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Sessão de 3 de maio de 2018 - ANM recebe a Professora da USP Mayana Zatz para conferência sobre genética

Na Sessão de quinta-feira, 3 de maio, a Profa. Dra. Mayana Zatz, do Centro de Pesquisas do Genoma Humano e Células-Tronco da Universidade de São Paulo, compareceu à Academia Nacional de Medicina para realizar a conferência “Um olhar para a GenÉtica”. A pesquisadora é pioneira no campo de doenças neuromusculares (distrofias musculares, paraplegias espásticas, esclerose lateral amiotrófica) e atualmente realiza relevantes avanços na pesquisa com células-tronco.

A Profa. Dra. Mayana Zatz (ao centro) entre os Acads. Silvano Raia, Antonio Nardi, Marcello Barcinski e Walter Zin

A médica fez uma breve introdução a respeito do que é genética e as escolhas e mudanças que podem ser realizadas a partir do conhecimento dos “algoritmos” que o genoma humano proporciona. Segundo a conferencista, atualmente o acesso a esse tipo de informação se tornou mais fácil no aspecto técnico e funcional; além disso, testes genéticos são cada vez mais importantes no auxílio de diagnósticos e previsões de possíveis doenças. Entretanto, uma consequência desse avanço são os dilemas éticos advindos da utilização cada vez maior desta ferramenta, incluindo o aumento da discussão sobre responsabilidade médica e o direito de interferência.

Apontando as principais situações em que o estudo do genoma é utilizado como recurso - como o emprego de testes preditivos e exames de DNA -, a pesquisadora discorreu sobre doenças como a Síndrome de Prader-Willi, a Distrofia Miotônica, a Doença de Huntington, as Ataxias Espinocerebelares e Doença de Alzheimer. Segundo Mayana Zatz, estudo genético permite que um indivíduo saudável possa ter conhecimento prévio do risco de manifestar a doença ou transmiti-la a seus descendentes.

Demonstrou, ainda, casos onde características de personalidade podem ser reveladas através do teste genético, como responsabilidade, liderança, timidez, ansiedade e otimismo. Segundo pesquisa realizada no Brasil e Reino Unido, o “gene do otimismo” está presente em 40% da população brasileira, enquanto o percentual da população britânica é de 16%.

Em sua conclusão, a pesquisadora discutiu temas como privacidade, limites e experiências no campo da genética, e promoveu reflexões a respeito da “edição do genoma” e os aspectos éticos que envolvem o futuro e desenvolvimento da especialidade. De acordo com a geneticista, a linha entre o que é ético ou não no avanço das pesquisas é tênue e pode ser facilmente ultrapassada; por essa razão, o profissional deve sempre proceder com responsabilidade e cautela. Os Acadêmicos Marcello Barcinski e Silvano Raia enriqueceram o debate com apresentações relevantes sobre o tema, abrindo a rodada de discussões da qual participaram os Acadêmicos presentes.

Mayana Zatz abordou as questões éticas associadas aos estudos relacionados à genética

Mayana Zatz possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo (1968), doutorado em Genética pela Universidade de São Paulo (1974) e pós-doutorado em Genética Humana e Médica pela Universidade da Califórnia (1977). É professora titular de Genética do Instituto de Biociências da USP e foi pró-reitora de Pesquisa da instituição (2005-2009). Coordenadora do Centro de Pesquisas sobre o Genoma Humano e células-tronco (CEGH-CEL) e do Instituto Nacional de Células-Tronco em Doenças Genéticas. Atua, produz e tem interesse principalmente em questões éticas relacionadas ao Genoma Humano, testes genéticos e células-tronco. Entre agosto de 2010 e dezembro de 2012 fez parte do corpo de revisores (BORE) da revista Science. Participou ativamente da aprovação das pesquisas com células-tronco embrionárias pelos parlamentares (2005) e Supremo Tribunal Federal (2008).


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