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Simpósio em homenagem póstuma ao Acadêmico Adib Jatene fecha ciclo de conferências da gestão do Professor Pietro Novellino - 09 de julho de 2015

”A pior morte é o esquecimento”, disse, citando Afrânio Peixoto, o presidente da Academia Nacional de Medicina, Professor Pietro Novellino, na quinta-feira última, 9, na abertura dos trabalhos do simpósio “Fronteiras da Cardiologia”, em homenagem póstuma ao Acadêmico Adib Jatene. O evento, que encerra o ciclo de conferências da atual gestão, foi elogida pelos acadêmicos. “Este simpósio encerra os trabalhos da atual gestão com chave de ouro”, disse o Acadêmico Sérgio Novis.

Em mesa presidida pelo Acadêmico José Eduardo Souza, na presença de familiares do homenageado, acadêmicos e demais participantes, o orador oficial da ANM, Acadêmico Mário Barreto Corrêa Lima, referiu-se ao Acadêmico Adib Jatene como “um dos maiores médicos cientistas brasileiros de todos os tempos”.

Em sua palestra intitulada “Cirurgia Cardíaca no Brasil: Revisão Histórica”, o Professor Domingo M. Braile fez uma descrição histórica da vida do Acadêmico Adib Jatene, desde seu nascimento em Xapuri, no Acre, até seu falecimento, em novembro do ano passado. Não faltaram, na apresentação, referências marcantes à sua atividade como cardiologista, a sua personalidade eclética, a incansável capacidade de trabalho e o amor a profissão. “Ministro da Saúde dos governos Collor e Fernando Henrique Cardoso nunca deixou de operar”, disse.

Em “Cirurgia de Jatene: Correção Anatômica TGA”, o Professor Marcelo B. Jatene, filho do homenageado, abordou alguns aspectos históricos das técnicas cirúrgicas para correção da transposição das grandes artérias (TGA). Segundo ele, desde 1975, quando Jatene descreveu, pela primeira vez, a operação de TGA com sucesso, essa técnica tornou-se a preferida na maioria dos centros para tratamento de portadores dessa anomalia anatômica. Quanto aos resultados, há vários relatos na literatura com taxas de sobrevida de até 96% em 10 anos. “Meu pai era um pesquisador nato e um cirurgião espetacular”, disse.

A “Revascularização cirúrgica do Miocárdio no Brasil” foi o tema desenvolvido pelo professor Ênio Bufollo, que mostrou a evolução deste tipo de tratamento, que reduziu drasticamente a mortalidade em doentes cardiovasculares. Segundo o Professor Bufallo, esta técnica surgiu na década de 60, no mundo que já registra cerca de 800.000 casos por ano, metade nos Estados Unidos. A mortalidade que era de 7,5% caiu para 2%.

Em sua apresentação, o Acadêmico Fábio Jatene, também filho do homenageado, destacou a importância do Heart Transplantation Team, um conceito que vem sendo desenvolvido no Hospital das Clínicas, em São Paulo, e foi responsável por ter dobrado o número de transplantes no Instituto do Coração (Incor). Mas, apesar de o Brasil ocupar hoje a quinta posição no mundo em transplantes cardíacos, há ainda escassez de doadores. O índice brasileiro, de 6,3 doadores por milhão de habitantes, representa a metade do registrado Nos Estados Unidos e é três vezes menor do que o da Espanha. “A construção de um heart time motivado é crucial para qualquer centro que trabalha com transplante”, destacou o Acadêmico Fábio Jatene.

Em sua apresentação, a Professora Amanda G. M. R Souza a bordou a “Revascularização Percutânea do Miocárdio: dos balões aos stents bioabsorvíveis”, mostrando os prós e contras da angioplastia com balão e dos stents coronários.

O Acadêmico Ivo Nesralla encerrou a homenagem com o tema “O que Adib Jatene ensinou para as gerações de cirurgiões que por eles passaram”.

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