Academia Nacional de Medicina

Av. General Justo, 365, 7° andar, Rio de Janeiro - 20.021-130 - Tel: (21) 3970-8150
Busca


Anais da Academia

Veja a última edição do
Anais da academia

Carlos da Silva Lacaz (Cadeira No. 51)

Membro Titular

Secção de Medicina

Cadeira No. 51 - Patrono: João Paulino Marques

Eleito: 26/05/1977 - Posse: 22/09/1977 - sob a presidência de Deolindo Augusto de Nunes Couto

Saudado por: Edmundo Vasconcelos

Antecessor: Moacyr Alves dos Santos Silva

Falecido: 23/04/2002

Nasceu em 19 de setembro de 1915, em Guaratinguetá (SP).

Filho de Rogério da Silva Lacaz, professor de matemática, de quem também foi aluno, e de Judith Limonge Lacaz.

Pesquisador, professor, administrador, escritor, personalidade marcante pela cultura solidamente adquirida e pela sóbria eloquência sempre evidenciada, o professor Carlos da Silva Lacaz conduziu suas atividades profissionais no mais alto nível ético e científico, constituindo-se exemplo às jovens gerações médicas e afirmativa da nobre tradição que respalda a História da Medicina no Brasil.

Classificado em 1° lugar na turma dos doutorandos de 1940 da tradicional Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, buscou dar prosseguimento aos estudos. Iniciou suas atividades docentes como Assistente, já no 1° ano seguinte a formatura. Galgou todos os postos da hierarquia universitária através de concursos de títulos e provas.

Professor renomado, desenvolveu ininterrupta atividade didática através de inúmeros cursos, palestras e conferências realizadas, além das atividades curriculares diurnas. Pesquisador incansável, publicou mais de trezentos trabalhos científicos.

Escritor e historiador da Medicina, tem em seu acervo cerca de 37 livros publicados, vários dos quais revivendo a memória das ilustres personalidades que engrandeceram a História da Medicina Brasileira.

Sempre em busca de novas fontes de informação técnico-científicas, manteve constante intercâmbio com os mais destacados centros especializados do Brasil e do Exterior. Participou ativamente, de Congressos Médicos com mais de 60 temas e trabalhos relatados.

Foi Diretor da FMUSP de 1974 a 1978, anos durante os quais reformulou o ensino e criou novas vagas para a carreira universitária, abrindo os horizontes para novos docentes, entre os quais dezessete novas posições de Professor Titular, uma das quais destinada à Neurologia. Criou o Museu da FMUSP (desde 1999, Museu Carlos da Silva Lacaz), do qual foi Diretor Vitalício. Deu foro ao tombamento da Casa de Arnaldo, gigantesca tarefa que concluiu enquanto a dirigia. Definiu e regulamentou os Laboratórios de Investigação Médica (LIM) do Hospital das Clínicas da FMUSP, com os quais procurou-se dotar a instituição de um liame com a pesquisa médica básica, já que destas fora privada a escola pelo novo estatuto da Universidade de São Paulo.

Foi presidente da Academia de Medicina de São Paulo (1962-1963); da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical; da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia e da Sociedade Brasileira de História da Medicina. Foi também o 3º Presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (1968-1970), sucedendo e antecedendo, respectivamente a dois eminentes médicos e literatos, ambos otorrinolaringologistas, quais sejam, Paulo Mangabeira Albernaz e Octacílio de Carvalho Lopes.

Auxiliou direta ou indiretamente a criação de três Faculdades de Medicina: Faculdade de Medicina de Sorocaba da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; Faculdade de Medicina de Jundiaí e a Faculdade de Medicina de Campinas, sendo nas duas primeiras o primeiro Professor Titular do Departamento de Microbiologia e Imunologia.

Fez jus a inúmeros prêmios, sendo dois de destaque: Domingos Niobey (1951) e Alfred Jurzykowski (1968), pela Academia Nacional de Medicina.

Pertenceu a 27 Sociedades Científicas nacionais e estrangeiras, tendo presidido a Academia de Medicina de São Paulo (1972).

Exerceu 26 cargos eletivos em Sociedades e Revistas Médicas, assim como em Congressos Científicos. Colaborou por anos, semanalmente, na “Folha de São Paulo”, com cerca de 100 artigo de divulgação científica.

Interessado e profundo conhecedor dos problemas gerais de Saúde Pública, ocupou o cargo de Secretário de Higiene e Saúde da Prefeitura de São Paulo, desenvolvendo intensa atividade administrativa consubstanciada na criação de novos serviços médicos; na promoção de campanhas de alcance médico-sanitário além de obras hospitalares de ampliação e renovação.

Sua aposentadoria ocorreu, por força de lei, em 1985, mas o Acadêmico continuou até o último de seus dias na Faculdade de Medicina da USP, nela desenvolvendo sua pesquisa científica e a ela dando o brilho de sua mente e o melhor do seu desempenho humano.

Em reconhecimento à sua pujante atividade de ensino e pesquisa, em 1999, deram-lhe o raro privilégio de ver seu nome expresso na denominação Lacazia loboi, como proposta à comunidade científica internacional para um novo gênero de fungo como agente etiológico da doença de Jorge Lobo.

Faleceu em 23 de abril de 2002.