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Sessão de 21 de março de 2019 – Especialistas se apresentam em Simpósio sobre Onco-Hematologia na Academia Nacional de Medicina

A Academia Nacional de Medicina, que em 2019 comemora 190 anos honrou a tradição de suas reuniões semanais às quintas-feiras com mais uma Sessão científica, dessa vez abordando o tema “Onco-Hematologia”. Organizado pelos Acadêmicos Daniel Tabak e Paulo Hoff, o Simpósio foi dividido em módulos – diagnóstico, tratamento, economia da saúde, qualidade e saúde pública –, nos quais especialistas debateram os principais avanços e desafios da área.

O Simpósio faz parte de um projeto da gestão do Acad. Jorge Alberto Costa e Silva, que visa instituir uma sequência de atividades sobre doenças de alto custo, uma vez por mês. Na sequência do Simpósio sobre Onco-Hematologia serão realizados simpósios sobre Diabetes Mellitus e Insuficiência Cardíaca.

Na mesa diretora do evento, o Acad. Walter Zin, os Drs. Gonzalo Vecina e Denizar Vianna, os Acads. Jorge Alberto Costa e Silva (Presidente) e Paulo Hoff, a Dra. Silva Brandalise e o Acad. Daniel Tabak

Iniciando o módulo diagnóstico, o Dr. Eduardo Rego (USP) fez apresentação acerca do “Diagnóstico das Neoplasias Hematológicas no Século XXI”, afirmando que marcadores e alterações genéticas são essenciais para identificação das neoplasias hematológicas. Chamou atenção para o fato de que a identificação destas alterações ditará o tipo de tratamento a ser utilizado e até mesmo influenciando na evolução da doença.

Destacou também que o conhecimento acerca destes marcadores também é essencial na definição da patogênese, ressaltando que diferentes mutações contribuem de maneira diferente na oncogênese. Na conclusão de sua aula, chamou atenção para as novas perspectivas de tratamento envolvendo terapias alvo, utilizando o exemplo da Midostaurina, substância ativa indicada em combinação com a quimioterapia padrão, que havia recebido, em setembro de 2017, a recomendação de prioridade de análise pela Anvisa, tendo sido aprovada em abril de 2018. Já aprovada pela Food and Drug Administration (FDA) em abril de 2017 como terapia inovadora, a midostaurina foi aprovada para adultos recém-diagnosticados com LMA que tenham mutação no gene FLT3.

Inaugurando o módulo Tratamento, o Dr. Auro del Giglio (Fundação ABC) discorreu sobre “Recursos Atuais para o Tratamento das Neoplasias Hematológicas”, ressaltando que a hematologia antecede a oncologia de tumores sólidos em 10 anos. Além deste fato, afirmou que a abordagem a nível molecular das doenças pode desconstruir completamente as divisões anatômicas vigentes, destacando que esta abordagem criou a necessidade de uma infraestrutura digital robusta para manuseio da informação genômica que mudará todo o manuseio da informação médica para as gerações futuras.

Por fim, encerrou sua apresentação fazendo uma reflexão sobre o ensino médico e quais seriam as lições a serem passadas para os jovens médicos, citando a obra Aequanimitas, de William Osler: “A prática da medicina é uma arte não um comércio; uma vocação não um negócio; uma vocação através da qual teu coração será exercitado assim como tua cabeça. Freqüentemente a melhor parte do teu trabalho nada terá a ver com (a prescrição) de poções e fórmulas, mas com o exercício de uma influência do forte sobre o fraco, do justo sobre o mau, do sábio sobre o tolo (...)”.

Na sequência, o Dr. Vanderson Rocha (USP) abordou o transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH), que consiste em fornecer ao paciente células progenitoras que podem ser retiradas dele próprio, de um doador compatível ou até mesmo de células do cordão umbilical; as células-tronco se alojarão na medula óssea, para que ela volte a produzir células sanguíneas normais. Por meio da apresentação de diversos casos clínicos, demonstrou que as novas estratégias de TCTH permitem que, para todos os pacientes, hajam doadores. Também ressaltou que atualmente observa-se uma melhora nos resultados clínicos em razão de um melhor suporte infeccioso. Ao final de sua apresentação, apontou o uso da ciclofosfamida como prevenção da Doença do Enxerto Contra Hospedeiro (DECH), configurando uma esperança no aumento da sobrevida e na melhora da qualidade de vida dos pacientes.

Abordando Imunoterapia, o Acad. Daniel Tabak chamou atenção para o fato de que o câncer é a segunda maior causa de morte mundial – 9,6 milhões de pessoas morrem anualmente de câncer em todo mundo. Ressaltou, ainda que 70% dessas mortes ocorrem em países de renda média e baixa e que ao menos 30% dos tipos de câncer mais comuns podem ser prevenidos por meio de estratégias adequadas de prevenção, detecção precoce e tratamento. Em seguida, apresentou diversos estudos clínicos acerca da utilização da imunoterapia no tratamento de diferentes tipos de câncer, destacando que o valor de um tratamento será sempre ditado pela relação custo x benefício, levando em consideração que, aqui, custo refere-se aos efeitos colaterais observados no paciente, não somente o custo monetário.

O módulo “Economia da Saúde” contou com a apresentação do Dr. Denizar Vianna (UERJ), que discorreu sobre desenvolvimento tecnológico vs. Sustentabilidade no sistema de saúde. Em sua conferência, destacou a importância da definição de prioridades na avaliação das tecnologias em saúde (carga de doença da população, necessidades de saúde não atendidas e monitoramento do horizonte tecnológico).

Discorreu, ainda, sobre Pesquisa de Efetividade Comparativa para Avaliação de Tecnologia em Saúde, que consiste na condução e síntese de pesquisa sistemática que compara intervenções e estratégias para prevenir, diagnosticar, tratar e monitorar condições de saúde. O objetivo desta pesquisa seria, portanto, informar aos formuladores de políticas de saúde e gestores quais são as intervenções mais eficientes, para quais pacientes, sob determinadas circunstâncias específicas.

A Dra. Silvia Regina Brandalise (UNICAMP) proferiu conferência alocada no Módulo “Qualidade”, abordando “O Desafio da Qualidade no Tratamento Onco-Hematológico Infantil”. Em sua apresentação, a Dra. Brandalise ressaltou que o mercado mundial de fármacos hoje já supera a casa de 1 trilhão de dólares e está em franca expansão em países em desenvolvimento. Todavia, destacou que este cenário é campo fértil para a disseminação de produtos falsos ou de baixa qualidade.

Fazendo uma comparação entre a realidade brasileira e as recomendações da OMS e da SIOP, concluiu que ainda existe um longo caminho a ser percorrido, e que vencer o desafio da qualidade só será possível por meio de uma grande coalizão entre poder público, Universidades e instituições de pesquisa, sociedades científicas, instituições privadas, sociedades civis organizadas e associações filantrópicas não-governamentais.

O Simpósio foi encerrado com o Módulo “Saúde Pública”, no qual falou o Dr. Gonzalo Vecina (USP). Em sua apresentação, o médico falou especificamente sobre a incorporação tecnológica no sistema público, indicando possíveis caminhos para que todas as necessidades dos envolvidos no processo sejam atendidas. Chamou atenção principalmente para a sustentabilidade financeira mediante o impacto tecnológico na saúde, ressaltando que a busca pela efetividade na aplicação dos recursos públicos na Saúde é hoje o principal desafio para governantes e gestores da área da Saú


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