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Sessão de 28 de setembro de 2017 - Curso de Atualização da ANM debate o AVE

Além do Seminário organizado pelos alunos, a aula do dia 28 de setembro do Curso de Atualização em Ciências Médicas da ANM teve como tema o Acidente Vascular Encefálico (AVE). A aula foi ministrada pelo Acadêmico Sérgio Augusto Pereira Novis.

O acadêmico Sérgio Novis é graduado em Medicina pela UNIRIO. Atualmente é Professor Emérito de Neurologia da UFRJ, Professor Titular de Neurologia da Escola de Medicina Souza Marques e da PUC-RJ, além de chefe do Serviço de Neurologia da Santa Casa de Misericórdia do RJ. É membro de várias sociedades médicas, dentre elas a Academia Brasileira de Neurologia, a Academia Americana de Neurologia e a Sociedade Francesa de Neurologia. É membro titular da Academia Nacional de Medicina, ocupando a cadeira nº 2.

O Acadêmico Sergio Novis

O acadêmico Sérgio Novis iniciou a palestra abordando a epidemiologia do AVE, afirmando que a incidência anual é em torno de 750 mil novos casos e que atualmente é a terceira maior causa de óbito nos EUA, além da primeira causa de sequelas permanentes. Em relação à classificação, o palestrante lembrou que existem dois tipos de AVE, o isquêmico e o hemorrágico, sendo que o primeiro representa 80% de todos os casos existentes.

O AVE Isquêmico foi caracterizado pela interrupção do fluxo sanguíneo em uma determinada área do encéfalo. Quanto ao quadro clínico, afirmou que os sinais e sintomas do AVE podem ser muito variados, se apresentando como qualquer alteração neurológica súbita. Os achados mais comuns são fraqueza de membros, dificuldade para caminhar, alterações na fala, alterações visuais, tonteiras, vertigens etc.

Em relação ao diagnóstico, o professor ratificou a importância da semiologia, ao afirmar que o diagnóstico baseia-se na história clínica e no exame do paciente. Porém, também afirmou que a Tomografia Computadorizada de Crânio é indispensável para diferenciar um quadro isquêmico de um quadro hemorrágico. A realização de outros exames, para se verificar fatores de risco, como exames laboratoriais, ecocardiograma e ecodoppler de artérias da região cervical também foram salientados pelo palestrante, assim como a Ressonância Magnética, que evidencia zonas de necrose e de penumbra isquêmica na área encefálica acometida.

Quanto ao tratamento, o acadêmico Sérgio Novis afirmou que a prevenção dos fatores de risco é o tratamento mais eficaz possível, listando como tais fatores a hipertensão arterial, a obesidade, o diabetes, as dislipidemias, o tabagismo e o sedentarismo.

Acerca do atendimento inicial do paciente com AVE, o Acadêmico ressaltou que as medidas gerais negligenciadas não podem ser negligenciadas: cuidar do ABC da vida, hidratação venosa com soluções isotônicas (evitando nestes casos o soro glicosado), controle rigoroso da glicemia e tratamento agressivo da hipertermia.

Sobre o tratamento, o conferencista ressaltou que existem três tipos principais de tratamento farmacológico para o AVE isquêmico: os trombolíticos, os antiagregadores plaquetários e os anticoagulantes. Os trombolíticos, apesar de serem uma excelente opção terapêutica quando há indicação, só devem ser usados até 4,5 horas após o AVE, o que muitas vezes limita o seu uso. Quando da impossibilidade do uso dos trombolíticos, opta-se pelo uso de antiagregadores e/ou de anticoagulantes, dependendo do perfil do paciente e do tipo de AVE isquêmico (trombose ou embolia). Na sequência, o palestrante mostrou alguns casos clínicos e as condutas terapêuticas mais corretas em cada um deles. Foram citadas as práticas endovasculares, as angioplastias e colocação de stents, além de outras condutas cirúrgicas como possíveis condutas terapêuticas para casos de AVE.

Por fim, o acadêmico Sérgio Novis se colocou à disposição dos alunos, respondendo às dúvidas e questionamentos destes, tanto em relação ao diagnóstico de um AVE, quanto às condutas mais apropriadas em cada caso.


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