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GLAUCOMA

Glaucoma é uma doença do nervo óptico (neuropatia) que, se não tratada adequadamente desde sua fase inicial, pode levar à cegueira. A perda do campo visual, na grande maioria dos casos, no início é periférica e progressiva. Geralmente progride de forma bilateral e assimétrica.

Pela morte das células do nervo óptico (os axônios), surge o chamado “aumento da escavação” do nervo (espaço “vazio” no nervo óptico).

Os danos glaucomatosos são produzidos pelo aumento da pressão intraocular pela dificuldade de drenagem do humor aquoso. O humor aquoso é um líquido transparente que colabora com a nutrição de algumas estruturas intraoculares.

É um grave problema de Saúde Ocular no mundo todo e também no Brasil, onde há mais de um milhão de glaucomatosos e quanto mais velha a população, pior o problema.

O paciente com glaucoma tem de entender a necessidade do tratamento, pelo resto de sua vida e assim evitar cegueira incurável.

A fidelidade ao tratamento significa usar os colírios como recomendado e fazer exames periódicos para saber se o tratamento está dando resultados

O melhor método para medir a pressão intraocular é a “tonometria de aplanação de Goldmann – o paciente recebe uma gota de anestésico com um corante especial chamado fluoresceína e a pressão em milímetros de mercúrio, medida com o tonômetro”.

A pressão intraocular normal é variável. Há pessoas que mantém pressão ao redor de 23 mmHg sem desenvolver glaucoma e outras que necessitam ter pressões abaixo de 12 mmHg.

A pressão intraocular é o fator de risco mais importante para o desenvolvimento do glaucoma e na prática o alvo de tratamento.

Infelizmente o nervo do olho ainda não pode ser reparado e depois que as fibras morrem, não temos como recuperar a visão do paciente. Desta maneira percebemos a importância de prevenir a perda da visão pelo glaucoma, porque ao contrário do que ocorre com outras doenças, como a catarata, no caso do glaucoma a perda é irreversível.

Existem diferentes tipos: glaucoma primário de ângulo aberto, glaucoma primário de ângulo fechado (é o glaucoma agudo que pode causar muitos sintomas como dor e perda rápida da visão), glaucoma secundário a uveite, tumores, uso de corticoides, etc.) e glaucoma congênito (que pode surgir no nascimento ou anos após).

O tipo mais comum de glaucoma é o primário de ângulo aberto (ou Glaucoma Crônico Simples), que não tem causa conhecida e pode não causar dor nem ser percebido até que esteja muito avançado e quando o paciente já perdeu grande parte da visão.

Alguns pacientes têm chance maior de glaucoma (fatores de risco): mais de 40 anos, irmãos ou pais com glaucoma, miopia acima de 6 graus, colírio de corticoide por tempo prolongado, trauma (pancada) ocular, hipertensão arterial e vaso espasmo. Os negros e os portadores de diabetes e uveite também são mais susceptíveis.

O oftalmologista inicialmente tenta o controle com colírios. Há colírios que devem ser instilados 1 vez ao dia, outros 2 ou mais vezes. O uso adequado é fundamental para que haja boa resposta ao tratamento. Quando há necessidade do uso de mais de 1 colírio, deve-se aguardar pelo menos 5 minutos de intervalo entre o uso dos medicamentos.

A pressão ideal deve ser determinada para cada paciente pelo oftalmologista e dependem de vários fatores como a gravidade da doença, a idade, o tipo do glaucoma, etc.

Exames são importantes para documentar o estado da doença e garantir que o tratamento está sendo efetivo e que a doença não esta evoluindo. Incluem: campo visual, fotografia da papila, medida da espessura da córnea e tomografia de coerência óptica (OCT).

Em casos mais raros, os colírios não são suficientes para manter a pressão intraocular adequada para que a doença não avance e pode ser necessário tratamento com laser ou cirurgia, dependendo do paciente e do tipo de glaucoma.

Existem diferentes técnicas e modalidades cirúrgicas, utilizadas de acordo com o paciente, tipo de glaucoma, idade do paciente e outros fatores.

Apesar dos novos procedimentos cirúrgicos para o controle da pressão intraocular, a Trabeculectomia é ainda a cirurgia mais executada. Produz uma via alternativa à drenagem do humor aquoso intraocular (câmara anterior) para o espaço sub conjuntival, reduzindo assim a pressão intraocular.

Para casos de Glaucoma Primário de Ângulo Aberto o laser mais empregado é a Trabeculoplastia, que promove maior drenagem do humor aquoso e no Glaucoma Primário de Ângulo Fechado a Laser Iridectomia.

Maiores detalhes: Sociedade Brasileira de Glaucoma www.sbglaucoma.com.br

Autores:

Paulo Augusto de Arruda Mello - Professor Associado de Oftalmologia, Escola Paulista de Medicina, UNIFESP.

Rubens Belfort Jr. - Membro Titular da Academia Nacional de Medicina