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A Tarde na Academia de Oficina Diagnóstica do dia 28 de abril de 2016 teve como tema a Pneumologia.

A Tarde na Academia de Oficina Diagnóstica do dia 28 de abril de 2016 teve como tema a Pneumologia. O encontro foi organizado pelos Acadêmicos José Galvão Alves, Carlos Basílio de Oliveira e José Manoel Jansen.

Acads. Sergio Novis, Carlos Basílio de Oliveira, Prof. Alexandre Pinto Cardoso, Prof. Domenico Capone e Acads. José Manoel Jansen e José Galvão Alves

O primeiro médico a apresentar uma análise relevante para o encontro foi o Prof. Domenico Capone, Prof. Associado de Pneumologia da UERJ e Radiologista do IDT/UFRJ, que trouxe um caso complexo de um homem de 50 anos, branco, solteiro, cuja profissão é jardineiro.

Natural do Rio de Janeiro e residente de Rio das Ostras, o paciente em questão apresenta há cerca de seis meses uma tosse produtiva, episódios hemoptoicos, dispneia em repouso, febre não aferida associada a calafrios e sudorese noturna.

Segundo o Prof. Domenico, o diagnóstico apontou tuberculose pulmonar, pois o paciente está usando RIPE há 4 meses, sem confirmação bacteriológica. Identificou-se que, no momento da anemnese, os sintomas foram amenizados e o paciente foi encaminhado então ao Hospital Pedro Ernesto para realizar broncoscopia, em razão das extensas lesões cavitárias presentes nos pulmões.

Prof. Domenico Capone

O paciente negava comorbidades e uso crônico de medicamentos e relatou que no passado teve 2 casos de tuberculose – sendo que em sua primeira internação, aos 20 anos, recebeu tratamento inadequado. O paciente negou também qualquer cirurgia, hemotransfusão ou alergia medicamentosa.

Como relatos da história social, o Prof. Domenico colocou que o paciente reside em casa de alvenaria com o irmão e com acesso a água e esgoto encanados. Os dois possuem 1 cão e 5 gatos. Além disso, o paciente fez uso de maconha 30 anos atrás e consumia álcool destilado diariamente até 5 anos atrás.

Em seu exame físico, constatou-se que ele possui pressão normal para baixa, uma frequência cardíaca de 82 bpm e uma frequência respiratória de 16 irpm. Ele estava um pouco anêmico, emagrecido. Não havia nada de errado com o coração e o abdômen.

Além desses dados, foram também feitos exames complementares:

O Prof. Domenico mostrou tomografias do paciente com extensas lesões cavitárias e os pulmões apresentavam alterações destrutivas nas cavidades. O pulmão direito apresentava comprometimento do lobo direito e havia também a possibilidade de infiltração na parede brônquica, conforme exposto abaixo:

Em uma dessas cavidades, também foi encontrada a ocupação de um tecido com densidades moles. Nessa formatação coronal também se viu alguns focos de calcificação.

Na broncoscopia, foi constatado que as árvores brônquicas direita e esquerda apresentam dilatação da luz e distorção arquitetural, bem como uma grande cavidade no segmento apicoposterior do LSE. Há também a presença de lesões esbranquiçadas aderidas à parede e grande quantidade de secreção purulenta bilateral.

Em seguida, o Prof. Alexandre Pinto Cardoso, Professor Associado de Pneumologia da UFRJ e Diretor de Saúde IDT/UFRJ, contribui para essa análise comentando o que foi introduzido pelo Prof. Domenico.

Em relação aos exames realizados, o Prof. Alexandre indagou, será uma doença aguda ou crônica? Quem é o hospedeiro? Devido ao estado do pulmão, o Professor coloca que o imunocomprometimento configura uma doença crônica.

Prof. Alexandre Pinto Cardoso

Um dos fatores importantes a ser levado em consideração neste diagnóstico é que a redução dos telômeros configura uma situação de maior suscetibilidade a outras doenças – qualquer pessoa nessas condições apresentaria baixas imunológicas e uma menor resposta vacinal, etc.

O trabalho em questão relaciona como a atividade fagocitária do macrófago sofre a ação dos medicamentos utilizados, de maneira que o processo inflamatório e a atividade fagocitária são amenizados.

Como observação, o Prof. Alexandre colocou que pacientes com DPOC que se tratam com corticoide têm mais chances de contrair pneumonia. Trata-se de uma condição local que facilita a contração infecciosa.

Ao mostrar imagens de exames patológicos, ele apontou a presença de Aspergillus fumigatus – o que pode indicar um quadro alérgico, a exposição a uma quantidade alta de fungos, gerando micetoma e uma doença pulmonar invasiva.

Haveria, portanto, segundo o Prof. Alexandre, duas possibilidades mais expressivas para o diagnóstico, a primeira de que o paciente tenha uma doença de Aspergillus crônica, de modo que os achados endoscópicos apontam uma possível bronquite e, diante dessa possibilidade, ele aconselhou um teste sorológico.

O acadêmico também colocou como diagnóstico alternativo uma lesão escavada envolvendo Rhodococcus equi, Actinomyces, Nocardia, bem como outras possibilidades do mesmo grupo, mas ao final colocou que considera a A spergilose invasiva a melhor resposta para o quadro analisado.

Ao final, para dar fechamento ao diagnóstico do quadro histopatológico em questão, o Acad. Jansen convidou o Acad. Carlos Alberto Basílio de Oliveira, que fez uma análise patológica de toda a cultura fúngica do paciente e observou bronquite crônica, broncoectasias, cavernas tuberculosas, infiltrações brônquicas, ocupações de luz nas cavernas, erosões, dentre outros sintomas.

Acadêmico Carlos Basílio de Oliveira

Ele observou que a Aspergilose invasiva compromete o coração e a válvula cardíaca, o que pode gerar também meningite e cerebrite fúngica. Nesse caso, portanto, a Aspergilose invasiva permite uma investigação universal, que podendo ser analisada pela área cardíaca, dermatológica, neurológica e, principalmente, pela área pneomonológica.

Observando que a IFA é maior do que a cândida, o Prof. Basílio conclui que, de acordo com a Histopatologia, o quadro do paciente deve ter como diagnóstico a Aspergilose invasiva.