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Academia Nacional de Medicina discute imunoterapia no câncer - Sessão de 16 de julho de 2015

O quadro “The Doctor”, de 1891, do pintor inglês Sir Luke Fildes, projetado no telão do anfiteatro da Academia Nacional de Medicina, na noite da última quinta-feira, 16, calou fundo na plateia de acadêmicos que assistiu a conferência “Imunoterapia no Câncer, de Volta para o Futuro”, do Acadêmico Daniel Tabak. A imagem do médico desolado diante da criança que agoniza no leito era a síntese do que o conferencista queria dizer quanto aos ainda parcos resultados no combate ao câncer. Mas, se advertiu que a luta contra uma das mais mortais das doenças pode ser inglória, ele pregou a esperança. “Estamos próximos da primeira vacina viral capaz de sensibilizar o sistema imunológico", disse.

Não se referia à efetiva cura do câncer, mas que por meio da imunoterapia há muito que se avançar no combate à doença. “O desafio que temos pela frente é a identificação dos biomarcadores, o que permitirá a utilização de novas drogas com mais eficiência e economicidade, podendo ser ministradas a pacientes com mais capacidade de resposta”, disse o Acadêmico Daniel Tabak, ao referir-se às moléculas presentes no tumor, no sangue ou em outros líquidos biológicos, relacionadas com a gênese e o crescimento de células neoplásicas.

Segundo o Acadêmico, os gastos anuais com terapêuticos oncológicos no mundo, que chegam à casa dos US$ 100 bilhões, escondem uma equação perversa. “Todo este dinheiro não resulta numa correlação positiva entre o custo das drogas e o aumento da vida do paciente com câncer”, disse, ao exemplificar que os Estados Unidos, responsável por metade do investimento mundial no tratamento da doença, registra 1,6 milhão de novos casos por ano que resultam em cerca de um terço de óbitos. Segundo ele, no Brasil, país que dedica 9% do Produto Interno Bruto (PIB) para a Saúde contra 17% dos Estados Unidos, "investe-se pouco e gasta-se mal" em Saúde. "O pior é que, apesar dos avanços, as novas drogas de tratamento do cãncer não chegam à população carente", lamentou.

Em sua palestra, a primeira sob a gestão do Acadêmico Francisco Sampaio, presidente da ANM, foi elogiada por vários acadêmicos. O Acadêmico Omar da Rosa Flores definiu-a como uma “sinfonia biopatológica”. Ao longo de sua apresentação, o Acadêmico Tabak fez um balanço histórico do combate à doença tumoral, remontando a São Peregrino, o Santo Padroeiro dos pacientes de câncer, chegando aos mais recentes avanços no tratamento que fortalecem o sistema imunológico. Menção especial mereceu o americano Willian B. Coley, considerado o pai da imunoterapia. Na virada do século XX, o médico observou que os tumores de alguns pacientes de câncer, que contraiam infecções bacterianas agudas, regrediam significativamente. As pesquisas de Coley inspiraram oncologistas do mundo inteiro e balizam avançados tratamentos para câncer.

 

Texto: Rubeny Goulart
Fotos Ivanoé Pereira

Antonio Egídio Nardi, Francisco Sapaio e Cláudio Cardoso
de Castro
 
 
Acadêmico Daniel Tabak