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Sessão de 17 de março de 2016 - Trauma como Doença do Século é discutido na Academia Nacional de Medicina

Foi salientado que o trauma não é apenas uma doença, mas uma questão social e de cunho comunitário, de maneira que é importante lembrar que no Brasil o trauma é a terceira causa mais comum de morte e, em nível global, a quarta.

 

Mesa diretora dos trabalhos, Acads. Omar da Rosa Santo, Pietro Novellino, Prof. Paul Manson, Dr. Cassio Amaral e Acad. Ricardo Cruz

 

As discussões voltaram as atenções para o fato de que o processo de globalização tem se tornado um dos importantes fatores para a intensificação das ocorrências de trauma. Isso se dá pois tanto as causas intencionais como não intencionais que circundam acidentes traumáticos são extremamente estruturais.

 

Plateia lotada de médicos, residentes e estudantes

 

Os acadêmicos chamaram a atenção para o fato de que as causas intencionais, isto é, circulação de armas de fogo, índice de pessoas envolvidas em crimes ou guerras, estão associadas a características demográficas e culturais. Sendo assim, a prevenção do trauma se associa diretamente a aspectos sociais e políticas de um mundo configurado por diversos fluxos de pessoas e informações.

A globalização não foi apontada como um processo negativo, apenas foi alertado que, junto com os inegáveis aspectos positivos, é possível perceber que a intensificação dos fluxos também gera muitos processos danosos para o bem-estar geral.

Foi salientado que as causas não intencionais de trauma dependem de fatores sociais como grau de urbanização, densidade demográfica, nível de segurança, taxa de crescimento da população, taxa de fecundidade, taxa de escolaridade, etc. Concluiu-se que embora não haja vacina para prevenir o trauma, como em outras doenças, as “vacinas” para a diminuição de ocorrências traumáticas se chamam educação e justiça social. Trata-se de uma questão diretamente relacionada aos investimentos culturais e sociais no Brasil e no mundo.

A sessão também contou com excelentes contribuições históricas acerca dos avanços da medicina nas cirurgias craniofaciais. Inicialmente, o Acadêmico Ricardo Cruz ministrou palestra apresentando os principais profissionais e pesquisadores que vem conquistando, há pouco mais de cem anos, grandes avanços no tratamento dos traumas de face; salientando as conquistas de profissionais que atuaram nas guerras, como os renomados Dr. Varaztad H. Kazanjian e Dr. John Marquis Converse.

 

Acadêmico Ricardo Cruz proferindo sua conferência

 

O convidado internacional do dia, professor emérito da John Hopkins University, Dr. Paul N. Manson, proferiu palestra sobre os panoramas de avanços e conquistas nos tratamentos do trauma de face no século XXI.

 

Prof. Paul N. Manson ministrando sua palestra intitulada “Facial Injuries: The 21st Century”

 

A sessão plenária foi realizada em videoconferência organizada pelo Acadêmico Fabio Jatene, com Acadêmicos e convidados de São Paulo, na Faculdade de Medicina da USP – Incor. Estiveram presentes os Acadêmicos Eduardo Krieger, Samir Rasslan, Maurício Rocha e Silva, Rubens Belfort e o Prof. Dario Birolini, pioneiro na atenção ao trauma.

 

Acadêmicos e convidados em videoconferência desde São Paulo

 

Foi ainda apresentada uma entrevista da repórter Glória Maria (Rede Globo) com o Acadêmico e também pioneiro em trauma de face, Prof. Ivo Pitanguy, que impossibilitado de comparecer, enviou o vídeo da entrevista, no qual parabeniza a Academia Nacional de Medicina pela organização deste importante encontro, bem como manda seus sinceros cumprimentos ao Dr. Paul N. Manson.

 

Prof. Ivo Pitanguy em vídeo reproduzido durante a Sessão Plenária.

Assita ao vídeo da entrevista na íntegra.