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Eduardo Augusto Moscoso (Cadeira No. 28)

Membro Titular

Secção de Cirurgia

Patrono da Cadeira No. 28

Eleito: 09/11/1905 - Posse: 19/04/1906sob a Presidência de Antônio Augusto de Azevedo Sodré

Saudado por: Antônio Austregésilo Rodrigues de Lima

Emérito: 18/04/1940

Falecido: 02/07/1942

O Dr. Eduardo Augusto Moscoso nasceu no dia 18 de novembro de 1863, no Rio de Janeiro, filho de João Ferreira Moscoso e de D. Alexandrina Guimarães Moscoso.

Fez o curso de instrução secundária no Colégio Pedro II. Doutorou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1886, defendendo a tese intitulada “Das causas das gangrenas dos membros inferiores, suas indicações terapêuticas e cirúrgicas”.

Pouco depois de se formar, foi convidado a ser assistente de Clínica Cirúrgica, cadeira regida pelo Prof. Oscar Bulhões. Exerceu este cargo e trabalhou na 17ª Enfermaria da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro por muitos anos, ao lado dos médicos Lima e Castro, Marcos Cavalcanti e Pedro Severino Magalhães.

Em1907, tornou-se livre docente da mesma instituição apresentando a tese “Dois casos de Esofagectomia externa”. Foi, também, livre docente de Patologia cirúrgica, apresentando um opúsculo com os temas “Questões de patologia cirúrgica de abdome (abcessos subfrênicos)”, “Oclusões intestinais por hérnia do hiato de Winslow” e “Oclusões intestinais pelo divertículo de Meckel”

Trabalhou intensamente neste cargo com pesquisas sobre cirurgias até que resolveu ampliar seus estudos ainda mais e viajou para a Europa, visitando hospitais na França, na Inglaterra, na Alemanha, na Áustria, na Suíça e na Itália, em 1910 e 1911 Nestes países, qualificou-se com alguns cursos, como: “Operações sobre o tubo digestivo e anexos”, “Operações de urgência”, “Técnica de clínica cirúrgica”, “Cirurgia das vias urinárias”, “Técnica cirúrgica dos ossos (luxações e fraturas”), “Cirurgia vascular” e “Técnica e cuidados de recuperação pós-operatório”.

Adepto da anestesia pelo éter, ao retornar da Europa trouxe para o Brasil a máscara de anestesia de Ombredanne. E, junto a introdução de seu uso, ele implementou também a utilização da “ósteo-síntese” pelas placas e parafusos de Lambotte – tendo trazido todo o material necessário para a experimentação de suas viagens.

Fundou e dirigiu o Instituto Policlínico de Socorros Médicos e fundou também a Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro – ambas as instituições se pretendiam para a geração de debates mais profundos se temas médicos, bem como a análise crítica de problemas da medicina e das ciências correlacionadas. Organizou a Sociedade Médica do Hospital da Misericórdia, onde foi secretário.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina em 1905, apresentando memória intitulada “A cura radical da hidrocele vaginal”, e tornou-se Emérito em 1940. Exerceu também o cargo de Secretário da ANM. É o Patrono da Cadeira 28.

Foi, também, membro da Sociedade Médica de Lisboa e da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Paris.

Além disso, o Dr. Moscoso trabalhou como médico do então Presidente da República, o Marechal Floriano Peixoto, acompanhando-o até Alagoas, tendo à sua disposição um enfermeiro militar. Foi, também, Chefe de Cirurgia durante muitos anos no Hospital Nossa Senhora das Dores.

Escreveu diversos livros sobre temas médicos, dentre eles a obra “Gastroenterostomia” (1907), e manteve uma coluna no Jornal do Brasil sobre a História da Medicina, cujo nome era “Na Poeira dos Alfarrábios”. Foi também redator e colaborador efetivo da “Revista de Medicina e Cirurgia do Brasil” e do periódico “Brasil Médico”. Colaborou, ainda, no “Correio da Manhã”, com as “Efemérides médicas”.

O Dr. Moscoso faleceu no dia 2 de julho de 1942, no Rio de Janeiro.