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Sessão de 04 de outubro de 2018 – ANM realiza importantes conferências no Anfiteatro Miguel Couto

Na noite da última quinta-feira, 4 de outubro, aconteceram na Academia Nacional de Medicina as conferências “Recentes Progressos: O Preço da Liberação da Maconha” e “O Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul”. Sob coordenação do Acadêmico Gilberto Schwartsmann, os Doutores Sérgio de Paula Ramos e Jaderson Costa da Costa, Membros Titulares da Academia Sul-rio-grandense de Medicina, palestraram sobre os temas.

Drs. Sérgio Ramos e Jaderson Costa junto aos Acadêmicos Jorge Alberto Costa e Silva (Presidente), Antonio Egidio Nardi e Gilberto Schwartsmann

Dr. Sérgio Ramos deu início à palestra "Legalização da Maconha: quem pagará esta conta?", abordando a relação entre aumento do consumo e diminuição da criminalidade, apresentando dados referentes às tendências no uso global de drogas, entre jovens e por região. Nos últimos 10 anos houve um aumento de aproximadamente 70 milhões de usuários de drogas em todo o mundo, entre jovens de 15 e 16 anos a prevalência do uso de cannabis ocorre entre os estudantes ̶ principalmente nos continentes americano e europeu.

Segundo ele, os efeitos negativos da cannabis sobre a saúde a curto prazo podem ser danos de memória, paranoia e psicose, sofrimento da coordenação motora e comprometimento do juízo crítico com consequente aumento do comportamento sexual de risco. A longo prazo ou com uso pesado, os efeitos negativos se manifestam com o aumento do risco de psicose, menor satisfação com a vida, prejuízo da vida escolar ou acadêmica e comprometimento do desenvolvimento cerebral. A partir de estudos realizados com jovens de 25 anos que iniciaram o uso de cannabis antes dos 17 anos de idade, os principais resultados foram evasão escolar, comportamentos suicidas, uso de outra droga ilícita e dependência de maconha.

O especialista afirmou que o aumento do consumo está relacionado diretamente ao marketing para redução da percepção de risco com o uso. No estado do Colorado, nos EUA, o uso diário de maconha reportado cresceu de 2,4% para 6,5% entre alunos do ensino médio, no período de 1993 a 2012. Ressaltou que, nos locais onde houve liberação, o consumo aumentou em todas as faixas etárias, enquanto não houve diminuição na criminalidade, considerando-se acidentes de trânsito. Por fim, Dr. Ramos indicou os grupos de interesse na campanha de legalização e comparou as estratégias de marketing utilizadas no passado pela indústria do cigarro e as estratégias utilizadas hoje em dia na campanha de legalização da maconha. De acordo com ele, ambas usam como argumento o direito de uso, seu teor medicinal e a recomendação de alguns médicos. A mesma estratégia de redução na percepção de risco para aumentar o consumo pode ser observada nos dois casos.

Em suas considerações finais, o médico declarou que o tema da legalização é meramente econômico, de modo que o conjunto das drogas gera tanto dinheiro quanto a indústria bélica, por exemplo. Advertiu ainda que não há evidência científica de que o fumo da maconha traga qualquer benefício para a saúde, e que o termo "maconha medicinal" não está correto, já que a substância potencialmente terapêutica encontrada na maconha é o canabidiol, que pode ser isolado, sintetizado em laboratório e fornecido para consumo em forma de comprimido.

O Vice-Reitor da PUC-RS, Jaderson Costa da Costa realizou em seguida a conferência "O Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul", na qual abordou as atividades executadas na instituição e seu impacto positivo desde a criação, em 2007. Em sua introdução, apresentou a crescente parcela de mortalidade causada por doenças mentais e neurológicas como demência, uso de substâncias psicoativas e Doença de Parkinson, em todo o mundo. A Doença de Alzheimer, segundo ele, teve um dos maiores aumentos como causa de morte nos últimos 20 anos, e pode chegar a acometer aproximadamente 13,8 milhões de idosos nos EUA até o ano de 2050. Apresentou também as iniciativas e contribuição da neurociência para o avanço no diagnóstico e tratamento de doenças neurológicas.

O especialista apontou a proposta inovadora, multidisciplinar e multi-institucional do Instituto, que realiza trabalhos de pesquisa, desenvolvimento e produção de Radiofármacos e o Centro de Diagnóstico e Pesquisa por Imagem. Os núcleos interdisciplinares da instituição contemplam a Neurofilosofia, Neuroteologia, Inteligência Geoespacial e Cognição - Machine Learning. Esclareceu ainda as atividades dos Centros de Pesquisa e Produção, além dos diversos tratamentos oferecidos. O InsCer conta com inúmeras pesquisas em andamento, com cuidado especial às doenças neurodegenerativas - como o mal de Alzheimer - com equipes multidisciplinares em linhas de pesquisa como neurodesenvolvimento, neuroimagem funcional e neuropsicologia, entre outras.

Concluindo sua apresentação, Dr. Jaderson Costa enumerou alguns dos projetos do InsCer com forte impacto social, como “Zika” e PROMUC: Alvos de Proteção de Mulheres Usuárias de Crack; projeto VIVA (Vida e Violência na Adolescência); que atende crianças de escolas públicas em situação de vulnerabilidade, e as palestras destinadas à comunidade, com apresentações esclarecedoras sobre temas importantes como preservação da memória, mal de Alzheimer, depressão, transtornos de aprendizagem, déficit de atenção, cérebro e cuidado. O especialista finalizou a conferência indicando as perspectivas para a neurociência e benefícios advindos da ampliação do instituto, destacando o aumento da capacidade para realização de exames de imagem molecular e pesquisas clínicas, aproximação da pesquisa experimental com a pesquisa clínica, produção de novos radiofármacos e geração de emprego.


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