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Acadêmico Fortunato e a redenção dos Queimados

O 17 de dezembro de 1961 estará para sempre gravado na memória do Acadêmico argentino Fortunato Benain. Nesse fatídico dia, ele e mais 15 socorristas, entre médicos, enfermeiros e anestesistas do Hospital de Queimados, em Buenos Aires, embarcaram às pressas para o Brasil para atender às mais de 1.000 vítimas do incêndio no Gran Circus Norte-Americano, no Teatro Eduardo Kraichete, em Niterói. O incêndio, uma das maiores tragédias mundiais ocorrida em recintos fechados, ceifou mais de 500 vidas, principalmente de crianças.

Este episódio trágico ficou escrito na memória de todos e marcou também indelével a carreira do Acadêmico Ivo Pitanguy, que, envolvido no atendimento às vítimas, adquiriu uma experiência inigualável e encontrou soluções que se tornaram referências no tratamento de queimados.

O Acadêmico Fortunanto Benain foi homenageado em 2011 durante o Enclave Brasil Argentina, organizado pela Academia do Estado do Rio de Janeiro (ACAMERJ), em Niterói. Nos últimos dias 18 e 19 de junho últimos, ele participou como representante da Argentina do 1° Congresso Sul-Americano das Academias de Medicina e concedeu a breve entrevista abaixo.

 

ENTREVISTA

Qual a inspiração para o encontro das academias sul-americanas?

Acadêmico Fortunato Benain: O primeiro encontro entre as academias, exatamente 50 anos depois da tragédia que ocorreu no ano de 1961 num circo na cidade de Niterói, que resultou em mais de 1.000 pessoas queimadas, quando nossa equipe de médicos colaborou para o tratamento das vítimas. Em 2011, o presidente da Academia do Estado do Rio de Janeiro (ACAMERJ), Dr. Alcir Chacar, fez uma homenagem pela contribuição da Argentina naquele evento trágico. Participaram todas as academias de medicina do Brasil, num evento que guardo com muito carinho em minha memória e no meu coração. E nessa ocasião combinamos de fazer uma reunião entre as duas academias e já no ano seguinte realizamos o 1º Conclave de Medicina Argentina Brasil. Em 2013 fizemos o 2º conclave na cidade de Niterói e em 2014 em Buenos Aires. E este ano, estamos realizando o encontro no Brasil em conjunto com a Academia Nacional de Medicina (ANM), sob a presidência do Professor Pietro Novellino, e com a participação das academias do Uruguai, Paraguai e Chile.

Como foi articulada a ajuda ao incêndio em Niterói?

Eu era diretor do Instituto de Queimados de Buenos Aires e, naquele dia, recebi um telefonema do ministro da Saúde da Argentina, às 4 da manhã, indagando se poderíamos ajudar os brasileiros. Em duas horas já tínhamos uma equipe organizada, com instrumentação, medicamentos. Embarcamos todos, médicos, enfermeiras, anestesistas, num avião da Força Aérea Argentina. Fomos recebidos pelo governador e os jornais deram grande destaque à nossa participação. Trabalhamos intensamente durante duas semanas no Hospital Antonio Pedro, onde o grupo brasileiro trabalhava numa sala e o nosso grupo em outra.

Que podem fazer as academias sul-americanas para a melhoria da saúde no continente?

O objetivo é sempre debater temas atuais e de interesse maior da comunidade. Mas é importante reunir os acadêmicos para conhecer a realidade de cada país e pensar em soluções conjuntas. Em cada encontro se definem três ou quatro temas e se designa um relator para cada um destes temas. Nas discussões, geralmente se designa um representante de cada academia para que dê sua opinião e depois se abre para o debate.

 

Texto: Rubeny Goulart


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