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Sessão de 3 de agosto de 2017 – ANM realiza importante Simpósio de Atualização em Cirurgia Vascular

A Academia Nacional de Medicina dedicou a tarde de quinta-feira (3) para a realização do Simpósio “Cirurgia Vascular: Cirurgia Vascular: Atualização no Diagnóstico e Tratamento da Doença Obstrutiva Cerebrovascular”. A atividade, organizada pelos Acadêmicos Silvano Raia e Arno von Ristow foi acompanhada pelos estudantes que preencheram o Anfiteatro Miguel Couto e através dos canais de transmissão ao vivo do site da ANM

Mesa Diretora durante o Simpósio, com os Acadêmicos Sergio Novis, Silvano Raia, Jorge Alberto Costa e Silva (Presidente) e Arno von Ristow e o Dr. Ivanésio Merlo (SBACV)

Segundo a OMS, as doenças cardiovasculares (DCV) constituem a principal causa de morte em todo o mundo, dentre as quais o Acidente Vascular Encefálico (AVE) é um dos maiores responsáveis por mortes e invalidez entre homens e mulheres, inclusive no Brasil, sendo, nos Estados Unidos, a terceira maior causa de morte.

Palestrantes do Simpósio junto ao Presidente Jorge Alberto Costa e Silva (ao centro)

Em sua apresentação, o Dr. Daniel Bezerra (Hospital Pró-Cardíaco) tentou traçar um panorama da importância do tema, uma vez que os estudos apontam que a cada dois segundos, ocorre um Acidente Vascular Cerebral (AVC); a cada seis segundos, é registrada uma morte por AVC e uma em cada seis pessoas terá um AVC ao longo da vida. Ressaltou que os AVCs possuem importante subtipos etiológicos e que essa classificação é importante para a construção de uma conduta clínica e cirúrgica adequada. Foram apresentados os AVCs: aterotrombóticos (20-25% dos casos); cardio-embólicos (20-25% dos casos); lacunares (15-20% dos casos); criptogênicos (25-30% dos casos) e hemorrágicos (10-20% dos casos).

Após apresentar as implicações prognósticas e terapêuticas do tratamento dos AVCs, o médico encerrou sua apresentação ressaltando a importância das ações de prevenção e da capacitação dos médicos para a realização de tratamentos eficazes, evitando o maior número de mortes e sequelas possível.

Em seguida foi a vez da Dra. Ana Carla Palis (Hospital Copa Star) de abordar o diagnóstico por imagem, iniciando sua apresentação com a afirmativa de que, historicamente, a arteriografia convencional tem sido considerada padrão ouro para quantificar as estenoses da artéria carótida interna (ACI). Todavia, por se caracterizar como um exame invasivo, com riscos associados à utilização de contraste, foram apresentadas as opções de tratamento utilizadas para identificação de estenose carotídea. Ressaltou, ainda, que a escolha do melhor método diagnóstico é dependente de vários fatores, incluindo custo, acurácia, risco ao paciente, reprodutibilidade e acessibilidade. Acerca da utilização do EcoDoppler, afirmou que este é um método confiável na detecção das estenoses carotídeas, apresentando superioridade aos demais métodos nos quesitos de custo, acessibilidade, risco ao paciente e avaliação dinâmica do fluxo.

Abordando “Tomografia Computadorizada e Ressonância Magnética”, o Dr. Ricardo Carneiro (CDPI-RJ) apresentou quadro comparativo entre os dois métodos, demonstrando suas vantagens e desvantagens, afirmando que estes são métodos excelentes para a avaliação da estenose de carótida. Além deste fato, permitem a caracterização das placas e a avaliação do arco aórtico, seus ramos e circulação cerebral, assim como lesão contra-lateral e correlação com estruturas anatômicas.

O Dr. Gabriel de Freitas (UFF) falou sobre as indicações de cirurgia de revascularização de carótida em pacientes assintomáticos, ressaltando que a indicação para este procedimento deverá ser guiada pela investigação sobre a existência de comorbidades, a expectativa de vida e outros fatores individuais, além de incluir uma discussão sobre os riscos e benefícios da realização do procedimento. Dentre os fatores considerados críticos estão a microembolia, a identificação de placas, a existência de hemorragias, identificação de infarto na neuroimagem e a progressão da estenose.

Discorrendo sobre Tratamento Cirúrgico das Carótidas, o Dr. Bernardo Massière (PUC-RJ) afirmou que, apesar dos grandes progressos da Medicina no tratamento da doença cerebrovascular, não existe consenso no tratamento da estenose da bifurcação carotídea. Em seguida, apresentou as técnicas operatórias existentes, como a endarectomia por eversão e arteriotomia longitudinal, as pontes e as transposições, expondo seus pontos negativos e positivos. Na conclusão de sua apresentação, ressaltou que a cirurgia direta e o tratamento endovascular são “duas faces da mesma moeda”, afirmando que as equipes cirúrgicas devem estar capacitadas a utilizar ambas as técnicas.

Abordando o Tratamento Endovascular da Doença Carotídea, o Dr. Carlos Clementino Peixoto (SBACV-RJ) afirmou que mais de 80% das isquemias cerebrais são de origem aterotrombótica ou cardíaca, sendo esta a terceira maior causa de morte ou invalidez de adultos nos EUA. Seguiu afirmando que o tratamento por angioplastia com stent é uma opção adequada na doença carotídea obstrutiva e que o emprego de medicamentos, como os antiagregantes e as estatinas mudaram o rumo natural da história, com estabilização da placa e redução dos casos de AVC. Por fim, ressaltou que, com a evolução das tecnologias e a maior escala de sua utilização, os dispositivos se tornaram economicamente mais viáveis de uso, facilitando a maior utilização de métodos mais eficazes.

O Dr. Túlio Navarro (UFMG) realizou uma análise dos tratamentos da doença carotídea, apresentando a história natural para os pacientes sintomáticos e assintomáticos. Sobre este fato, ressaltou que a taxa anual de AVC para pacientes com carótida assintomática varia de 1-2%, enquanto que, para os pacientes sintomáticos, esta taxa gira em torno de 25%. Salientou que, para pacientes sintomáticos, o padrão ouro é a chamada endarterectomia. Já para pacientes assintomáticos, o tratamento clínico é superior ao tratamento invasivo. Falando sobre tratamento dos troncos supra-aórticos e das vertebrais, o Dr. Carlos Abath (ANGIORAD) destacou que por sua eficácia e baixa morbimortalidade, o tratamento endovascular é a primeira opção terapêutica.

Em sua conferência, o Acadêmico e neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho discorreu sobre revascularização intracerebral, afirmando que existem três categorias de pacientes candidatos a este procedimento: aqueles com evidência clínica de isquemia; aqueles que se submeterão ao fechamento de artéria importante e aqueles que tem o risco de obstrução cirúrgica de artéria significante.

Encerrando o Simpósio, o Acadêmico e organizador Arno von Ristow apresentou palestra intitulada “Carótidas – Intervenção Precoce com Sintomas Agudos?”, na qual ressaltou que existem algumas situações onde o médico deverá intervir imediatamente, a despeito da presença ou não de sintomas, como no caso de estenoses críticas, no aparecimento de trombose intraoperatória, quando é verificada a existência de placas móveis e na presença de trombo intraluminal.

O Acadêmico e organizador do Simpósio Arno von Ristow


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