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Sessão de 24 de maio de 2018 – ANM realiza conferência sobre Doença Gordurosa Não Alcoólica do Fígado

A segunda parte da sessão da última quinta-feira (24) na Academia Nacional de Medicina dedicou-se a discutir Doença Gordurosa Não Alcoólica do Fígado. Sob organização do Acadêmico Carlos Eduardo Brandão-Mello, roram realizadas palestras sobre os aspectos históricos da doença, seu diagnóstico e possíveis tratamentos.

O Acadêmico Carlos Eduardo Brandão-Mello deu início à conferência abordando conceito, prevalência e história natural da Doença Gordurosa não alcoólica do Fígado (NAFLD). O gastroenterologista apresentou os conceitos de esteato-hepatite não alcoólica (NASH) e esteatose hepática não alcoólica (EH). Ambas indicam o acúmulo de gordura no fígado em pessoas que bebem pouca ou nenhuma bebida alcoólica e possuem semelhanças epidemiológicas e patogênicas (pacientes obesos, diabéticos e hiperlipêmicos).

Os Acads. José Galvão-Alves e Jorge Alberto Costa e Silva (Presidente), a Dra. Nathalie Carvalho Leite, o Acad. Carlos Eduardo Brandão e a Dra. Ana Carolina Cardoso de Figueiredo Mendes

Segundo ele, a doença acomete de 10 a 40% da população e desses, de 50 a 75% sofre de obesidade. A EH, com ou sem inflamação, apresenta maior prevalência e baixa taxa de progressão, enquanto a NASH tem potencial evolutivo para cirrose e menor prevalência. O especialista indicou também os fatores de risco associados à doença: obesidade, resistência à insulina ou diabetes tipo 2, e dislipidemia.

Em sua conclusão, demonstrou a histologia da doença e afirmou que a fibrose é o mais importante preditor de mortalidade relacionado a ela, declarando que a NAFLD é uma doença complexa com patogênese e progressão determinada por uma combinação de fatores genéticos e ambientais. De acordo com o professor, o conhecimento dos principais mecanismos patogênicos da doença é fundamental na identificação de potenciais e promissores alvos terapêuticos.

Dando prosseguimento à conferência, a médica do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ), Ana Carolina Cardoso de Figueiredo Mendes, discorreu sobre "Diagnóstico não invasivo da doença gordurosa não alcoólica". Em sua introdução, a professora exibiu dados sobre marcadores predominantes da doença, comprovando que a maioria dos casos estão associados com a presença de diabetes, obesidade e fibrose avançada.

A especialista palestrou a respeito da técnica Elastografia hepática transitória (EHT), utilizada para avaliar o grau de rigidez do fígado sem invasão do corpo humano. Seu resultado é imediato e indica a evolução da saúde do fígado, permitindo a avaliação e monitoramento da evolução de doenças independentemente de tratamento ou outros fatores. Em seguida, apresentou diagnósticos realizados através de EHT e elastografia por ressonância.

Finalizando seu seminário, a gastroenterologista declarou que a EHT é um método acurado para o diagnóstico de Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica, e que, quando realizada simultaneamente com a ressonância, aumenta a precisão diagnóstica. Afirmou ainda que, em pacientes com estágios intermediários de fibrose hepática ou com avaliações discordantes de marcadores não invasivos, deve-se proceder a biópsia hepática.

A gastroenterologista Nathalie Carvalho Leite, também do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, abordou tratamento farmacológico e novas perspectivas terapêuticas na doença gordurosa não alcoólica do fígado. Abordou os desafios e avanços no tratamento da doença, afirmando que a redução do peso através de dieta e prática de exercícios é a medida primordial no tratamento da NAFLD.

Segundo ela, os melhores candidatos ao tratamento farmacológico da doença são pacientes com esteato-hepatite com fibrose moderada ou avançada (a partir da Fase 2) e pacientes com esteato-hepatite e fibrose inicial, mas com fatores preditivos de maior progressão. A especialista comentou ainda a relevância do uso de Metformina em NAFLD nos dias de hoje, esclarecendo que o fármaco de primeira linha no tratamento de diabetes do tipo 2 e na prevenção de progressão do pré-diabetes para diabetes não tem benefício comprovado nos parâmetros histológicos para a doença hepática gordurosa não alcoólica.

Concluindo sua apresentação, declarou que é improvável que um único medicamento possa ser utilizado numa doença complexa e multifatorial com esta. Complementou informando que pacientes com NAFLD apresentam condições metabólicas associadas, com maior risco de eventos cardiovasculares e de diminuição da função renal, de modo que o tratamento ideal deve ser minuciosamente analisado para que se tenha um bom perfil de segurança.


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