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Helion de Menezes Póvoa (Cadeira No. 99)

Membro Titular

Secção de Ciências Aplicadas à Medicina

Cadeira No. 99 - Patrono: Oscar Frederico de Souza

Eleito: 11/05/1934 - Posse: 16/08/1934

Saudado por: Oscar Frederico de Souza

Antecessor: Balduino de Azevedo Feio

Falecido: 09/04/1944

Nasceu em 23 de março de 1889, na cidade de Campos (RJ). Teve avós brasonados, dignos representantes da aristocracia rural daquela época, de engenhos, sobrados e de senzalas, que fizeram o encanto da Velha Província.

Um deles, seu bisavô pelo lado materno, foi o vigésimo oitavo Provedor da Santa Casa de Misericórdia de Campos. Sua administração foi perturbada por uma das maiores enchentes de Campos. O rio abandonou seu leito e invadiu grande parte da vila. As águas derrubaram casas e ameaçaram a estrutura da própria Santa Casa de Misericórdia. E tanto se desvelou no socorro dos enfermos, que em 1847, D. Pedro II visitando Campos, conferiu-lhe o título de Barão de Abadia.

Hélion Póvoa fez seu curso primário em Campos, e o seu curso secundário no velho e tradicional Liceu de Humanidades de Campos. No ano de 1919 fez seu vestibular para a Faculdade Nacional de Medicina e valendo-se de uma lei que permitia fazer dois anos em um só, fez todo o seu curso médico em 5 anos, todo ele com distinção.

Graduou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (1923), tendo defendido tese de doutoramento intitulada “Da síndrome Hemoclásica”, trabalho esse que o laureou com o prêmio Alvarenga (1923).

Trabalhou nos primeiros anos de sua vida profissional, na Recebedoria do Estado do Rio de Janeiro. Logo no 3º ano do curso médico, tornou-se interno do Hospital Nacional de Alienados, começando a dar cursos particulares, através dos quais expandiu toda a sua grande vocação para lecionar. Foi médico do Instituto de Neurobiologia e mais tarde seu Diretor. Em 1928 apresentou a técnica de uma nova reação coloidal bi-corada para o diagnóstico da neurosífilis.

Em 1930, ganhou 3 prêmios: Prêmio Diógenes Sampaio - com trabalho "Hipervitaminose D"; Prêmio Alvarenga - com o trabalho "Mecanismo de Ação do Método Brasileiro no Tratamento dos Aneurismas"; Prêmio Benjamim de Oliveira - com o trabalho "Tratamento das Anemias do Fígado". Em 1933, ganha mais 3 prêmios: Prêmio Academia - com o trabalho "Patogenia da Anemia nas Verminoses, especialmente na ancilostomose"; Prêmio Diógenes Sampaio - com o trabalho "Síndrome Orgânica da Vitamina D"; Prêmio Miguel Couto - com o trabalho "Calciopexia Solar".

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina em 1934, ocupando a Cadeira 99 da Secção de Ciências Aplicadas à Medicina, na vaga do Professor Oscar de Souza, sendo recebido pelo Professor Carlos Chagas.

Em 1936, foi indicado e eleito para Presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia, do Rio de Janeiro. Foi Vice-Presidente da Policlínica Geral do Rio de Janeiro e Chefe do Serviço de Nutrição dessa mesma Instituição.

Foi Presidente das Jornadas Médicas Sul Americanas, realizadas em Buenos Aires, e era membro de quase todas as Sociedades Médicas Argentinas e Uruguaias. As Jornadas Médicas desvendaram uma nova faceta da personalidade de Hélion Póvoa, a de diplomata. Elas estreitaram de muito os laços de fraternidade entre Brasil, Argentina e Uruguai.

Destacou-se no cenário médico nacional e em 1939, após memorável concurso, assumiu a cátedra de Patologia Geral da Faculdade Nacional de Medicina.

Publicou vários livros, entre eles: Blastomas (1934), Hematologia- temas modernos (1934), Noções de Anatomia Patológica (em três edições: 1931,1934 e 1937), Metabolismo-questões da atualidade (1934), Atlas Elementar de Anatomia Patológica (1934).

Intensa foi a atividade didática desenvolvida por Hélion Póvoa. Colaborou com o professor Leitão da Cunha, na organização de um curso de extensão universitária sobre Cancerologia; com o professor Annes Dias, patrocinou por três anos seguidos, cursos sobre diabete e com o professor Cruz Lima, curso de Hematologia Clinica, dentre muitos outros.

Preocupou-se com o problema da alimentação, traçando a política alimentar para o nosso país. Em colaboração com o professor Waldemar Berardinelli, traduziu a obra do professor Pedro Escudero sobre alimentação, refletindo sua afeição por este relevante problema. Os temas de estudos preferidos do acadêmico eram: coloidoclasia; alergia; hormônios; vitaminas; metabologia; genética para arteriosclerose e câncer.

Atuou durante anos como Presidente e redator dos relatórios do Abrigo Cristo Redentor de 1936 até 1943 e, em fins de 1941, como Diretor de Serviços de Alimentação da Previdência Social, tendo sido um dos criadores dos cardápios com valores proteicos e calóricos para alimentação dos trabalhadores.

Escritor de raros méritos, ainda encontrava tempo para seus artigos jornalísticos, publicados no “Correio da Manhã”, do Rio de Janeiro. Em “Fronteiras da Medicina”, com prefácio de Afrânio Peixoto, Hélion Póvoa nos deu a conhecer o lado humano de sua vida verdadeiramente prodigiosa.

Faleceu aos 45 anos, em 09 de abril de 1944.