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Sessão de 11 de maio de 2017 – Jornada Internacional de Urgências e Emergências é realizada na ANM

A Academia Nacional de Medicina reforçou novamente seu compromisso em se aproximar dos estudantes e jovens médicos. Na última quinta-feira (11), a instituição lotou seu anfiteatro principal com a Jornada Internacional de Urgências e Emergências, organizada pelo Acadêmico e ex-Presidente Pietro Novellino e o também Acadêmico Rossano Fiorelli. Em seu discurso de abertura, o Presidente Acadêmico Francisco Sampaio chamou atenção para a importância do evento, que apresentou a evolução no atendimento e as novas tecnologias empregadas.

Os Acadêmicos da ANM junto aos palestrantes da Jornada

 

O Anfiteatro Miguel Couto, repleto de estudantes

Com apresentação sobre “Ultrassonografia Point-of-Care no Paciente Crítico”, o Prof. Paulo Perin (Unicamp) afirmou que a introdução das máquinas portáteis de ultrassom no mercado permitiu que os provedores ampliassem seu uso além das consultas programadas para abranger novas situações, como diagnosticar sangramento interno na sala de emergência. Destacou que alguns hospitais têm sido capazes de eliminar pneumotórax e infecções sanguíneas associadas ao uso de cateter usando POCUS. Sobre os resultados advindos do uso desta tecnologia, ressaltou que em 14% dos casos analisados, o uso de POCUS acarretou mudança no diagnóstico primário.

O Prof. Paulo Perin abordou o uso da ultrassonografia “point-of-care”

Na conclusão de sua palestra, destacou que o uso de POCUS nos últimos anos significou um importante avanço nos diagnósticos em situações de emergência. Dentre as vantagens apresentadas, chamou atenção para a realização de procedimentos guiados mais seguros, a ótima avaliação de processos pulmonares e a possibilidade de avaliação da resposta ao tratamento.

Falando sobre “Vias Aéreas na Sala de Emergência”, o Dr. Filipe Moreira de Andrade (UFV) enumerou as causas de mortes precoces preveníveis relacionadas às vias aéreas, destacando o não reconhecimento da necessidade de intervenção na via aérea, a inabilidade em se conseguir via aérea ou quando esta encontra-se mal posicionada, e a aspiração de conteúdo gástrico. Ressaltou, ainda, que hipoxemia é a condição que mais rapidamente leva a óbito pacientes politraumatizados. Ao longo de sua conferência, apresentou as variadas técnicas de acesso às vias aéreas, principalmente naqueles pacientes considerados críticos, com via aérea difícil.

O Prof. Filipe Moreira de Andrade durante sua conferência

O Prof. Helio Machado Vieira Jr. fez apresentação sobre “Reposição Volêmica: o que há de novo?”, na qual afirmou que o choque é a maior causa de mortes preveníveis do mundo. Destacou que existe uma “tríade sinistra” comum aos pacientes em choque: hipotermia, acidose e coagulopatia. Em seguida, apresentou um histórico sobre os métodos utilizados para reposição volêmica ao longo dos anos, abordando os procedimentos utilizados em conflitos como a Segunda Guerra Mundial e a Guerra do Iraque.

Os principais aspectos da reposição volêmica foram abordados pelo Prof. Helio Machado Vieira Jr.

Ao final de sua conferência, apresentou as recomendações existentes para o atendimento do paciente com sangramento. Primeiramente, deve-se identificar e operar rapidamente os pacientes que necessitam de controle cirúrgico do sangramento. Em seguida, deverá ser colocada em prática uma criteriosa reposição volêmica com cristaloides – no caso de hemotransfusões massivas, afirmou ser necessário definir um protocolo para o uso de hemoderivados. Por fim, destacou o uso do ácido tranexâmico, que reduz a necessidade de transfusão de sangue e de cirurgia de emergência nos pacientes.

Logo em seguida, falou o Dr. José Fernando Guedes sobre “Conduta na Hipertensão Intracraniana – Estado da Arte”, afirmando que existem dois tipos de sinais clínicos indicativos de hipertensão intracraniana: sinais clínicos (cefaleia, náusea, vômitos e alteração do estado mental) e fisiológicos (hipertensão, bradicardia, respiração irregular ou apneia e a chamada Tríade de Cushing). Relatou que o tratamento agressivo da hipertensão intracraniana é efetivo tanto para reduzir a mortalidade e quanto para melhorar o prognóstico de pacientes com lesão neurológica aguda.

O Dr. José Fernando Guedes

Em seguida, apresentou o estado da arte para tratamento da hipertensão intracraniana, abordando a descompressão cirúrgica, o uso de hipotermia moderada e mecanismos para o monitoramento da pressão intracraniana, que é o único método aceito indiscriminadamente como diagnóstico seguro do aumento da pressão intracraniana. Dentre estes é possível enumerar o doppler transcraniano, o uso de sensores de pressão (por meio da temperatura cerebral), osmoterapia e a indução de coma por meio de barbitúricos, nos casos onde o paciente não respondeu às intervenções anteriores.

