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A Academia Nacional de Medicina sediou a Assembleia Geral da rede de Academias de Ciências - IANAS (Inter-American Network of Academies of Sciences) em 07 de maio de 2016

No dia 7 de maio de 2016, a Academia Nacional de Medicina recebeu a Assembleia Geral da rede IANAS, criada para fortalecer a cooperação nas áreas de ciência e de tecnologia, como uma ferramenta para o avanço da pesquisa, desenvolvimento, prosperidade e equidade nas Américas. Redes são importantes instrumentos para o compartilhamento e a disseminação de informações, novas práticas e ideias inovadoras dentro da comunidade científica e, em virtude da sua credibilidade e independência com relação aos Governos, Academias possuem vantagens inerentes na abordagem de questões relacionadas com a ciência, tecnologia, saúde e educação científica de alta qualidade a nível nacional.

Delegados na Plenária do Encontro das Academias das Américas

Realizado em parceria com a Academia Brasileira de Ciências e contando com a participação dos Acadêmicos Marcello Barcinski e José Luiz Gomes do Amaral, o evento reuniu nomes da ciência de diferentes países das Américas, que, além de discutirem questões relacionadas ao funcionamento da rede – regras e procedimentos, mudanças no estatuto, eleições para o comitê executivo e apresentação do plano estratégico do triênio 2016-2019, ofereceram relatórios das atividades dos diferentes programas que integram a IANAS.

O primeiro destes programas foi o de Educação Científica, apresentado pelo Dr. Carlos Bosch, da Academia Mexicana de Ciências. O objetivo geral do programa é melhorar o nível e a relevância da educação científica no continente, através da participação ativa de Academias de Ciências e dos cientistas de maior proeminência das nações das Américas, que trabalham em conjunto com professores e autoridades educacionais. O programa estimula também o compartilhamento de materiais e experiências entre projetos dedicados para gerar métodos comuns, mecanismos e regras para avaliar o progresso dos projetos individuais, além de criar um fórum para a discussão dos materiais e métodos adequados que deverão ser usados na educação científica, além de outros objetivos.

Em seguida, a Dra. Frances Henry, da Royal Society of Canada, apresentou o relatório de atividades do programa Mulheres pela Ciência. A ação do programa se baseia no aconselhamento e fornecimento de informações à IANAS, suas academias e seus programas sobre questões de gênero. O programa também visa quantificar a sub-representação de mulheres cientistas, incentivar a formação de comissões mistas de Ciência nas academias e remediar o isolamento de mulheres cientistas. Além deste fato, o programa desenvolve estratégias para aumentar o status das mulheres cientistas, trabalhando pelo pleno envolvimento das mulheres nas áreas da ciência, tecnologia e desenvolvimento.

Delegados das Academias das Américas no Salão Nobre da Academia Nacional de Medicina, no Rio de Janeiro

O relatório do programa de Águas foi apresentado pela Dra. Katherine Vammen, da Universidade da América Central. O programa foi criado com o objetivo de enfrentar os problemas relacionados ao acesso à água potável; para lidar com este problema, as Academias de Ciências das Américas decidiram estabelecer um programa regional para ajudar os governos nacionais na resolução deste problema. Assim, o desenvolvimento de novas estratégias para usos da água, reciclagem de água e conservação de rios, lagos e reservatórios representa um importante desafio. O desenvolvimento de pesquisas que resultarão em novas estratégias de gestão da água e a educação da sociedade sobre a necessidade de uma utilização mais racional das fontes de água existentes é crucial para este programa.

O Dr. John Millhone, da US National Academy of Sciences, apresentou o relatório do programa de Energia, uma colaboração das Academias de Ciências das Américas para aplicar ciência avançada e engenharia nos programas de energia sustentável no continente. A colaboração é focada em seis prioridades: energia para as populações que carecem destes serviços, as energias renováveis, a bioenergia, a eficiência energética, capacitação e informação e educação. O programa busca identificar interesses comuns dos grupos de países, para que estes possam melhorar a eficácia e reduzir o custo de programas de colaboração como este. Caracterizado como um programa multinacional, o programa busca reconhecer que as Academias de Ciências precisam se tornar os centros de redes, montagem e análise de informações, além de fazer recomendações de políticas públicas relacionadas à energia coerentes com os contextos políticos e sociais de cada país.

Por fim, a possibilidade da implementação do projeto Aldeias Inteligentes junto à IANAS foi apresentada pelo Dr. Bernie Jones. O projeto tem como objetivo fornecer aos líderes políticos, doadores e agências de desenvolvimento relacionados com o acesso à energia rural novos insights sobre as barreiras - tecnológicas, financeiras e políticas - para o acesso à energia em aldeias nos países em desenvolvimento e como elas podem ser superadas. As áreas-foco são regiões periféricas, onde as soluções locais tornam-se mais acessíveis do que uma solução nacional de larga escala. O programa busca garantir, em suma, que os benefícios da vida nas cidades modernas estejam disponíveis para as comunidades rurais.

Acadêmico Marcello Barcinski

O Acadêmico Marcello Barcinski apresentou projeto liderado por ele, relacionado ao aumento da integração entre as Academias de Medicina da América. O projeto visa fortalecer a colaboração entre a IANAS e as Academias de Medicina, tendo em vista que muitos cientistas da América se destacam no campo da inovação das ciências da área da saúde. Nesse sentido, o Acadêmico ressaltou o trabalho da Academia Nacional de Medicina como instituição científica mais antiga do Brasil, que, por diversas vezes, esteve à frente no desenvolvimento de ciência de excelência no país. O projeto tem por objetivo possibilitar a criação de uma rede de troca de informações na área da saúde entre os países integrantes da rede IANAS, visando melhorar o nível de tecnologia disponível para as populações.

Por fim, o Acadêmico José Luiz Gomes do Amaral fez apresentação sobre a história da Academia Nacional de Medicina e sobre o acervo disponível na sede da Academia. Ao longo de sua apresentação, o Acadêmico apresentou a história dos painéis expostos no Salão Nobre, além de apresentar documentos extremamente importantes para a história do Brasil, como o atestado de óbito de Dom Pedro II. Após palestra do Acadêmico, todos os participantes do evento foram convidados para conhecer o acervo da Academia Nacional de Medicina em coquetel servido no Salão Nobre.

Diretor do Museu da ANM, Acad. José Luiz Gomes do Amaral


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