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Acidente Vascular Encefálico (AVE) é tema do Curso de Atualização da ANM - 13 de agosto de 2015

 

O Curso de Atualização da ANM, no dia 13 de agosto, teve como tema o Acidente Vascular Encefálico (AVE). Ministrada pelo Acadêmico Sergio Augusto Pereira Novis, a aula teve início com a apresentação de dados da epidemiologia do AVE, cuja incidência anual é em torno de 750 mil novos casos, sendo, atualmente, a terceira maior causa de óbito nos EUA, além da primeira causa de sequelas permanentes. Em relação à classificação, o palestrante lembrou que existem dois tipos de AVE, o isquêmico (que representa 80% de todos os casos existentes) e o hemorrágico.

Na sequência, o Acadêmico Sergio Novis definiu o AVE Isquêmico, caracterizado pela interrupção do fluxo sanguíneo em uma determinada área do encéfalo. Quanto ao quadro clínico, afirmou que os sinais e sintomas do AVE podem ser muito variados, se apresentando como qualquer alteração neurológica súbita. Os achados mais comuns são fraqueza de membros, dificuldade para caminhar, alterações na fala, alterações visuais, tonteiras e vertigens, entre outros.

Em relação ao diagnóstico, o palestrante ratificou a importância da semiologia ao destacar que o diagnóstico baseia-se na história clínica e no exame do paciente. Porém, também realçou que a Tomografia Computadorizada de Crânio é indispensável para diferenciar um quadro isquêmico de um quadro hemorrágico. Ooutros exames para se verificar fatores de risco, como exames laboratoriais, ecocardiograma e ecodoppler de artérias da região cervical, também foram lembrados, assim como a Ressonância Magnética, que evidencia zonas de necrose e de penumbra isquêmica na área encefálica acometida.

O Acadêmico Sergio Novis afirmou que a prevenção dos fatores de risco é o tratamento mais eficaz possível e listou como tais fatores a hipertensão arterial, a obesidade, o diabetes, as dislipidemias, o tabagismo e o sedentarismo. Quando ocorre o AVE isquêmico, existem três tipos principais de tratamento farmacológico: os trombolíticos, os antiagregadores plaquetários e os anticoagulantes. Os trombolíticos, apesar de serem uma excelente opção terapêutica quando há indicação, só devem ser usados até 4,5 horas após o AVE, o que muitas vezes é um limitador, segundo o palestrante. Quando da impossibilidade de seu uso, opta-se pelo uso de antiagregadores e/ou de anticoagulantes, dependendo do perfil do paciente e do tipo de AVE isquêmico (trombose ou embolia).

Foram mostrados alguns casos clínicos e as condutas terapêuticas mais corretas em cada um deles. O Acadêmico Sergio Novis também citou as práticas endovasculares, as angioplastias e a colocação de stents como possíveis condutas terapêuticas. Por fim, palestrante se colocou à disposição dos alunos, respondendo questionamentos referentes tanto em relação ao diagnóstico de uma AVE, quanto às condutas mais apropriadas em cada caso.

O Acadêmico Sergio Augusto Pereira Novis é graduado em Medicina pela UNIRIO. É especialista em Neurologia pela PUC-Rio e Livre-Docente pela UFRJ. Atualmente, é Professor Emérito de Neurologia da UFRJ, Professor Titular de Neurologia da Escola de Medicina Souza Marques e da PUC-Rio, além de chefe do Serviço de Neurologia da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. É membro de várias sociedades médicas, dentre elas a Academia Brasileira de Neurologia, a Academia Americana de Neurologia e a Sociedade Francesa de Neurologia.