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A Tarde na Academia de Oficina Diagnóstica do dia 12 de maio de 2016 teve como tema a Gastroenterologia.

A Tarde na Academia de Oficina Diagnóstica do dia 12 de maio de 2016 teve como tema a Gastroenterologia. O encontro, mais uma vez, foi organizado pelos Acadêmicos José Galvão Alves, Carlos Basílio de Oliveira e José Manoel Jansen.

Acadêmicos organizadores Carlos Basílio de Oliveira, José Manoel Jansen e José Galvão Alves

A discussão foi iniciada pelo Prof. Galvão, que foi quem sugeriu o caso clínico analisado. Ele introduziu a análise colocando que a paciente era uma jovem de 21 anos, branca, solteira, estudante de Medicina e residente no Rio de Janeiro.

Segundo ele, em outubro de 2008, ela procurou atendimento ambulatorial queixando-se de dor epigástrica, pirose, náusea e diarreia líquida esporádica. Um exame laboratorial evidenciou eosinofilia (8%). Ela foi então medicada com Omeprazol e Albendazol com cessação da diarreia e persistência dos outros sintomas.

Em outubro 2009, ocorreu piora dos sintomas e perda ponderal de 5 kg/1 ano e a paciente procurou novamente atendimento ambulatorial, onde se solicitou ultrassonografia (US) de abdome total e pelve e encontrou-se formação de aspecto misto (cístico/sólido) em corpo do pâncreas medindo 27 X19mm.

Procedeu-se a investigação com Tomografia Computadorizada e Ressonância Magnética de Abdome e pelve que confirmaram os achados da ultrassonografia.

Identificou-se ainda, que a paciente possui Pâncreas parcialmente individualizado, sendo observada aparente formação de aspecto misto na topografia do corpo do pâncreas, medindo cerca de 27 x 19 mm, de difícil caracterização em virtude da interposição gasosa.

Após esta exposição de informações sobre o caso, o Prof. Galvão convidou o Dr. Carlos Frederico Porto Alegre, que pertence à 18ª Secretaria da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro e Professor da Universidade Estácio de Sá.

O Prof. Porto Alegre buscou realizar um resumo sobre essa tentativa de fornecer um diagnóstico diferencial, falando de aspectos gerais e relativos, bem como as principais características do caso.

Como diagnóstico diferencial, ele apresentou: Dispepsia funcional, Gastrite eosinofílica/Enterite eosinofílica, Parasitose gastrointestinal, Doença inflamatória intestinal (Doença de Crohn), Doença de Whipple/Doença Celíaca, SIDA, Hipertireoidismo, DM, Pancreatite crônica, Neoplasia.

Junto a esta leitura e dentro deste quadro de diagnóstico diferencial, observou-se também uma lesão radiológica no ultrassom e na radiografia com conteúdo cístico e sólido, com corpo pancreático mínimo – menor que 3 cm.

Em relação ao tamanho do cisto analisado, o Prof. Porto Alegre abriu uma interessante discussão sobre o teor de benignidade de cistos pequenos, alertando que os cistos pequenos devem, sempre, ser investigados.

Foi apontado que o tumor do caso caracteriza um tumor Sólido Cístico. E, com a análise e a discussão conjunta entre ele e o Acad. Galvão, chegou-se a algumas hipóteses finais: Cistoadenoma seroso, Cistoadenoma mucinoso, Cistoadenocarcinoma e Neoplasia pseudopapilar sólida, Tumor de Frantz.

Por fim, a Oficina Diagnóstica do dia contou com uma análise cirúrgica e histopatológica do Acad. Carlos Basílio de Oliveira, que acrescentou que em um caso de Tumor de Frantz, é essencial que o paciente tenha acesso a um hospital equipado, para que as condições de imagem sejam esclarecedoras.

Em seguida, ele mostrou imagens sobre o quadro cirúrgico da paciente, colocando que a visão da lesão mostra uma lesão sólida cística de cerca de 3 cm de diâmetro e que não parece grave, com superfícies profusas.

No momento da cirurgia, o cirurgião convocou um patologista para ajudar neste diagnóstico e retirou-se uma parte do pâncreas. Na imagem abaixo, na cito impressão de coloração azul de um fragmento dele, encontrou-se essa lesão que não constitui uma papila verdadeira – trata-se de uma pseudopapila, pois não possui o eixo conjuntivo.

O Prof. Basílio fundamentou esta observação dizendo que uma papila verdadeira deve sempre ser vascularizada, como um sabugo de milho, de maneira que as sementes dele representam as células e o core, o sabugo.

A partir desta observação, ele conclui que trata-se de um tumor sólido, mas com área cística – um sólido cístico pseudopapilar. E comentou que outras neoplasias císticas podem surgir do revestimento seroso, até mesmo primitivas. E por isso, é preciso observar que este caso é parênquima endócrina.

Sendo assim, segundo o exame peroperatorio de congelação, o linfonódo está livre de neoplasia e o provável diagnóstico é de um Tumor no pâncreas sólido cístico pseudopapilífero – margens cirúrgicas livres.

 

 


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