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Sessão de 8 de novembro de 2018 – Academia Nacional de Medicina recebe conferencista da Académie Nationale de Médecine para Sessão Conjunta

Na Sessão do dia 8 de novembro a Academia Nacional de Medicina, instituição científico-cultural mais antiga do Brasil, realizou mais uma de suas tradicionais sessões conjuntas com a Académie Nationale de Médecine, criada em 1820 pelo rei Luís XVIII de França. A reunião faz parte de um programa especial pensado pelos presidentes das duas instituições, que prevê a realização de uma contrapartida na instituição francesa, em maio de 2019. As palestras da noite privilegiaram a cirurgia robótica, com conferências do Dr. Fernando Vaz, representando o lado brasileiro e o Dr. Jacques Hubert, chefe do Departamento de Urologia do Hospital Universitário de Nancy.

Reunião França-Brasil contou com as conferências dos Drs. Fernando Vaz (ANM-BR) e Jacques Hubert (ANM-FR), sob a presidência do Acad. Jorge Alberto Costa e Silva

Em sua apresentação, o Acad. Fernando Vaz apresentou um histórico da evolução da cirurgia robótica, ressaltando que a cirurgia laparoscópica representou importantes avanços na cirurgia ginecológica; todavia, a maior parcela dos pacientes urológicos não foi atendida por estes avanços. Dessa forma, considera-se o robô Da Vinci como uma invenção da maior importância para a cirurgia prostática, com um enorme repositório de pacientes. O cirurgião ressaltou que o advento da cirurgia robótica criou novas variáveis importantes a serem consideradas: o afastamento dos “cirurgiões eventuais” e o favorecimento dos cirurgiões especializados; a melhora exponencial e constante dos equipamentos cirúrgicos e a necessidade de reflexão sobre os custos tanto para os sistemas de saúde públicos quanto privados.

Ao final de sua apresentação, ressaltou que, apesar de todos os avanços observados com a cirurgia robótica, um dos fatores mais importantes para a garantia de melhores resultados para o paciente é a correta seleção dos casos nos quais a cirurgia robótica vai representar uma melhoria na qualidade de vida do paciente. A este respeito, afirmou que “o mais importante em um tratamento é o resultado, não o caminho percorrido”, discorrendo com preocupação a respeito do ressurgimento de complicações já superadas devido a procedimentos tecnicamente falhos.

Na sequência, o Dr. Jacques Hubert iniciou sua conferência ressaltando que eventos desta natureza representam um testemunho da necessária relação amistosa entre as Academias de Medicina de todo o mundo. Em sua apresentação, discorreu sobre a experiência do Hospital de Nancy com a cirurgia robótica, destacando os métodos utilizados e os resultados obtidos. Sobre a história da cirurgia robótica, deu especial destaque ao Dr. Phillipe Mouret, que, em 1987, realizou a primeira colecistectomia por via laparoscópica. Acerca deste procedimento, enumerou suas principais limitações: falta de coordenação mão-olho (médico precisa realizar o procedimento olhando para um monitor, não para o paciente), ângulo desconfortável para o médico e limitação do movimento em razão da rijeza dos instrumentos.

Destacou que, no início dos anos 90, houve uma “convergência de ideias” de grandes empresas como a IBM e a NASA, que uniram suas capacidades tecnológicas para o desenvolvimento da robótica como uma forma de superar os limites da cirurgia laparoscópica. Salientou que no início dos anos 2000 existiam apenas 15 robôs na Europa, frente aos quase 5 mil existentes em todo o mundo atualmente.

O final da conferência do Dr. Jacques Hubert foi dedicado a discutir os métodos de aprendizado para a cirurgia robótica e quais os desafios que se colocam para os próximos anos, ressaltando a necessidade de um investimento constante na eficácia do treinamento dos profissionais envolvidos. Evocando a experiência do Hospital Universitário de Nancy, ressaltou que, diferente do que ocorreu em outros hospitais, a equipe de Nancy fez a opção de não partir diretamente para o uso do robô nas cirurgias em humanos. Segundo o cirurgião, o treinamento prévio em laboratório (com o uso de simuladores) favoreceu a otimização da curva de aprendizado, permitindo o desenvolvimento de três grupos de habilidades: básicas, que dizem respeito à manipulação do robô; avançadas, relacionadas às técnicas cirúrgicas especializadas; e não-técnicas, que focam no trabalho em grupo e na comunicação do médico com a equipe multidisciplinar que atuará nos procedimentos realizados.


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