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Sessão Solene de Posse – Jorge Rezende Filho é empossado em solenidade emocionante

Filho do inesquecível Acadêmico Jorge Fonte de Rezende, Jorge Rezende Filho recebeu, na noite de terça-feira (1º) amigos, familiares e colegas de trabalho em sua solenidade de posse como Membro Titular da Academia Nacional de Medicina. O destacado obstetra passa a ocupar a Cadeira de número 67 da Secção de Cirurgia, sucedendo o indelével Ivo Pitanguy, falecido em 6 de agosto de 2016.

A cerimônia, primeira da gestão do Presidente Jorge Alberto Costa e Silva, marcada pela emoção com a qual os confrades receberam o novel Acadêmico, embalado pela lembrança de seu pai, que nesta Casa ocupou a Cadeira nº 63, também na Secção de Cirurgia. Dentre as autoridades presentes estavam os Drs. João Ricardo Moderno (Academia Brasileira de Filosofia), Cândido Mendes (Fórum de Reitores do Rio de Janeiro) e a Dra. Márcia Rosa de Araújo (Conselho Regional de Medicina - RJ).

O Dr. João Ricardo Moderno (Academia Brasileira de Filosofia), os Acads. Ricardo Cruz (1º Secretário), José Galvão Alves (Secretário Geral), Jorge Alberto Costa e Silva (Presidente), Pietro Novellino (ex-Presidente), Antonio Nardi (1º Vice-presidente) e o Dr. Pedro Grossi Jr. (Jornal do Brasil)

De acordo o Regimento da instituição, uma comissão, formada em comum acordo entre o empossado e o Presidente, deverá introduzir o novel Acadêmico ao Anfiteatro Miguel Couto – missão que, na noite de terça-feira, coube aos Acadêmicos Eduardo Lopes Pontes, Paulo Niemeyer Filho, Carlos Giesta, Celso Portela e Felippe Mattoso. Recebido pelos calorosos aplausos dos convidados, Jorge Rezende Filho proferiu, então, o tradicional Juramento Acadêmico, onde promete “(...) respeitar e fazer respeitar o Estatuto e decisões desta Academia Nacional de Medicina; (...) frequentar-lhe as sessões, colaborar nas suas atividades e pugnar pelo engrandecimento da Medicina brasileira; prometo cultivar o sentimento de lealdade e fraternidade para com meus pares”. Na sequência, o Presidente impôs a Jorge Rezende o colar e a medalha Acadêmica, convidando o Acadêmico Carlos Giesta para realizar a entrega do Diploma Acadêmico.

Presidente Jorge Alberto Costa e Silva realizou a entrega da Medalha Acadêmica

A saudação do novel Acadêmico ficou a cargo do Acadêmico Carlos Montenegro, mestre de longa data de Jorge Rezende Filho. Carlos Montenegro é Membro Emérito da Academia Nacional de Medicina, Diretor Científico do Hospital Mariska Ribeiro e Professor Titular de Obstetrícia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Faculdade de Medicina da Fundação Técnico Educacional Souza Marques e Universidade Estácio de Sá. Em seu discurso, ressaltou a alegria em recebê-lo nas fileiras da Academia Nacional de Medicina, relembrando que, mesmo na infância, tornar-se membro da egrégia instituição já um sonho para Jorge Rezende Filho. A formação acadêmica do obstetra também foi evidenciada, a qual Carlos Montenegro classificou como “primorosa”. Após parabenizar os demais concorrentes à Cadeira nº 67, o Acadêmico aconselhou o novo confrade a aprender os rituais e as normas da Academia, afirmando que esta “(...) outorga-lhe Origem, Linhagem e Tecitura e Savoir-faire”.

O Acad. Carlos Montenegro saudou o novel Acadêmico em discurso emocionado

Em seu discurso de posse, Jorge Rezende Filho declarou-se “envaidecido” por ter sido convidado ao convívio dos mais altos dignitários da Medicina brasileira. Considera-se um eterno ambicionado pelo saber e pela Medicina, afirmando que nenhuma outra ciência é tão veloz em tornar aquilo que se conhece em obsoleto, relembrando o quanto custou ao ensino médico em nosso país a insistência em alguns conhecimentos considerados “clássicos”, mas que não mais correspondem às necessidades modernas.

Acadêmico Jorge Rezende Filho em seu discurso de posse

Prestou homenagens ao Patrono de sua Cadeira, o Dr. Fernando Ribeiro Magalhães, considerado o mais destacado obstetra do Brasil. Professor catedrático de Clínica Obstétrica, em 1922, Diretor da Faculdade Nacional de Medicina, em 1930, Reitor da Universidade do Rio de Janeiro (1931 a 1934), estabelecimento a partir do qual constituiu-se a Universidade do Brasil. Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1901, apresentando a memória intitulada “Expulsão espontânea de um tumor submucoso do útero” e exerceu os cargos de Presidente das Secções de Ginecologia e Cirurgia Especializada. Foi transferido para a classe de Eméritos em 1943. Exerceu a presidência da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Brasil e da Academia Brasileira de Letras, em 1929, 1931 e 1932, era membro do Conselho Nacional de Ensino, da Sociedade de Medicina e Cirurgia, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Liga de Defesa Nacional, da Academia das Ciências de Lisboa, da Société Obstétrique de Paris e de inúmeras outras associações médicas, nacionais e estrangeiras. Doutor honoris causa das universidades de Coimbra e de Lisboa e prêmios Alvarenga e Madame Durocher da Academia Nacional de Medicina. Foi Diretor da Maternidade do Rio de Janeiro e o fundador da Pró-Matre, entidade beneficente que ele também dirigiu por muitos anos, com altruísmo, enlevo e dedicação. Seu filho, Nuno de Andrade Magalhães, seguiu os seus passos, estudando Medicina e se especializando em Obstetrícia, tendo sido Diretor Clínico da Pró-Matre. Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 10 de janeiro de 1944, pouco antes de completar 66 anos de idade.

Como já é de praxe nas cerimônias da quase bicentenária instituição, coube ao Presidente Jorge Alberto Costa e Silva fazer o discurso de encerramento da solenidade. Em suas breves palavras, o Presidente afirmou que Jorge Rezende Filho representa o “exemplo perfeito do verdadeiro vínculo de responsabilidade entre reflexão e ação”, ressaltando a maneira humana com a qual o Acadêmico atende a seus pacientes. Comparou a Academia Nacional de Medicina aos templos gregos, salientando que a instituição tem como objetivo mostrar que por trás do aparente caos do mundo que nos cerca, há conhecimento e finalidade, afirmando que o compromisso da Academia é com o futuro. Por fim, dirigindo-se ao novel Acadêmico, chamou atenção para o fato de que a tarefa de um membro desta casa é construir uma sociedade feita não sobre o homem, mas por e para ele.

Bancada Acadêmica durante a solenidade


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