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Ezequiel Corrêa dos Santos (Cadeira No. 100)

Membro Titular

Secção de Ciências Aplicadas à Medicina

Patrono da Cadeira No. 100

Eleito: 15/10/1835 - Posse: 15/10/1835 - Sob a presidência de Joaquim Candido Soares de Meirelles

Falecido: 28/12/1864

O Dr. Ezequiel Corrêa dos Santos nasceu no dia 10 de abril de 1801, na freguesia do Pilar, hoje pertencente a cidade de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, filho de Ezequiel Antonio dos Santos e de D. Maria Rosa de Oliveira Santos.

Ingressou no curso de Farmácia da Academia Médico-Cirúrgica, provavelmente em 1817, após ter assistido aulas de química na Escola Militar, como previam os estatutos da instituição, matriculando-se no terceiro ano. Depois, teve de praticar por mais de um ano na botica designada pela Escola, a de José Caetano de Barros, Membro Honorário da Academia Nacional de Medicina. Aprovado nos exames finais, o Dr. Ezequiel foi diplomado Boticário por Carta Régia, de 2 de junho de 1819.

Era extremamente interessado nos estudos de Bromatologia e lutava pela elaboração de um novo Código Farmacêutico que levasse em conta a vasta flora medicinal.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1835, e foi Orador em 1837.

Fundou um laboratório e passou a estudar e preparar especialidades – um estabelecimento que ficava à disposição dos alunos da Faculdade. Mais tarde, fundou a Fábrica Nacional de Produtos Químicos e Farmacêuticos Ezequiel & Filho, na atual Rua Moncorvo Filho.

Em 1840, apresentou na ANM um estudo sobre o princípio ativo que isolara da casca do Pau Pereira, a pereirina, reconhecidamente o primeiro alcaloide isolado no Brasil, cujo preparado sob a forma de cloridrato foi amplamente empregado no combate à malária até o início do século passado. A ele também se atribui a síntese do primeiro composto orgânico no Brasil, o clorofórmio, em sua oficina farmacêutica e química na Rua do Piolho (hoje Rua da Carioca).

Em 26 de julho de 1850, decreto imperial apontou-o Farmacêutico do Imperador D. Pedro II. Como uma das figuras mais proeminentes dentre os farmacêuticos, o Dr. Ezequiel participou de associações de classe com voz ativa em prol da melhoria do ensino de Farmácia. Ezequiel se destacou, ainda, no combate às epidemias. Durante os surtos de febre amarela e cólera no Rio de Janeiro, forneceu, sem qualquer ônus, medicamentos a postos de saúde, população carente, Hospitais dos Artífices e do 4º. Batalhão de Artilharia.

Em 1851, fundou e presidiu a primeira sociedade da classe farmacêutica no Brasil do século XIX, a Sociedade Farmacêutica Brasileira, com fins de regularizar e garantir o exercício da farmácia no Brasil. Criou a “Revista Farmacêutica”, que circulou entre 1851 e 1853 e, mais tarde, entre 1862 e 1864, voltou com o nome “A abelha”.

O Professor Francisco de Paula Cândido, Presidente da Junta Central de Higiene Pública, em novembro de 1851, solicitou a colaboração da Sociedade Farmacêutica Brasileira na organização das tabelas e dos materiais que uma botica deveria conter. Ezequiel Corrêa dos Santos foi nomeado para o cargo de Adjunto, em 7 de julho de 1852, passando a visitar as farmácias e procurando facilitar o papel fiscalizador da autoridade sanitária. Um dos frutos dessa participação foi o decreto de 7 de outubro de 1852, do Governo Imperial, que indicava para uso das boticas do Império, a tabela de medicamentos, as farmacopeias, os vasilhames e instrumentos adequados. Em 1852, nomeada a Comissão de Farmacopeia da qual fazia parte o Dr. Ezequiel, com o objetivo de elaborar o Código Farmacêutico, divergências profundas com a Junta impediram a realização do grande sonho, sendo a matéria somente resolvida muitos anos depois, em 1926, com a elaboração da 1ª Farmacopeia Brasileira.

Em 1861, foi formalizado o acordo entre a congregação da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e o Dr. Ezequiel para a cessão do laboratório químico farmacêutico de sua propriedade, onde era ministrada a cadeira da Farmácia Prática. A reivindicação de criação desta cadeira nas faculdades de medicina, dirigida ao Imperador em 1852 e prevista na reforma do ensino em 1854, se concretizava, tendo à frente da cadeira o seu filho, o Dr. Ezequiel Corrêa dos Santos Júnior.

A trajetória de Ezequiel Corrêa dos Santos nos dá uma ideia do tempo em que viveu. Primeiramente, seu engajamento político nas fileiras do liberalismo, depois como farmacêutico, lutando pelo reconhecimento profissional, pela qualidade do ensino a ser ministrado aos farmacêuticos e pelo combate ao charlatanismo, que invadia o mercado brasileiro de remédios com panaceias e elixires.

O Dr. Ezequiel Corrêa dos Santos faleceu na cidade do Rio de janeiro, no dia 28 de dezembro de 1864.

Após a sua morte, a então Academia Imperial de Medicina fez colocar um busto na sala de suas sessões públicas em homenagem ao cientista, ao historiador de sua classe, ao jornalista e ao político.

O Acadêmico José Messias do Carmo considerava o Dr. Ezequiel Corrêa dos Santos o pai da Farmácia brasileira e, em 29 de março de 1972, o propôs como Patrono da Cadeira 100 da Academia Nacional de Medicina.