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Pedro Affonso de Carvalho Franco (Barão de Pedro Affonso) (Cadeira No. 05)

Secção de Medicina

Patrono da Cadeira Nº 05

Falecido: 05/11/1920

Nascido a 21 de fevereiro de 1845, filho de Pedro Afonso de Carvalho e Luísa Helena de Carvalho, o carioca Pedro Affonso de Carvalho Franco formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (1869) e pela Universidade de Paris (1871).

O título de Barão de Pedro Affonso lhe foi dado pelo imperador Pedro II em 31 de agosto de 1889, dois meses e meio antes da queda da monarquia. Foi condecorado Oficial da Ordem da Rosa. Foi Professor do Colégio Pedro II e de Patologia Cirúrgica na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Em 15 de setembro de 1894 foi criado no Rio de Janeiro, pelo decreto nº 105, o Instituto Vacínico Municipal. Com o objetivo de desenvolver o serviço de vacinação contra a varíola na cidade, o Instituto fora resultado de um projeto elaborado pelo Dr. Pedro Affonso de Carvalho Franco e apresentado ao Diretor Geral de Higiene e Assistência Pública naquele mesmo ano. O Barão foi seu diretor até sua morte, em 1920.

Desde 1878, o Dr. Pedro Affonso de Carvalho Franco, então diretor do Hospital Geral da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, tentava reproduzir a vacina animal utilizada no combate da varíola. O sucesso foi alcançado somente em 1887, a partir da inoculação de vitelos com a polpa glicerinada vinda do instituto vacínico de Paris, o Instituto Chambon.

Em 1888, o Dr. Pedro Affonso de Carvalho Franco foi incumbido da vacinação animal no Rio de Janeiro, realizada na própria Inspetoria Geral de Higiene, recebendo subvenção do governo. No mesmo ano, o Governo Federal se comprometeu a custear a montagem de um instituto vacinogênico, o qual seria organizado e dirigido pelo Dr. Pedro Affonso. A entidade foi instalada numa chácara na rua do Bom Retiro, onde funcionou até 1890, quando foi transferido para a rua Marquês de Abrantes. Na ocasião, foram enviados representantes da Inspetoria às províncias do Norte e do Centro-Oeste, no intuito de ensinar a cultura e administração da vacina animal, recomendando-se aos órgãos locais a criação de estabelecimentos semelhantes. Desta iniciativa originou-se o Instituto Vacínico de São Paulo e instituições congêneres na Bahia, Pernambuco e em outros estados.

De acordo com o Aviso de 14 de maio de 1890, o Dr. Pedro Affonso de Carvalho Franco, que em 31 de agosto do ano anterior havia adquirido o título de Barão, ficava comprometido a abastecer a Inspetoria, mensalmente, com mil tubos de vacina e dez vitelos vacinados. Em 15 de setembro de 1891, o Barão de Pedro Affonso assinou um contrato com o Ministério do Interior, por meio do qual era oficialmente incumbido de todo serviço de vacinação de vitelo a braço na cidade do Rio de Janeiro, ficando diretamente sob a fiscalização da Inspetoria Geral de Higiene. Porém, a função de médico vacinador, encarregado da vacinação de braço a braço, ainda seria mantida.

Pelo contrato firmado entre o Barão de Pedro Affonso e o Ministério do Interior, vigente até a criação do Instituto Vacínico Municipal em 1894, o serviço de vacinação animal seria realizado no próprio edifício da Inspetoria em duas sessões semanais, às quintas e sextas-feiras. Além disso, era também de sua responsabilidade a vacinação em quaisquer lugares da cidade onde fossem registrados indícios de casos de varíola. Ele aplicava as vacinas gratuitamente e se comprometeu a estabelecer no Instituto Vacinogênico, de sua propriedade, um serviço de vacinação que atendesse diariamente a todas as pessoas que a ele recorressem.

Com emprego de verbas federais e utilização de recursos físicos municipais, foi instalado na fazenda Manguinhos o Instituto Soroterápico Federal, cujo primeiro diretor foi o próprio Dr. Pedro Affonso, de sua fundação, em maio de 1900, a março de 1903, quando assumiu a diretoria Oswaldo Cruz, com o qual tivera divergências a respeito de questões técnicas e administrativas. O nome do Instituto foi mantido até 1907 quando passou a se chamar Instituto de Patologia Federal. Em 1908, finalmente passou a se chamar Instituto Oswaldo Cruz, ano em que seu diretor obteve uma importante premiação na Exposição de Demografia e Higiene de Berlim.

O Instituto Vacínico Municipal deixou de existir em 1920, quando a produção de vacina antivariólica passou a ser atribuição do Instituto Oswaldo Cruz.

Faleceu a 05 de novembro de 1920, no Rio de Janeiro.