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Carlos Arthur Moncorvo de Figueiredo

Membro Titular

Eleito: 22/04/1884 - Posse: 22/04/1884 – Sob a presidência de Agostinho José de Souza Lima

Falecido: 25/01/1901

Nascido a 31 de agosto de 1846, no Rio de Janeiro (RJ). Filho de Carlos Honório de Figueiredo e Emília Dulce Moncorvo de Figueiredo. Cresceu na cidade do Rio de Janeiro, sob o regime monárquico de Dom Pedro II, acompanhando o processo político que levou à abolição do trabalho escravo e à Proclamação da República. Sua trajetória e perfil profissionais não diferiram de muitos de seus contemporâneos que seguiram a carreira médica.

Bacharel em Letras pelo Colégio Pedro II em 1865. Graduou-se em Medicina em 1871, defendendo a tese de doutoramento “Dispepsia e seu Tratamento Calórico em Geral”. Doutorou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro a 09 de janeiro de 1872.

Logo após a formatura, viajou para a Europa, aonde permaneceu por dois anos, vivendo basicamente na França, tendo estagiado na Escola Prática da Faculdade de Medicina de Paris. Seus interesses pelas doenças infantis o levaram a dedicar-se quase exclusivamente a elas. De volta ao Brasil inicia sua prolífera carreira de escritor. Apesar de ter tido apenas cerca de 30 anos de prática profissional (1872/1901), sua reputação de médico sério, estudioso, dedicado e inovador, atravessou os oceanos. Ao longo de sua vida profissional publicou mais de 80 títulos, muitos em francês, espanhol, inglês ou italiano. Foi colaborador de 12 jornais e revistas médicas, 2 espanholas, 2 italianas, 1 argentina, 2 americanas, 1 alemã e várias brasileiras.

Seus livros, relatos de casos ou memórias médicas tratavam de temas variados. Eles iam desde a cólera, elefantíase, influenza, reumatismo, coqueluche, dilatação de estômago, impaludismo, malária, até as diarreias. Além disso, foi colaborador de inúmeras revistas e jornais especializados no Brasil, como a “Revista Médica” e “O Progresso Médico”, e no exterior como a “Revue Générale de Clinique et de Thérapeutique Infantiles”, a “Revista de Enfermidades de los Niños” e o “Archivio Italiano di Pediatria”. O coroamento de sua produção bibliográfica se fez quando recebeu o prêmio “The World”s Columbian Comission” pela publicação do livro “Children”s diseases and their remedies” (1893). Várias instituições do mundo conferiram a Carlos Arthur Moncorvo de Figueiredo medalhas, prêmios e títulos. Seu tema principal era, além da posterior pediatria, a afirmação concreta acerca obrigatoriedade da prática clínica para o exercício da profissão nas ciências médicas.

Foi um dos fundadores, em 1882, junto com os doutores Silva Araújo, Moura Brasil, entre outros, da Policlínica Geral do Rio de Janeiro, com a presença do Imperador Dom Pedro II. Deve-se a ele o primeiro curso de especialização de doenças das crianças feito no Rio de Janeiro, na Policlínica Geral, em 1882. O contexto histórico tendia para a especialização na medicina, mas sofria resistências. Parte da elite médica, calcada em uma prática essencialmente generalista, resistia à diferenciação resultante da divisão do trabalho e à criação de áreas diferentes no interior do conhecimento. Todavia, logrou o reconhecimento legal do curso, que funcionou até sua morte.

Pelo Professor José Martinho da Rocha foi chamado de “Pai da Pediatria Brasileira” (Jornal do Commercio, 29 de novembro de 1946). Foi agraciado com a cadeira Nº 1 da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Membro correspondente ou honorário de várias sociedades sábias estrangeiras. Professor Honorário da Faculdade de Medicina da Universidade de Santiago do Chile. Foi sócio do Instituto Histórico e Geográfico e recebeu do Governo Imperial, em 1889, a comenda da Ordem de Cristo.

Na Academia Nacional de Medicina, tomou posse como Membro Correspondente a 04 de maio de 1874; em seguida, em 1874, como Membro Adjunto. Tornou-se Membro Titular por proposta do Visconde de Sabóia a 22 de abril de 1884.

Faleceu a 25 de julho de 1901.