O Dr. Alexandre Siciliano (Hospital Pró-Cardíaco) abordou “Tratamento Cirúrgico Atual no Choque Pós Infarto Agudo do Miocárdio”, apresentando as opções existentes para a abordagem deste paciente: abordagem conservadora, revascularização do miocárdio e suporte mecânico circulatório. A respeito deste último, ressaltou que, no curto prazo, sua utilização auxilia na avaliação da função neurológica e multi-orgânica, na avaliação da recuperação da função cardíaca e atua de maneira significativa no resgate metabólico e dos órgãos.

O Dr. Alexandre Siciliano discorreu sobre o tratamento de pacientes em choque

Ao final de sua apresentação, destacou que mediante os estudos disponibilizados e as análises de caso, a assistência circulatória deve ser considerada para pacientes com choque cardiogênico pós infarto, em especial nos casos refratários. Além deste fato, a abordagem estagiada tem se demonstrado efetiva – todavia, a intervenção precisa ocorrer antes da ocorrência de disfunção orgânica. Por fim, afirmou que o transplante cardíaco deve ser a alternativa para àqueles pacientes que não recuperam a função ventricular.

O Acadêmico e cirurgião Samir Rasslan discorreu sobre “Pancreatite Aguda e Infecção – Estado Atual do Tratamento”, chamando atenção para o fato de que a infecção do tecido pancreático ou peripancreático é reconhecida como o determinante mais importante da morbidade e da mortalidade associadas à pancreatite necrotizante grave. Sobre a forma de abordagem desta doença, descreveu processos como a drenagem do abscesso, a remoção do material necrosado, a ressecção pancreática e a reoperação programada. Discorreu também sobre as técnicas minimamente invasivas e até mesmo o tratamento não operatório.

O Acadêmico Samir Rasslan apresentou conferência sobre pancreatite aguda

Nas considerações finais, salientou que na pancreatite aguda o doente grave não tolera uma conduta errada e tão pouco uma conduta correta tardia. Segundo o cirurgião, é necessário que o médico identifique rapidamente sua janela de ação (“momento de ouro”), no qual ele deve eleger o tratamento adequado, se valendo aqui de seu treinamento e experiência.

Ao final da primeira etapa da Jornada, o Dr. Agostinho Ascenção (Unirio) falou sobre “Perspectivas no Ensino”, abordando uma a uma as experiências desenvolvidas na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e na Secretaria Municipal de Saúde. Para o Dr. Agostinho Ascenção, a coordenação das atividades entre o órgão público e as universidades desempenha papel fundamental – enquanto as Universidades funcionam como pólos de capacitação técnica, a disponibilização da rede de saúde municipal possibilita aos médicos recém-formados inúmeros cenários de ensino. Em seguida, concluiu sua apresentação afirmando que a organização das equipes (incluindo a organização de seus resultados) e a melhor compreensão do funcionamento e desafios do Sistema Único de Saúde são pontos chave para a continuidade deste trabalho, que já apresenta resultados promissores.

O Dr. Agostinho Ascenção

Após as 18h, o Prof. Bruno Monteiro (UNICAMP) fez conferência sobre “Síndrome Compartimental Abdominal (SCA)”, conceituando-a como uma complicação grave, oriunda do aumento exagerado da pressão intra‑abdominal (PIA), causando significativa morbidade e mortalidade. Segundo o professor, as alterações fisiopatológicas decorrentes do aumento da PIA em vários órgãos e sistemas têm sido estudadas desde o século passado, principalmente após o reconhecimento de que hipertensão intra‑abdominal (HIA) resulta em SCA. Ao final de sua apresentação, abordou as recomendações redigidas na 6ª reunião da Sociedade Mundial de Síndrome Compartimental Abdominal, que incluem o medir a PIA quando qualquer fator de risco estiver presente em pacientes gravemente feridos e o uso de monitorização e gestão protocoladas da PIA.

O Prof. Bruno Monteiro

Antes do recomeço das atividades do Simpósio, o Dr. Antonio Marttos foi convidado pelo Presidente Francisco Sampaio a receber o título de Correspondente Estrangeiro da ANM, tendo o Diploma sido entregue pelos Acadêmicos e organizadores do Simpósio Pietro Novellino e Rossano Fiorelli.

O Dr. Antonio Marttos recebeu o título de Correspondente Estrangeiro durante a Jornada

Na sequência, o Dr. Antonio Marttos, fez apresentação sobre “Resposta às Emergências em Grandes Eventos e Desastres”, discorrendo sobre sua experiência em grandes eventos como a Olimpíada Rio 2016. Segundo o médico, para eventos de grande porte, é necessária a implementação de um sistema de múltiplos “braços”, capaz de criar uma rede de atendimento equilibrada e que seja capaz de manter a qualidade dos atendimentos. Uma das ferramentas apresentadas foi a Telemedicina, que funciona como um banco de dados da saúde do paciente, possibilitando um diagnóstico rápido, personalizado e até mesmo à distância. Também discorreu sobre o uso de um robô que fornece imagens radiológicas, exames, ultrassonografias, câmeras remotas, acesso a exames – tecnologia que foi utilizada com soldados americanos durante a Guerra do Iraque.

O Correspondente Estrangeiro Antonio Marttos