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Empossado como Honoris Causa da ABF, professor Novellino adverte para a perda do humanismo médico - 25 de junho de 2015

Emocionado, sob o aplauso de acadêmicos, autoridades, familiares e convidados, o presidente da Academia Nacional de Medicina (ANM), Professor Pietro Novellino, tomou posse, no último dia 25, no anfiteatro da ANM, como doutor honoris causa da Academia Brasileira de Filosofia (ABF). Em sua saudação, o presidente da ABF, Acadêmico João Ricardo Moderno, que também presidiu a cerimônia, destacou, referindo-se ao Professor Novellino, que a medalha honoris causa estava sendo concedida a um “dos mais marcantes e impressionantes currículos no Brasil e no exterior, de extraordinária dimensão ética e moral, afora o ser humano excepcional”.

Em seu discurso (que pode ser lido na integra pelo link), por sua vez, o homenageado advertiu que “os avanços dos conhecimentos biológicos do século XIX acrescidos dos tecnológicos do século XX geraram o consequente deslocamento ético da prática médica baseada nos princípios hipocráticos originais para um limbo filosófico considerado pouco prático diante das novas exigências sociais e de assistência à saúde”, E acrescentou: “Se de um lado isso trouxe inegáveis benefícios para o desenvolvimento da medicina por outro lado o médico foi perdendo gradativamente um dos seus principais atributos que é o humanismo”.

Na mesma fala, o Professor Novellino citou Sócrates, Platão e Schopenhauer, numa referência histórica que une a Medicina e a Filosofia. “Esse casamento é relatado até mesmo na mitologia, especialmente na grega, na qual Febo Apolo foi separado por Zeus como Deus da Medicina, da Música e da Poesia”, disse o Acadêmico Novellino, que em breve entrevista falou de sua emoção.

 

ENTREVISTA

Como está o seu coração com esta homenagem?

Professor Novellino: O meu coração está controlado, mas em plena ebulição. É emoção demais ver minha dedicação de 57 anos à Medicina ser reconhecida com esta homenagem maravilhosa.

Qual a relação da medicina com a filosofia?

Professor Novellino: A Medicina tem suas próprias raízes na Filosofia. Aristóteles e principalmente Platão tiveram inestimável contribuição do humanismo na Medicina. E é o que temos que recuperar dentro da profissão médica.

Como compatibilizar o avanço tecnológico com o humanismo na Medicina?

Professor Novellino: Não são coisas incompatíveis, mas o médico tem que ouvir mais o doente do que o computador. Na maioria dos casos, uma anamnese bem feita resulta em 90% do diagnóstico. O que, evidentemente, não exclui a necessidade dos exames complementares - e é por isso que são chamados de complementares, pois complementam a história do paciente. Ou seja, o médico tem que ter tempo e paciência para ouvir.

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