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Sessão de 25 de outubro de 2018 – Simpósio sobre Doenças Orovalvares é realizado na ANM

Seguindo a tradição da instituição, na última quinta-feira (25), foi realizada mais uma reunião científica na Academia Nacional de Medicina. O tema abordado, Doenças Orovalvares, reuniu especialistas renomados no anfiteatro Miguel Couto, sob a coordenação dos cardiologistas e Acadêmicos Cláudio Benchimol e Carlos Gottschall.

O Simpósio foi aberto pela apresentação do Dr. Luiz Antonio Ferreira Carvalho (Hospital Pró-Cardíaco/Hospital São Lucas), que abordou o “Tratamento Percutâneo das Doenças da Valva Mitral”. O cardiologista iniciou sua apresentação afirmando que a insuficiência valvar mitral é uma das doenças valvares adquiridas mais comuns, com prevalência de aproximadamente 7 a 10% na população com idade superior a 75 anos. Apresentou, então, a valvuloplastia mitral percutânea, destacando que esta possui como principais atributos a avaliação precisa da eficácia do procedimento, a otimização das decisões durante a intervenção e a rápida identificação das complicações.

Acadêmicos Carlos Gottschall, Antonio Nardi e Cláudio Benchimol na mesa diretora do Simpósio

Encerrou sua apresentação abordando casos clínicos de pacientes acometidos de insuficiência mitral grave, mas que possuem alto risco para a cirurgia (idade avançada, disfunção ventricular esquerda, presença de comorbidades, etc.). Para estes casos, chamou atenção para o fato de que a introdução do tratamento com o uso do chamado Mitraclip abre novas perspectivas a estes pacientes, uma vez que este é capaz de reduzir significativamente os sintomas, a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Todavia, destacou que os bons resultados associados ao uso do Mitraclip dependem de sua correta indicação, que deverá ser feita por uma equipe multidisciplinar.

Abordando a perspectiva cirúrgica do tratamento das doenças da valva mitral, o Dr. Alexandre Siciliano (Hospital Pró-Cardíaco) fez o levantamento e a classificação das doenças da valva mitral: abordou a insuficiência mitral primária e secundária, a estenose mitral reumática e calcificada e também as chamadas lesões mistas.

Em sua conclusão, chamou atenção para o fato de que quaisquer que sejam as técnicas utilizadas durante a cirurgia, a experiência acumulada acerca das intervenções sobre a válvula mitral aponta para a necessidade do desenvolvimento de técnicas que minimizem o trauma operatório. Além deste fato, ressaltou a tendência do crescimento da chamada intervenção trans-cateter. Por fim, destacou a necessidade do investimento na criação de um centro de excelência para estes tratamentos, focado em processos, pessoas e estrutura adequados para o atendimento aos pacientes.

Após abordar o tratamento das doenças da válvula mitral, o Simpósio debateu o tratamento das doenças da valva aórtica. O primeiro a se apresentar, abordando o tratamento percutâneo, foi o Dr. André Luiz Feijó (Casa de Saúde São José), que destacou que a estenose aórtica é uma doença grave, que, quando não tratada, conta com taxas de mortalidade que chegam a 50% em dois anos.

Apesar de destacar que, na maior parte dos casos, a cirurgia é o gold standard, a apresentação do Dr. André Luiz Feijó consistiu na abordagem de casos onde o risco cirúrgico se sobrepõe aos benefícios do tratamento cirúrgicos. Para estes casos, geralmente envolvendo pacientes com idade avançada e com apresentação de comorbidades, a utilização do implante valvar aórtico se apresenta como uma opção contundente, com quadros de boa evolução pós-operatória e manutenção dos parâmetros ecocardiográficos.

Na sequência, o Acad. Fabio Jatene abordou o “Tratamento Cirúrgico das Lesões da Valva Aórtica”, apresentando dados sobre os gastos referentes às doenças orovalvares mitral e aórticas para o sistema de saúde estadunidense, ressaltando que a estenose aórtica já é apontada como a próxima epidemia cardíaca.

Em sua apresentação, o Acadêmico discorreu sobre as novas tecnologias utilizadas no tratamento cirúrgico, apontando grandes desafios na área, principalmente aqueles relacionados ao aumento dos gastos para os sistemas de saúde já sobrecarregados dos países em desenvolvimento. Dr. Jatene ressaltou que, se por um lado a nova tecnologia vai aumentar os custos, por outro, é possível “compensá-los” com um menor tempo de internação hospitalar, recuperação mais rápida e retorno precoce ao trabalho, entre outros benefícios. Por fim chamou atenção para a implantação de parcerias com centros internacionais, visando fomentar a inovação tecnológica dentro do país.

Na segunda etapa do Simpósio, o Dr. Arnaldo Rabischoffsky (Hospital Pró-Cardíaco), apresentou conferência a respeito dos avanços da Ecocardiografia, ressaltando que dentre os progressos observados nos últimos anos destacam-se o arquivamento das imagens e o aumento significativo da qualidade destas; o desenvolvimento de aparelhos portáteis; a diminuição das sondas de ETE; evoluções no uso do contraste ultrassonográfico; o uso da técnica de STRAIN, dentre outros.

Concluiu afirmando que os avanços na ecocardiografia são constantes, beneficiando pacientes com quadros mais complexos, chamando atenção para a necessidade de investimento na capacitação dos médicos. Acerca das perspectivas futuras, destacou que medidas cada vez mais automáticas estarão disponíveis em um futuro breve.

O Simpósio foi encerrado com a conferência do Acadêmico e cardiologista Carlos Gottschall, cuja apresentação versou sobre a história da angioplastia coronariana, em especial ao precursor da técnica, o Dr. Andreas Grüntzig. Iniciou sua apresentação ressaltando que a técnica constitui o mais importante tratamento da cardiopatia isquêmica e que seu uso beneficia mais de 4 milhões de pessoas por ano. Ao apresentar o histórico do desenvolvimento da técnica, ressaltou o Dr. Grüntzig enfrentou a descrença de seus colegas e até mesmo obstáculos colocamos por seus superiores.

Na conclusão de sua apresentação, o Acadêmico fez uma revisão do legado do trabalho do Dr. Andreas Grüntzig, ressaltando que o método, além de ser o mais eficaz tratamento de cardiopatia isquêmica, pode ser aplicado em outros órgãos. Destacou, ainda, que o mesmo encontra-se em contínuo aperfeiçoamento, principalmente devido aos inúmeros cursos de divulgação e aprimoramento realizados constantemente. Por fim, afirmou que a técnica é obra de um gênio, “não devida a impulso ou sorte, mas a um trabalho longo, intuitivo e experimental, com correções e melhorias contínuas que nos assombram e beneficiam até hoje”.


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