Academia Nacional de Medicina

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Anais da Academia

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Francisco Freire Allemão de Cisneiros (Cadeira No. 43)

Membro Titular

Secção de Medicina

Patrono da Cadeira No. 43 

Eleito: 19/05/1832

Falecido: 11/11/1874

Presidente da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro - 3° trimestre de 1832 e da Academia Imperial de Medicina - 1838 a 1839

Nasceu na freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Campo Grande, na Fazenda do Mendanha, atualmente Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, no dia 24 de julho de 1797, filho dos lavradores João Freire Allemão e de Feliciana Angélica do Espírito Santo.

Iniciou sua carreira na vida religiosa, tornando-se sacristão, por não possuir os recursos financeiros necessários para dedicar-se à carreira científica. Na convivência com o padre Luis Pereira Duarte, aprendeu a gramática latina e outras disciplinas como francês, inglês, espanhol, hebraico e latim, mas decidiu abandonar a carreira sacerdotal e ministrar aulas particulares, das quais retirava seu meio de sustento. Seu irmão mais velho, Antonio Freire Allemão de Cisneiros, que cursava o segundo ano da Academia Médico-Cirúrgica do Rio de Janeiro, ofereceu-lhe ajuda financeira e no ano de 1822, Francisco Freire Allemão lá ingressou, onde se diplomou como cirurgião, em 1827. Frequentou a Universidade de Paris a convite do governo francês, quando foi aluno do químico Jean Baptiste Dumas e do naturalista Georges Léopold Chrétien Frédéric Dagobert, o Barão Cuvier. Obteve seu doutorado na Universidade de Paris, em 1831, defendendo a tese: Dissertation sur le goitre. Regressando ao Brasil, foi aprovado Catedrático de disciplina na cadeira de Botânica e Elementos de Zoologia, em 1833.

Foi eleito Membro Titular da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1832, sendo empossado em 19 de maio do mesmo ano. Atuou como Presidente da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro no terceiro trimestre de 1832 e da Academia Imperial de Medicina de 1838 a 1839. Sua Memória para a Academia versava o “Uso das preparações de sódio na cura do bócio”- assunto pioneiro na época.

Nomeado médico da Imperial Câmara, em 1840, Freire Allemão conseguiu curar o Imperador Pedro II de uma ameaça de congestão cerebral. Em 1843, participou da comitiva imperial, incumbida de acompanhar a vinda da princesa D. Teresa Cristina, noiva do Imperador Pedro II, de Nápoles ao Rio de Janeiro. Mais tarde, foi Professor de Botânica das Princesas Isabel e Leopoldina.

Membro do Conselho de Sua Majestade, Comendador da Ordem da Rosa, Comendador da Ordem de Cristo e Comendador da Ordem de Francisco I do Reino de Nápoles, foi Lente de Botânica e Zoologia Médicas, de 1833 a 1853, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. De 1858 a 1866 foi Lente da Seção de Ciências Físicas e Naturais na Escola Central. Participou de diversas associações profissionais e sociedades médicas; foi Sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional e da Sociedade Philomatica e Membro Honorário do Imperial Instituto Médico Fluminense.

Fundou e presidiu a Sociedade Velosiana de Ciências Naturais do Rio de Janeiro para estudos da Botânica. Em 1874, presidiu a comissão de Botânica e Zoologia do Instituto Farmacêutico do Rio de Janeiro. Após descrever muitas plantas e identificar numerosos gêneros, tornou-se um dos naturalistas e botânicos mais conhecidos no Brasil do século XIX. Em 1866, foi nomeado Diretor do Museu Imperial e Nacional, cargo que ocupou até o ano de 1870, embora problemas de saúde o tenham afastado desta função em alguns momentos.

Faleceu aos 77 anos, na antiga propriedade de seus pais, no dia 11 de novembro de 1874.


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