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Sessão de 28 de setembro de 2017 - Seminário dos alunos debate o tema Racismo na Medicina

Na concepção da segunda edição do Curso de Atualização em Ciências Médicas da ANM, foi oferecida aos alunos a oportunidade de montarem e organizarem Seminários com temas e metodologia escolhidos pelos próprios alunos. Serão realizados um total de três Seminários, que ocorrerão sempre de 14h às 17h.

No dia 28 de setembro se realizou o primeiro destes Seminários, com o tema “Ser negro na medicina: um debate sobre o racismo”, abordando a dificuldade em ser um médico negro no Brasil - as dificuldades enfrentadas durante a graduação e em sua vida profissional, dos preconceitos sofridos e de casos de racismo.

O Seminário foi organizado pelas alunas Caroline Almeida da Costa Pedroso (Faculdade Souza Marques), Lucianna Ifarraguirre Mello (Faculdade Souza Marques) e Letícia Veríssima Martins Barcelos (Unigranrio).

As palestrantes convidadas para apresentar o tema e debater com os alunos foram: Rafaela de Sá Ramalho (graduanda de medicina da Universidade Estácio de Sá e membro do coletivo NegreX); Ionata de Souza Rodrigues (graduanda de medicina da Universidade Estácio de Sá e membro do coletivo NegreX) e a Dra. Monique França da Silva, que médica graduada pela UERJ, residente de Medicina de Família e Comunidade na clínica de família Anthídio Dias da Silveira, ex-coordenadora geral da Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (DENEM) e membro do coletivo NegreX.

O Seminário foi montado como uma roda de debate. A atividade se iniciou com as palestrantes se apresentando e comentando sobre aspectos de sua vida pessoal e dificuldades e preconceitos que sofreram no decorrer de sua vida estudantil, tanto no ensino básico quanto na graduação de medicina.

Alunos durante a fala do Acadêmico Sergio Novis

A Dra. Monique França também apresentou dados estatísticos que mostraram a pequena prevalência de médicos negros no Brasil (em torno de 15% do total de médicos) e citou as fontes de alguns trabalhos acadêmicos que investigam esta questão, para aprofundamento dos alunos.

Após a apresentação das palestrantes, os alunos levantaram questões muito importantes para o debate, que se tornou muito rico e intenso. Questões como a relação entre ser negro e ser pobre no Brasil, a diferença entre preconceito explícito e velado, se existe ou não diferença entre preconceito e racismo, a diferença semântica entre os termos “preto” e “negro”, como combater o racismo, como se portar na presença de um caso de racismo, além de muitas outras questões que foram levantadas e debatidas no Seminário.

É possível destacar também a participação do Acadêmico Emérito da ANM Sérgio Novis, que contribuiu para o debate contando um caso de racismo que ocorreu contra um neurocirurgião negro, vindo da mãe de um paciente infantil, na época em que ele era chefe do referido Serviço de Emergência. A polícia foi chamada e a mãe foi detida por racismo. A criança foi operada e teve sua vida salva.

Algumas histórias de racismo e/ou preconceito, vividas pelas próprias palestrantes no decorrer de suas vidas acadêmicas e profissionais, foram expostas e comentadas. Porém, as palestrantes também contaram histórias de solidariedade e de demonstração de amor ao próximo e combate ao racismo, vindo de colegas, professores, familiares, pacientes e amigos.

Por fim, as palestrantes nos informaram que foi criado, há alguns anos, um grupo auto-organizado de estudantes de medicina negros e negras, chamado Coletivo NegreX, que pretende pautar a temática racial dentro do movimento estudantil e contribuir para o debate sobre esta questão na área de saúde e na sociedade em geral.

Ao fim do Evento, as organizadoras agradeceram a presença de todos e afirmaram que este foi um pequeno, porém importante, passo para a extinção do racismo em não só na área médica, mas na sociedade como um todo.


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