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Sessão de 20 de setembro de 2018 – Broncoscopia e Imunologia em Transplantes são temas de conferência na ANM

Na última quinta-feira (20), aconteceram na Academia Nacional de Medicina as conferências “Recentes Progressos: EBUS - Ultrassom Endobrônquico” e "Regulação Imune no Transplante: dos Experimentos à Aplicação Clínica”, a primeira sob organização do Acadêmico José Galvão-Alves e palestra do Dr. Fernando Chacur, Chefe do Serviço de Pneumologia do Hospital Pró-Cardíaco, e a segunda organizada pelo Acadêmico Miguel Riella, com palestra do Diretor Médico do Brigham and Women’s Hospital, Leonardo Riella.

Acads. Antonio Nardi, Jorge Alberto Costa e Silva (Presidente) e Miguel Riella na mesa diretora do Simpósio

O Dr. Fernando Chacur abordou a nova técnica de biópsia aspirativa transbrônquica por agulha guiada pela ultrassonografia endobrônquica. O médico estabeleceu um comparativo entre as vantagens e desvantagens de sua utilização, e os avanços em relação à técnica convencional na abordagem diagnóstica.

Segundo o especialista, o câncer do pulmão é a principal causa de óbitos por neoplasia entre homens e mulheres em todo o mundo, apesar de todos os avanços no tratamento cirúrgico, radioterápico e quimioterápico. Por essa razão, seu estadiamento é mandatório para se estabelecer o melhor tratamento e na avaliação do prognóstico. Declarou que o mais importante, na decisão terapêutica, é a identificação de pacientes candidatos ao tratamento cirúrgico, sendo o principal fator adverso para o prognóstico do paciente a identificação de metástases linfonodais - a presença do comprometimento classifica a doença como N2, o que sugere a inoperabilidade ou a necessidade de tratamento com quimioterapia ou radioterapia.

Sobre da técnica convencional de aspiração transbrônquica por agulha, Dr. Chacur afirmou que sua eficácia depende do tamanho do linfonodo e da zona nodal, já que a possibilidade de falha em posicionar a agulha no linfonodo pode influenciar no diagnóstico, resultando num alto índice de falso negativo. Este, em relação ao método por agulha guiada pela ultrassongrafia endobrônquica, minimiza o número de punções e aumenta a probabilidade diagnostica em linfonodos paratraqueais. O médico indicou as recentes diretrizes diagnósticas, que determinam que as técnicas EBUS-TBNA (Endobronchial Ultrasound-Guided Transbronchial Needle Aspirate) e EUS-FNA (Endoscopic Ultrasound-Guided Fine-Needle Aspirate), combinadas, devem ser realizadas anteriormente à terapia de câncer de pulmão.

Discorreu, por fim, acerca de ambas as técnicas, suas indicações, preparo e possíveis complicações. Concluiu que os benefícios do EBUS-TBNA são numerosos, sozinho ou combinado ao EUS. De acordo com o médico, a técnica demonstrou ser superior a outros procedimentos diagnósticos e de estadiamento, como a mediastinoscopia, broncoscopia convencional ou aspiração por agulha guiada por tomografia computadorizada. Além da redução significativa no custo do estadiamento do câncer de pulmão, a utilização de EBUS-TBNA acelera o estadiamento, e, comprovadamente, aumenta as chances de sobrevida.

Em seguida, o Acadêmico Miguel Riella convidou o Dr. Leonardo Riella a realizar conferência intitulada “Regulação Imune no Transplante: dos Experimentos à Aplicação Clínica”. O diretor médico de transplantes vascularizados compostos do Brigham and Women’s Hospital (Boston, EUA) abordou novas técnicas de imunorregulação, as descobertas sobre a influência do ambiente da microbiota na regulação do sistema imune e as novas terapias desenvolvidas em laboratório em fase clínica ou pré-clínica de estudo em pacientes.

Em sua introdução, afirmou que um dos principais problemas do transplante é a perspectiva de sobrevida a curto e longo prazo. Segundo ele, 96% dos pacientes transplantados de rim, por exemplo, tem o rim funcionando depois de um ano, entretanto mais de 50% perdem o rim 10 anos após o transplante. A maioria das causas de perda de rim a longo prazo está relacionada a um processo de rejeição crônica ou à toxicidade das medicações utilizadas no tratamento. Discorreu então sobre o funcionamento do sistema imunológico e seus principais componentes.

Dr. Riella explicou como atuam as drogas imunossupressoras no estimulo à produção, ativação e proliferação de linfócitos T, bem como sua inibição. Apresentou também as principais estratégias de imunorregulação em transplantes, destacando a infusão de células reguladoras na presença da rejeição ou de resposta imune presente, a atuação em vias co-estimulatórias e co-inibitórias, e a utilização de agentes que promovem a imunoregulação especificamente. Afirmou ainda que a inibição do sistema imune é essencial na manutenção da tolerância ao próprio organismo.

Finalmente, versou a respeito dos efeitos diretos de exposições ambientais, como dieta, estilo de vida e hábitos alimentares na microbiota e no sistema imune, e o impacto que estes podem causar mais tarde na saúde do indivíduo. Concluiu apontando as novas terapias medicamentosas para o sistema imune e evidenciou o desenvolvimento de novas estratégias de tratamento, como estímulo da imunidade inata a partir do tratamento de órgão transplantado, diminuindo sua rejeição e potencialmente diminuindo a toxicidade da imunossupressão do receptor.


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