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Sessão de 14 de março de 2019 – Pancreatite Aguda é tema de Simpósio que abre as atividades de 2019 na ANM

Inaugurando o calendário das atividades científicas da Academia Nacional de Medicina, o Simpósio “Pancreatite Aguda” reuniu Acadêmicos, estudantes e especialistas para discutir o tema, proposto pelos Acads. Samir Rasslan e José Galvão-Alves.

Na mesa diretora, os Acads. Octávio Vaz, Samir Rasslan e José Galvão-Alves junto ao Presidente Jorge Alberto Costa e Silva

Na abertura da primeira etapa do Simpósio, o Acad. Octávio Vaz assumiu o papel de moderador das apresentações, convidando o Dr. Eduardo Viana (Hospital de Ipanema) para discorrer sobre “Definição, Classificação e Etiopatogenia”. Em sua apresentação, o médico apontou as diferentes formas de classificação da doença, ressaltando que a pancreatite aguda consiste de uma inflamação súbita do pâncreas com resposta inflamatória aguda.

Abordando “Avaliação Clínica e Marcadores Evolutivos”, a Dra. Lucila Perrotta (UFRJ) buscou analisar os fatores que influenciam a evolução da doença, de forma a estabelecer uma previsão da evolução para as formas mais graves da doença. Apresentou, ainda, o estudo de pesquisadores da Harvard Medical School que testou uma nova escala, chamada BISAP (Bedside Index for Severity in Acute Pancreatitis), utilizada para prever a gravidade e o risco de morte nos casos de pancreatite aguda. Em sua conclusão, ressaltou que, apesar da importância dos estudos dos indicadores, é preciso investir no acompanhamento clínico e multidisciplinar dos pacientes de maneira perene.

Em sua apresentação, o Acad. Delta Madureira ressaltou que a pancreatite biliar possui uma incidência de 35 a 45% de todas as pancreatites. Além deste fato, destacou que a principal complicação da Pancreatite Aguda é desenvolvimento de infecção nas áreas de necroses pancreáticas, que ocorrem em 10 a 50 % dos pacientes com necrose (geralmente 3 a 4 semanas após o início do quadro clínico). Acerca do tratamento, chamou atenção para o fato de que apesar da maioria dos casos de pancreatite biliar ter evolução favorável, todos devem ser avaliados através de escores clínicos disponíveis para a identificação precoce de pacientes com potencial de evolução desfavorável. O tratamento inicial é conservador, devendo ser a cirurgia ser reservada aos casos de necroses pancreáticas infectadas.

Na sequência, o Dr. Roberto Rasslan (FMUSP) fez apresentação abordando pseudocisto e necrose pancreática delimitada, ressaltando que nos últimos anos ocorreu uma mudança de paradigma no tratamento, com a emergência dos tratamentos minimamente invasivos (endoscópicos e laparoscópicos). Ademais, ressaltou a importância de um tratamento individualizado, realizado por equipe multidisciplinar; todavia, o médico destacou que a conduta deverá ser centralizada no cirurgião.

Ao final da primeira etapa do Simpósio, o Acad. Glaciomar Machado abordou “O Papel Atual da Endoscopia na Pancreatite Aguda”, apresentando uma linha do tempo da evolução dos tratamentos da doença. Como fatores determinantes da ampliação das indicações para o tratamento endoscópico, é possível destacar a baixa taxa de mobi-mortalidade, a curva de aprendizado dos especialistas, o desenvolvimento da indústria de acessórios e o subsequente aperfeiçoamento constante dos equipamentos utilizados.

Após o Chá Acadêmico, coube ao Acad. Celso Portela a moderação da segunda etapa das apresentações, que foi iniciada com a conferência do Acad. José Galvão-Alves, intitulada “Terapêutica Clínica”, na qual apresentou as principais características diagnósticas da doença, os critérios de classificação e os principais tratamentos caso a caso. Em sua conclusão, fez considerações acerca da antibioticoterapia, ressaltando que, ainda nos casos de pancreatite aguda grave, o antibiótico profilático não é sempre recomendado, devendo-se observar as culturas de sangue, urina e a punção de necrose para a indicação do tratamento mais adequado.

Encerrando as apresentações da noite, o Acad. Samir Rasslan abordou “Necrose Pancreática”, afirmando que a infecção do tecido pancreático ou peripancreático é reconhecida como o mais importante determinante de morbidade e mortalidade associada à pancreatite necrotizante grave. Por meio da apresentação de casos clínicos, discorreu sobre as principais dúvidas que surgem ao longo do tratamento e apresentou os desafios da área, ressaltando que o êxito do tratamento depende de um “suporte” intensivo e individualizado em função dos eventos fisiopatológicos.

 


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