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Sessão de 24 de maio de 2018 – ANM apresenta caso de Cardiomiopatia Dilatada de Início Recente no evento “Uma Tarde Na Academia: Oficina Diagnóstica”

O tradicional evento “Uma Tarde na Academia – Oficina Diagnóstica” aconteceu na última quinta-feira (24) no Anfiteatro Miguel Couto, sob organização dos Acads. Carlos Alberto Basílio, José Manoel Jansen e José Galvão-Alves. Os cardiologistas Alexandre Siciliano Colafranceschi e Marcelo Westerlund Montera, do Hospital Pró-Cardíaco, apresentaram e debateram o caso de cardiomiopatia dilatada de início recente.

Apresentando as características do paciente - sexo masculino, 88 anos, queixando-se de dispneia progressiva há 1 mês, evoluindo para dispneia a mínimos esforços; negativo para febre, tosse produtiva e disúria; portador de fibrilação atrial crônica. Na sequência, o Prof. Dr. Alexandre Siciliano descreveu individualmente cada um dos exames realizados no paciente.

Os Acadêmicos e coordenadores da atividade Carlos Alberto Basílio, José Galvão-Alves e José Manoel Jansen

Segundo ele, os exames apresentavam sinais de insuficiência cardíaca com início recente, BPM elevado e comorbidades como disfunção renal. A ressonância cardíaca corroborava o eco cardiograma, que apontava a gravidade de disfunção ventricular esquerda, que não existia há 6 anos. Foram notados também aspectos relacionados a uma possível doença coronariana e aspectos inespecíficos, que o impossibilitavam de relacionar qual seria a doença. O Dr. Siciliano cedeu então a palavra ao debatedor Marcelo Montera, para apontar as hipóteses diagnósticas do paciente.

A partir das características do caso, o Dr. Marcelo Montera descartou hipóteses de doença coronariana, afirmando que não havia nenhum indício que pudesse promover agressão ao coração ou que apontasse para a direção das doenças mais comuns. Excluiu também a possibilidade de Cardiomiopatia Isquêmica, Amiloidose Cardíaca e Miocardite por Células Gigantes, após resultados do eco cardiograma.

O cardiologista apontou o exame de imagem FDG-PET como sendo o método mais adequado para avaliar o diagnóstico, e a biópsia endomiocárdica confirmaria a conclusão. Demonstrou como é realizado o exame e suas interpretações. De acordo com o médico, ficou evidente a presença de doença inflamatória crônica agressiva, além de grave déficit funcional, massa ventricular preservada, fibrose associada e áreas de infarto regional.

O Prof. Dr. Alexandre Siciliano retornou ao púlpito para expor a conduta conclusiva realizada. Seguindo as diretrizes brasileiras mais recentes, que recomendam a biópsia endomiocárdica para definição etiopatogênica da inflamação ventricular esquerda, foi feito cateterismo guiado por eco cardiograma, a fim de minimizar danos e otimizar o resultado. Demonstrando as imagens da biópsia endovascular, convidou o Acadêmico Carlos Alberto Basílio para realizar a análise patológica.

O patologista indicou a presença de linfócitos de modo geral, predominantemente de tipo T, inflamações e edemas. Ao analisar a biópsia, afirmou que nada apontava para Sarcoidose, Miocardite Viral ou outra doença específica - as imagens não possibilitavam fechamento diagnóstico, de modo que não seria possível afirmar conclusivamente, apenas descartar hipóteses. Atentou, por fim, para a importância da união entre clínico e patologista na tomada de decisão diagnóstica.

Dando prosseguimento à Oficina, o Prof. Dr. Siciliano apontou outros métodos disponíveis atualmente que possibilitariam uma conclusão, além da imunohistoquímica. Entre eles estão a analise de TCR (receptores de células T) viral no tecido, para identificar a presença do vírus cardiotrópico e sua replicação viral, e a avaliação do perfil gênico da mostra de biópsia, que foi realizada no paciente. A partir do laudo da análise gênica foi confirmado o diagnóstico de Sarcoidose e ausência de vírus.

Finalizando o simpósio, o Acadêmico José Galvão-Alves abriu a sessão para que seus confrades pudessem comentar e emitir suas considerações sobre o caso. O Acad. Basílio exaltou os avanços médicos que permitiram o diagnóstico, que no passado teria sido inconclusivo, e o Acad. José Manoel Jansen ressaltou as novas descobertas em relação a Sarcoidose e afirmou que a Medicina é sempre moderna e inovadora.

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