose do paciente, por meio da identificação das flutuações de glicemias anteriormente não detectadas pela automonitorização convencional (AMG), mesmo quando várias glicemias capilares eram realizadas ao longo do dia.

Na conclusão de sua apresentação, destacou que a evolução tecnológica vem gerando um fluxo crescente de informações as quais pacientes, médicos e profissionais de saúde têm acesso diariamente. Entretanto, essas informações possuem caráter central para o controle da glicemia e a individualização dos tratamentos, resultando na melhora da qualidade de vida de pacientes com diabetes.

A Dra. Rosane Kupfper apresentou conferência intitulada “O Papel da Equipe Multidisciplinar na Otimização do Tratamento e a Adesão a Longo Prazo”, afirmando que o propósito de implementar o atendimento por equipe multidisciplinar no diabetes é compartilhar a responsabilidade para que os pacientes atinjam as metas estabelecidas para o tratamento, promover a educação do paciente sobre sua própria condição e ajudá-lo a desenvolver diversas habilidades para o autocuidado, ressaltando que a composição da equipe varia de acordo com as necessidades do paciente, a disponibilidade dos profissionais e suas competências.

Encerrando as apresentações da noite, a Dra. Marilia de Brito Gomes (FCM – UERJ) fez apresentação sobre a situação atual do nível de controle glicêmico do diabetes mellitus no Brasil e seu impacto na prevalência das complicações macro e microvasculares da doença, ressaltando que os resultados de estudos recentes demonstram uma necessidade substancial de melhoria na abordagem do paciente diabético mundialmente para redução do risco de complicações e mortalidade da doença, que atinge cerca de 382 milhões de pessoas e que deverá atingir 471 milhões em 2035.


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